Eu sou:
Marcely Costa, 22 anos. Morbidamente consciente. Ambígua, ambivalente. Nada de diferente. Aturando um monte de gente em Curitiba, formada em Letras.

Msn ou e-mail: marcelycosta@hotmail.com

Eu era:
Accela
Eu ainda sou:
AquarElas

Vocês são:
Gir(l)assol, Acetosa, Malk (ou Presunto, como preferir), Dactilus Nigrus, Lúcido Lúdico, Rafael, Marinovska, Flávio, Yama, Eros, Diogo, Ana Marla, Marília.

Eu fui:
.Janeiro 2006. .Fevereiro 2006. .Março 2006. .Abril 2006. .Maio 2006. .Junho 2006. .Julho 2006. .Setembro 2006. .Outubro 2006. .Novembro 2006. .Dezembro 2006. .Janeiro 2007. .Fevereiro 2007. .Março 2007. .Abril 2007. .Agosto 2007. .Novembro 2007. .Fevereiro 2008. .Março 2008. .Abril 2008. .Maio 2008. .Junho 2008. .Agosto 2008. .Outubro 2008. .Novembro 2008. .Dezembro 2008. .Janeiro 2009. .Fevereiro 2009. .Março 2009. .Abril 2009. .Maio 2009. .Junho 2009.

Créditos:
À mim mesma pelo template e pelos posts.
À minha ociosidade.
À ociosidade dos que me lêem.
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Filosofia Crônica

Terça-feira, Junho 16, 2009

Sobre a nossa época

Não é uma novidade, mas enfim. É difícil trabalhar com educação, ver a coisa preta do jeito que está e não entrar por aquele velho fatalismo de "ah, o mundo está cada vez pior, estamos indo pro buraco, é o fim dos tempos ohmeudeusdocéu". Mas como dizia minha mãe e o próprio Umberto Eco dá exemplo n'O nome da rosa, desde o tempo da minha avó o povo já achava que seu tempo era o fim dos tempos – e, bom, acho que eles não estavam certos, por que nós estaríamos? Mas, sendo ou não o fim dos tempos, verdade é que somos bem mais críticos com nossa época atual (como se antigamente tudo fosse melhor, coisa de velho saudosista, alegria dos tradicionalistas) e por isso vemos tudo com tanto mal-estar, como se tudo estivesse piorando. Bom, uma vozinha me diz no meu cérebro, se o povo continua achando, depois de milhares de séculos, A MESMA COISA (ou seja, não aprendeu com a História) de que tudo está piorando, alguma coisa está piorando – ou a gente que não consegue sair do lugar mesmo. É, a gente não consegue sair do lugar. Em algumas coisas. Não dá pra dizer que a medicina continua no mesmo lugar, ou a tecnologia. Bah, esse post também está dizendo a mesma coisa que todos dizem, não é mesmo? Mas, calma, eu já vou falar (o que todos dizem, com outras palavras – o que também é o que todos dizem que dá pra fazer, desde a época da minha avó... meu deus, invente uma linguagem nova... ou vai vir o dia em que tudo o que eu diga seja poesia clichê).
Enfim, voltando para o que eu dizia. O fatalismo sempre esteve aí, embora antigamente as coisas fossem melhores. Sendo assim, o fatalismo está errado e as coisas antigamente NÃO ERAM MELHORES. Nem piores, diferentes (clichê, clichê...). E nem acredito nessa coisa de "instituições falidas". Todo mundo adora usar a frase pronta e praticamente unânime entre os "intelectuais" de que casamento é uma "instituição falida", por assim dizer. Dizem o mesmo das escolas. Acontece que vamos ser um pouco mineiros, librianos, monges tibetanos, sei lá, e pensemos com mais moderação: talvez para alguns essas coisas sejam instituições falidas. Ainda mais em uma época em que tudo é estilizado, cada um tem um serviço personalizado, tem gente pra quem casamento e escola não serve – ohmeudeus, medo do nosso futuro?! Ok, Marquês de Sade também era meio contra várias coisas da sociedade, era um em um milhão, desculpa. O fato é que o povo generaliza. Tem gente pra quem casamento não serve – então não casa! – e tem gente pra quem, pelo menos a educação tradicional não serve – então não estuda? Uai, vai pra uma escola personalizada. Não precisa demolir uma escola, nem proibir os casamentos, entendem?
Mas sejam casamentos, escolas, ou o que for, o problema não é uma falência de instituição. É o mal do nosso século. A gente reviu vários conceitos, jogou-os fora e... esqueceu de substituir por novos! (E é aqui que eu digo que eu vou falar o mesmo que muita gente já disse, com minhas palavras... eu sei que não é novidade, mas enfim, quer novidade vai ler notícia, não crônica de blog). Sob uma valorização do relativismo, acabamos nos tornando um pouco céticos, mas sem valores rígidos impostos pela sociedade como antes, acabamos virando, desculpem, muitas vezes mal-caráter. Gente, vocês sabem, eu sou anarquista de coração. E é justamente por isso que eu acho que os valores são as coisas mais caras a uma sociedade. Sem valores bem claros fica difícil a coisa funcionar, a gente tenta tapear com leis, impondo o medo, mas não funciona. Uma pessoa que não ultrapassa o sinal porque tem medo de levar multa, no momento que não for monitorada vai ultrapassar o sinal, ué. Uma pessoa que não ultrapassa o sinal porque entende que esse sistema serve para nos assegurar quanto a acidentes e organizar o trânsito dificilmente vai desrespeitar o sinal.
Estou dizendo isso porque acho justamente, como disse antes, que o que nos falta são os nossos novos valores. Mas valores sérios, não palavras bonitas, valores mesmo. Nada de "pode ser que sim, pode ser que não, depende...", valores bem definidos e claros: não dá pra ser assim porque isso e isso e isso.
A escola é um protótipo da nossa sociedade. (A escola defende o status quo porque é uma miniatura da sociedade ou é uma miniatura da sociedade por que defende o status quo?). O povo não obedece mais regras, a anarquia já está quase instaurada, viva \o/. O problema é que a anarquia não funciona – a não ser nos nossos sonhos mais queridos – sem valores bem definidos, como eu disse antes. E é complicada de manter quando valorizamos a diferença, como gostam de dizer (não é um valor, apesar de parecer, é só uma regra de etiqueta, reparem, na primeira oportunidade o povo estraçalha o diferente, não adianta...). Uma sociedade anárquica, pra funcionar, precisa de consenso. Consenso com diferenças é difícil. Consenso sem nenhum valor que nos motive É IMPOSSÍVEL. E não há valores muito claros, não há. O povo ainda não realizou que achar algo certo ou errado não é pecado, não é ingenuidade, é NECESSÁRIO. Assim como na nossa sociedade, a escola tenta contornar o caos com regras, leis ("se você não fizer isso não terá aquilo"), chantagens. Mas leis – e é por isso que sou anárquica, essa é minha opinião – leis não funcionam de verdade... funcionariam até melhor em outra época (oh, saudosismo! – não.). Funcionariam se ainda existisse uma reverência a autoridade quase religiosa, como havia antigamente. Funcionariam se autoridade e autoritarismo não tivessem se tornado quase sinônimos, como se tornou na nossa sociedade. Mas, chega, não adianta tentar treinar o povo por meio do behaviorismo, ensinando todos a salivarem quando toca a sineta, o povo tem que entender melhor o que é comer, o que é sentir fome de verdade. "Se você não fizer isso não te dou um playstation". Não, chega! Explique que se fulano não fizer X, provavelmente Y não será possível, simples efeito dessa causa, não precisa inventar sinônimos a curto prazo – outro problema, talvez devido ao imediatismo e a rapidez da nossa sociedade, a longo prazo é meio complicado de entender pra algumas pessoas... Não, tudo bem, eu entendo os castigos, não to dizendo pra não fazer. Mas esquecer o que é mais importante – os valores, a vida real, os porquês, essa é a falha.
Agora... como pôr valores na cabeça desse povo? Talvez com o tempo. Ou talvez o povo volte à idade média com uma dessas religiões xiitas que estão tão em voga. Só sei que eu tenho os meus valores e tento transmiti-los, milagre não faço. E, de qualquer forma, sempre haverá um problema numa época. Pode parecer terrível, mas um dia ainda darão hoje como referência de "melhor" para um futuro distante.
Estamos perdidos...


Marcely contou às 11:02 PM
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Quarta-feira, Maio 20, 2009

Da série: Conversas com o Eros



Eros: olha como to lindo nessa foto!
Eu: bah, nem é, hem? super sem graça!
Eros: Então me devolve ela!
Eu: Não, ta marcando o meu O Idiota...


Marcely contou às 9:05 PM
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Em terra de cego quem tem um olhe sofre

Seguindo parte do meu raciocínio anterior e ligando com minha leitura d'O Idiota, tive vontade de escrever um romance sobre uma personagem inteligente ilhada no meio de um monte de ignorantes, só pra mostrar como às vezes me sinto (me achei, eu sei ú.u).
Já tive essa ideia antes e já estava escrevendo sobre uma personagem solitária e totalmente incompreendida - às vezes maltratada por incompreensão.
Seria legal. Se eu soubesse escrever.
Fim.


Marcely contou às 3:18 PM
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Eugenia por uma questão de classe

Durante toda a minha vida, meu sonho foi ser professora. Começou assim: a minha mãe, que é de uma religião extremamente machista, não via outra possibilidade de trabalho para uma mulher além de ser secretária, dona de casa ou professora. E foi assim que ela me incentivou, me comprando lousinhas, giz e apagador, mostrando o quanto ser professora era bonito, criando toda uma expectativa para mim.
Eu, impulsionada por isso, adorava dar minhas aulas – geralmente para a parede. Adorava fazer até a chamada (com os nomes mais legais e realistas possíveis). Dar aula pra mim era sinônimo de prazer. Falar e ser ouvida, era tão incrível! Falar e ser ouvida... Agora eu sei que ser professora é falar. O ser ouvida é outros quinhentos. Agora que eu sou MESMO professora e passada a empolgação do início eu percebo que dar aula é um grande prazer se você fala com uma parede e não tem o compromisso de ensiná-la. Porque falar para as paredes e ainda esperar resultados é um saco. Porque passar sua vida estudando e dando o seu melhor, preparando as melhores aulas pra chegar na prática e ver tudo ir por água abaixo porque um marginal burro e imbecil chama a atenção de todos os outros mongoloidinhos – e você, intelectualmente superior, cheia de boa vontade e empolgação perde para um ser com cara de Dino da família dinossauro que fica cantando rap olhando pra trás em voz alta.... Bom, tudo isso é FRUSTRANTE! Sim, eu me frustro sempre. Ao escolher literatura para passar pros meus alunos, passei o romance do Dostoievski Noites Brancas (pra 8a série). Ao reler o livro percebi porque gosto dele: eu sou igualzinha aos personagens. Eu sou uma sonhadora, uma romântica! E como sonhadora romântica, sim, eu esperava dar aulas de literatura e fazer o povo se empolgar e começar a ler e ao fazer discussões inteligentes, não seria por uma mongolice que eu perderia a atenção. Mas na vida real o bem não vence o mal, a inteligência não supera a imbecilidade generalizada. E na vida real, você acorda cedo, você tem que economizar e comer comida sem graça, tem que lavar a louça, limpar a bunda, ficar horas num ônibus, existe o tédio, a rotina, a falta de prazer constante. A vida não é um romance enlouquecedor, você não viaja para longe, não se apaixona pra sempre, não vive situações limites que te fazem viver alucinadamente. Não, a vida é um saco (assim como dizem que disse Flaubert: "eu sou a Emma". Eu sou a Emma e vou comer arsênico porque a vida não tem o transporte romântico que eu sonhava pra mim...). Se não bastasse ser medíocre, a parte chata (preparar aula, acordar cedo, estudar, se revisar, sorrir sem querer sorrir, andar sem querer andar) NÃO É RECOMPENSADA! Minimamente, talvez. Sim, alguns alunos se interessaram por ler os livros que levei, riram da crônica do Machado, do conto do Rubem, se empolgaram pra saber quem matava no Nome da Rosa. Mas não vai muito adiante, você pode no máximo esperar que eles riam, que eles reajam ou até se interessem. Mas QUE PENSEM?? Pensar, professora? Desde quando pensar levou alguém a algum lugar? No máximo os pensamentos instintivos. Pensar demais, diria meu Álvaro de Campos – e o Alberto Caeiro concordaria –, talvez, pelo contrário, leve à morte.
Eu estou cansada. Física e principalmente psicologicamente. Não tem sono que me devolva todas as minhas energias. Se eu sonho, eu sonho com as constantes falhas do ensino, com a impertinência de alguns seres humanos que deveriam ser anulados da face da Terra (FODA-SE, FODAAAA-SE a nova pedagogia ou a "diversidade". Ao caralho com isso! Então políticos corruptos e estupradores de criancinhas são DIFERENTES e não pessoas desagradáveis que queremos longe? Dane-se a doença: se é hiperativo ou psicopata. São pessoas que atrapalham o desenvolvimento da espécie como um tumor e deviam ser EXTIRPADAS como já diziam meus amigos nazistas.) Agora sem brincadeira, não é nazismo! Uma coisa é ser diferente: branco, negro, ter cabelo verde, ter um tique nervoso, ser daltônico, mais inteligente pra física, mais inteligente pra geografia, menos inteligente pra história... sei lá! Outra coisa é ser mau caráter. Já dizia a própria natureza quando os homens de Neandertal se extinguiram: você não presta, você não é capaz de ter e expressar uma linguagem, você não sobreviverá porque é um incapaz. Se uma pessoa só atrapalha as demais não deveria existir. Já é uma bosta existir por si só, ainda vem outro (que ainda por cima é um chupim) e te atrapalha? Ah, pra puta que o pariu com isso! Se um dia eu tiver um filho hiperativo eu frito em azeite de oliva com sal e ervas finas e dou pras boas criancinhas famintas comerem. Quero ver dizerem que isso é imoral ou antiético! As pessoas precisam revisar seu conceito de bom e de mau.

Ps: isso foi só um desabafo pra ver se eu paro de ter pesadelos com o Dino e extravaso um pouco, juro que falei brincando a maioria das coisas e não sou eugenista – só pra esclarecer.


Marcely contou às 2:42 PM
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Sexta-feira, Abril 24, 2009

Deus, me ajude.

Eu vou escrever porque agora não posso falar em voz alta.
Eu estou desesperada. Cansada de alguns dizerem que é da minha cabeça essa ansiedade, pra eu só "ficar calma". Claro que ter ansiedade e saber dela só piora a coisa, ficar com pavor dela é o que me tem acontecido... Pavor de ansiedade não combina, eu sei. Eu sei que devia manter calma, só pensar em dormir, mas um turbilhão afligindo meu peito não deixa... É exatamente isso, um turbilhão aflige meu peito. Como se algo estivesse prestes a explodir a qualquer momento. Se me abraçam tenho medo de explodir junto. Sou como um bicho do mar que precisa mexer os bracinhos livremente na água. A água está dentro de mim, transborda e me envolve. A água é essa ansiedade DE MERDA.
Eu não dormi ontem, dormi 2h no máximo, eu imagino. Eu fui ao médico, mas médicos costumam ajudar pouco, já perceberam? Eles devem achar que todos os pacientes são hipocondríacos, se vamos lá reclamando pouco, eles dão sempre um remédio que te cura pela metade. É uma bosta ficar doente nesse mundo =/
Eu lembro do Tyler do Clube da Luta... ele, sem conseguir dormir por meses, indo nos médicos e eles dizendo que "não é nada, não é nada". Até que ele chora e se alivia – e isso realmente, também me aconteceu, eu chorei e me aliviei um pouco esta tarde! Mas será que daqui a pouco estarei vendo o Brad Pitt por aí? Pelo menos isso pra compensar... (mentira, eu amo Eros e é o único que eu quero ver).
Mas a questão, é, Deus, me ajude. Me ajude a melhorar, já que ninguém pode. Eu sei que não acredito muito no senhor, mas de fato eu não tenho tantos motivos pra acreditar... ainda mais se eu continuar com essa bosta de ansiedade =(. Mas, deus, se for possível me ajudar, de alguma forma, que me dê paz, calma, tranqüilidade... eu agradeço, agradeço muito. É tudo o que quero. Eu estive tão doente nos últimos dias. Eu queria ficar boa de novo, pra trazer paz também pro Eros, pra trazer harmonia e alegria pra todo mundo. Só isso, sem dar trabalho, fazer algo por alguém, só pra variar, chega de receber. Quem sabe se eu melhorar eu não vou lá no colégio oferecer trabalho voluntário, dessa vez pessoalmente? Ou ainda ler pras crianças no hospital?
Mas assim, Deus, eu não sinto forças nem pra mim, quanto mais para os outros!! Me ajude, eu só quero trazer alegria pra quem eu amo, isso não pode ser pecado. Ele é meu marido, ele é lindo e boa pessoa. Por favor, deus, me ajude, ok? Não quero ter ansiedade também, não quero. Eu sei, ninguém quer... eu sei, não sou perfeita. Mas também não sou uma pessoa má, você sabe que eu faço o meu melhor. Prometo me esforçar pro meu melhor ser ainda melhor, ok? Mas me ajude, por favor.


Marcely contou às 2:41 AM
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Domingo, Abril 19, 2009

Conversas...

Eu: Droga de mosquitinhos que ficam na lâmpada, ficam pulando e pipocando, acabam morrendo... pra quê? que saco ¬¬
Eros: Quê?
Eu: Essas drogas de mosquitinhos que ficam pulando e batendo na luz!!
Eros: Índio?? Onde tem ÍNDIO aqui... num domingo...?
(sim, WTF? Se fosse segunda ia ser mais fácil achar um índio?? XDD)
Eu: *rindo alto*
Eros: Que foi, Marcely? Fala... onde tem índio pulando?
Eu: MOSQUITINHO, Eros, MOSQUITINHO pulando na luz, onde você ouviu Índio??

Update:Eros: ai, você tem que consertar sua fonética...
Eu: eu que tenho que consertar alguma coisa? nem que eu tivesse um tumor na língua pronunciaria mosquitinho igual a índio...

Fotos dos índios:



Marcely contou às 8:22 PM
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Terça-feira, Abril 14, 2009

Coisas que só acontecem comigo...

Acabou a luz aqui do prédio e eu estava sozinha em casa, sem NADA pra fazer. Já estava ficando puta com a demora para a luz voltar, fui comer e fiquei enrolando até que desisti e pensei "O que me resta fazer? Já sei, vou acender umas velas e ler!". Ok, pego a caixa de fósforos, a vela... Derrubo os fósforos no chão, cato um por um, vou riscar o fósforo e ele não pega, risco de novo até que ele quebra. Pego outro fósforo, risco e NO EXATO MOMENTO EM QUE ESTE ACENDE a luz volta... ¬¬

Update: postei esse texto aqui no aquarelas...


Marcely contou às 6:34 PM
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Terça-feira, Abril 07, 2009

Human Behaviour

Vai entender as pessoas, né? Cheias de particularidades e picuinhas, nem sempre é verdade que "to get involved in the exchange of human emotions is ever so satisfying". Muitas vezes é muito cansativo lidar com pessoas e não é raro, depois de você ter aprendido que não importam quais as particularidades de cada ser humano, todos, SEM EXCEÇÃO, são egoístas, você se sentir meio cansado de se relacionar com os outros.
Não é difícil as pessoas detestarem amor e carinho. Geralmente tem um que doa essas coisas e outro que só recebe. É por isso que pessoas românticas geralmente são desiludidas e só quebram a cara. E depois de muito tempo detestam ter que dar carinho sendo que o chupim que só recebe nunca muda de lugar e nem pra serem gratos um pouco... oras, chupim só recebe, gratidão é coisa de quem doa, né?
Cansei de ver pessoas que são traídas, largadas, pelo primeiro tropeço ou pela primeira atraçãozinha do chupim. Lógico. Você pode dar mundos e fundos e não levar nada em troca, mas se um dia você não for bonzinho com o chupim, isso resulta em quebra de contrato e ponto-final. Oras, e não é uma questão de lógica? Aqui cabe até um mapinha pra explicar!
Sendo assim, o ser humano não presta nem porque tem instintos, nem porque tem raciocínio. O ser humano é isso aí, com regras bastante desagradáveis para ambos os lados. Ser misógino também não serve, já viu alguém romântico sem ter pra quem doar? Ou um chupim sem ter de quem receber? Eles murcham, coitadinhos! E não adianta comprar um gatinho, um cachorro, mesmo eles podem te morder, pular, morrer, não entender. No fim, sempre será a situação de doador e recebedor, não adianta de que espécie você é.
E digamos que nem sempre existam pessoas doadoras e recebedoras, como se houvesse céu e inferno em formato de pessoas. As pessoas são os dois, muitas vezes. Se você encontra alguém pra doar, ela só receberá de você, se você recebe de alguém, provavelmente não sentirá muita vontade de doar. E nenhuma das duas posições é totalmente confortável, mas fazer o quê? Não se controlam sentimentos (ou falta de)...


Marcely contou às 12:46 PM
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Segunda-feira, Março 23, 2009

1, 2, 3, 4 Mal-estaaaar!

Estou passando mal há mais ou menos 20 dias. Durante vinte dias, acordei e fui dormir praticamente com a mesma zonzeira, o mesmo enjôo, o mesmo mal-estar generalizado, a mesma visão turva. Depois de tanto tempo você fica até pensando: "será que eu não vou ficar assim pra sempre?".
Será que eu não vou ficar assim pra sempre? Estou cansada de reclamar do mal-estar. Estou cansada de estar cansada, estou cansada de sentir vontade de vomitar, a cabeça tonta, a visão imprecisa. Estou cansada de procurar ajuda e não receber. De não ter ninguém pra me ajudar, nem nada. Estou cansada de tentar buscar ajuda e saída pra depressão e só piorar o quadro. Estou cansada de arrastar os outros pro meu buraco, estou cansada de nunca melhorar. Estou cansada de tentar sobreviver num estado tão horrível, sem ajuda médica. Estou cansada de ser para os médicos só mais um doente. De não ser nada demais, no entanto já não estar suportando mais. Cansada a ponto de cortar os pulsos, cansada a ponto de fazer asneiras porque pensar... pensar já está longe de mim, raciocínio não funciona com tanto sentir por trás. É tão fácil dizer: tome isso, tome aquilo, faça isso, sobreviva, seja forte. Quando não é você que está passando por isso. Não dá pra ler, não dá pra escrever direito, não dá pra fazer as unhas, não dá pra andar, não dá pra comer, não dá pra nada, sem uma sensação horrível por trás, com desleixo porque... porque você não está imerso de verdade na atividade. Você é uma névoa, uma nuvem de mal-estar, tentando abranger algo, mas sendo só nuvem. E o desespero de saber que não tem remédio ou médico que possa me ajudar? E o sol irrita, dormir irrita, tudo irrita, tudo dá náusea. Eu quero morrer, acabar com isso de vez, de vez, parece ser a única forma.


Marcely contou às 12:27 PM
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Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto, de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.


Fernando Pessoa como Álvaro de Campos