Um chapéu caiu de sua cabeça e rolou pela rua. O dono, um fatalista, olhou meio desolado o chapéu rolar, rolar, e não conseguiu apressar mais que poucos segundos os passos, deixou-se estar e olhou entre magoado e compreensivo o chapéu rolando até o fim da rua. Era uma cena ridícula perder o chapéu, mas, depois, era uma bela cena a da força do vento.
Fim.
segunda-feira, 29 de maio de 2006
terça-feira, 16 de maio de 2006
O post do dia das mães que eu não postei
Ela é quem cuidou de você, te deu carinho, cama, roupa, mesa e banho. Ela que faz seu dia ser mais lindo. Se Bush tivesse mãe, ele não seria daquele jeito. Se deus tivesse mãe... É... MÃE! Palavra de três letras que significa tanto! Nós esperamos que seu dia seja iluminado, com muita paz, amor, saúde e carinho. Que o céu fique mais azul de dia e mais estrelado à noite. Que as pessoas saltitem em vez de andar. Que elas riam o tempo todo, sem falta de ar, dor na bexiga ou cãibra no rosto. Que ninguém morra. Que não haja rebeliões. Que haja amor e não haja guerra. O dia das mães é todos os dias! E é por isso que você, mãe, é especial. E é por isso que nós...
Coxinha da asa 1,99 o quilo! Bandeja de ovo São Tomé apenas 1,79! Toalha de rosto Teka 3,50!
Porque aqui todo dia também é mais barato.
Se eu fosse publicitária, as propagandas seriam assim
– Tamos aqui pra te dizer, mano Zé Caroço, que tu foi muito importante pra nóis. Todo mundo te conhecia. Tu ficou famoso no mundo do tráfico. Era até conhecido dos ator da globo. Por isso mesmo é que tu acabou baleado. Mas eu tenho aqui o recado dos mano no nextel.
– Dentinho do Morro do Piolho:
Descanse em paz!
– Mano Catarro, da penitenciária de Guarulhos:
É nóis no céu, ladrão!
– Barriga do Morro do Ratão Molhado:
Vai com deus!
– Mano Tiaguinho, Bangu I:
Falô!
– Mano Doritos, Bangu III:
Deus te guarde!
– Agora uma salva de tiros pro nosso querido Zé Caroço...
Coxinha da asa 1,99 o quilo! Bandeja de ovo São Tomé apenas 1,79! Toalha de rosto Teka 3,50!
Porque aqui todo dia também é mais barato.
Se eu fosse publicitária, as propagandas seriam assim
– Tamos aqui pra te dizer, mano Zé Caroço, que tu foi muito importante pra nóis. Todo mundo te conhecia. Tu ficou famoso no mundo do tráfico. Era até conhecido dos ator da globo. Por isso mesmo é que tu acabou baleado. Mas eu tenho aqui o recado dos mano no nextel.
– Dentinho do Morro do Piolho:
Descanse em paz!
– Mano Catarro, da penitenciária de Guarulhos:
É nóis no céu, ladrão!
– Barriga do Morro do Ratão Molhado:
Vai com deus!
– Mano Tiaguinho, Bangu I:
Falô!
– Mano Doritos, Bangu III:
Deus te guarde!
– Agora uma salva de tiros pro nosso querido Zé Caroço...
sábado, 13 de maio de 2006
Minha velha infância
Velhas questões clichês que nunca morrem:
Mesmo tudo sendo insignificante eu continuo me preocupando. Por que eu não me mato e mando pro inferno os que se importam? Afinal eles, a dor deles, também irão morrer.
Por que em vez de estudar eu não escrevo, se estudo para escrever?
Por que eu não deito, durmo e me jogo de um penhasco pendurada por um fio de nylon só por diversão? Se é fato que eu vou morrer, e eu odiaria morrer em um dia de semana às 18h, um dia antes de receber meu salário - ha ha ha.
Ontem, deitada, eu pensava na minha infância, de como eu não entendia palavras que eu categorizava como adultas: currículo, salário, conta corrente, Ministério da Fazenda, vereador... E pensava que nunca iria aprender, afinal eu não fazia parte daquela magia que os adultos pareciam usar que era a de nascer sabendo e nunca perguntar. Pelo menos parecia impossível que eu um dia iria perguntar o que era érreagá, porque a palavra parecia ter um sentido em si mesma, o de proporcionar aquela seriedade de ruga na testa. Às vezes eu pensava que tudo não passava de uma brincadeira, de uma mentirinha em grande escala, que todos compartilhavam... e eu acho que eu ainda penso assim. Será que a gente não está fazendo isso porque fomos ensinados a virar adultos e adulto significa isso? Será que não somos responsáveis porque a responsabilidade é um ritual milenar, apenas?
Por isso que eu sou a favor do abuso sexual, da prostituição, do espancamento e do trabalho infantil. Assim a gente ensina bem mais prática e rapidamente a elas o que é ser adulto! E elas não se questionariam nem pensariam em hipóteses de brincadeiras.
Mesmo tudo sendo insignificante eu continuo me preocupando. Por que eu não me mato e mando pro inferno os que se importam? Afinal eles, a dor deles, também irão morrer.
Por que em vez de estudar eu não escrevo, se estudo para escrever?
Por que eu não deito, durmo e me jogo de um penhasco pendurada por um fio de nylon só por diversão? Se é fato que eu vou morrer, e eu odiaria morrer em um dia de semana às 18h, um dia antes de receber meu salário - ha ha ha.
Ontem, deitada, eu pensava na minha infância, de como eu não entendia palavras que eu categorizava como adultas: currículo, salário, conta corrente, Ministério da Fazenda, vereador... E pensava que nunca iria aprender, afinal eu não fazia parte daquela magia que os adultos pareciam usar que era a de nascer sabendo e nunca perguntar. Pelo menos parecia impossível que eu um dia iria perguntar o que era érreagá, porque a palavra parecia ter um sentido em si mesma, o de proporcionar aquela seriedade de ruga na testa. Às vezes eu pensava que tudo não passava de uma brincadeira, de uma mentirinha em grande escala, que todos compartilhavam... e eu acho que eu ainda penso assim. Será que a gente não está fazendo isso porque fomos ensinados a virar adultos e adulto significa isso? Será que não somos responsáveis porque a responsabilidade é um ritual milenar, apenas?
Por isso que eu sou a favor do abuso sexual, da prostituição, do espancamento e do trabalho infantil. Assim a gente ensina bem mais prática e rapidamente a elas o que é ser adulto! E elas não se questionariam nem pensariam em hipóteses de brincadeiras.
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