terça-feira, 10 de novembro de 2015

O que te faz infeliz?

Uma coisa que percebo nessa geração de deprimidos é que eles se cobram muito, tanto produtividade quanto identificação, essas são as duas maiores ciladas.
A gente vive num lugar e época em que o grau de liberdade é potencialmente enorme, muitos podem ter a religião, formato, filosofia de vida e trabalho que quiser, no entanto não se permitem escolher ou ficam à deriva nesse mar de possibilidades, é aí que entra a cilada da identificação.
Talvez pela sensação de solidão, por querer pertencer a algum grupo e ter legitimidade e apoio em suas escolhas, as pessoas caem na identificação. É uma coisa muito adolescente, por sinal. Que tribo é a sua? Qual pertencer? E, onde entra a maior cilada: qual a mais certa e a mais feliz?
Não que não seja importante ter amizades, pessoas que compartilhem ideias, crenças com a gente, o problema é querer pessoas idênticas a nós e nisso tentar ser idêntico a alguns outros (essas são as mesmas pessoas, por sinal, que farão de tudo para adequar os outros, que considera mais imperfeitos que elas, ao seu próprio sistema). E, pior ainda, depositar nessa crença da identidade que assim será mais certa e mais feliz. O que tenho que fazer igual ao outro para ser feliz? Que modelo eu devo repetir? Aí começa uma jornada em busca de uma certeza e felicidade que nunca chega, porque a felicidade é justamente o oposto disso.
Felicidade não é ser igual ao fulano ou à fulana bonita, forte, talentosa e produtiva, não é o sistema de crença nem o formato de vida que você idealizou no outro como mais perfeita que a sua. Felicidade é encontrar a si mesma, os seus próprios gostos, a sua identidade (que é, de alguma maneira, única). Você tem que se aceitar. Você não vai ser Van Gogh, você vai ser você, assim como Van Gogh foi ele mesmo e não os outros pintores que fizeram um baita sucesso em vida, ainda bem, né?
Isso tudo requer humildade pra perceber que você não é uma deusa onipotente que sabe todas as verdades e caminhos certos da vida e também você não vai ser a Beyoncé. Quem sabe finalmente você irá notar que as pessoas, todas elas, não só seus ídolos, têm talentos, são importantes. Seja por jardinarem bem, por amarem bem, ou lutarem bem, ou fazer rir, ou cuidar bem, enfim, cada pessoa tem seu próprio talento, jeito e ritmo. E todas são dignas de amor.
A vida não é como fizeram crer na escola e no sistema capitalista: um só jeito de ser adulto, um só jeito de ser bem sucedido, um só jeito de ser inteligente, um só jeito de ter talento, uma só resposta certa e um só ritmo, se não você errou e não merece carinho. Não que não exista verdade ou certo, moralmente falando. Mas não existe modo de viver a vida mais verdadeiro ou certo que outros.
Se tem uma coisa que esses antidepressivos me ensinaram, rs, é que eu preciso parar de pensar em outros e pensar em mim. Que minha identidade e a minha vida cabe a mim construir e não tem comparação. Eu preciso parar de me perguntar qual a chave da felicidade da fulana e me perguntar qual a chave da minha felicidade. O que me faz feliz? A resposta não é instantânea, infelizmente, tenha paciência. E é importante ter em mente também que qualquer que seja a resposta agora ela pode mudar com o tempo. Quando criança eu gostava de calor, agora é o frio que me faz feliz. Saber isso é extremamente bom, porque assim eu fico menos assustada com a perspectiva de perder qualquer coisa que me faça feliz neste exato momento: as coisas que me fazem feliz mudam. Se eu perder alguma delas novas surgem.
Talvez seja mais fácil responder: o que me torna infeliz?
O que me torna infeliz, eu, Marcely, são as metas externas. A produtividade que o mundo capitalista me impôs. Eu preciso do meu próprio tempo, acordar no meu horário, fazer coisas lentamente ou simplesmente não fazer quando não quero. É muito complicado me livrar da culpa que carrego por ser assim, mas estou tentando me perdoar por eu ser eu e não a funcionária ideal de um sistema injusto e cruel. Engraçado que quanto menos me culpo e me cobro, mais eu produzo. O problema é que não dá para chegar nesse estágio simplesmente sabendo isso: que se eu largar mão eu irei fazer, porque ainda continuarei mentalizando que preciso fazer. Para isso eu preciso mudar o meu objetivo, o meu objetivo não é fazer coisas, mas ficar bem, feliz. A minha felicidade e bem precisa vir primeiro que a do mundo inteiro, não tem como eu fazer nada pelo mundo infeliz, não é egoísta querer ser feliz. Esse objetivo é fundamental: eu ser feliz, saudável, em paz em primeiro lugar. Primeiro ponha a máscara de oxigênio no próprio rosto, depois no rosto das crianças.

Mas essa é a minha resposta, qual a sua? O que te faz infeliz?

Um comentário:

Mayara França disse...

O que me deixa infeliz ?
-Quando me julgam sem saber o motivo de eu estar assim;
-Quando não sei o que fazer no meu futuro, e resta apenas opções bagunçadas;
-Quando não sou compreendida;
-Quando não tenho vontade de alcançar a minha independência, confiança e liberdade;
- Indecisão, preguiça, sono, MEDO;
- Até quando engordo rs;
Todos nós queremos mudar o mundo, mas infelizmente, machuca quando descobrimos que para que isso ocorra é necessário da ação conjunta, ou as chances são mínimas, ou nenhuma !! :(