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Filosofia Crônica
Domingo, Fevereiro 05, 2006
Marina
Eu não sei me expressar, talvez. Estou ficando insatisfeita com qualquer palavra ou frase. Me incomoda as interpretações. Me incomoda a tranbordância de sentido em tudo. Me incomoda as facções e minha dúvida entre elas por serem definidas demais, estáveis demais. E ao mesmo tempo não queria estar tão solta, sem um rótulo vão me deixar na prateleira. Me incomoda não ser estúpida e ao mesmo tempo ser alvo de pessoas estúpidas. Me incomoda não haver imparcialidade. Me incomodaria se existisse imparcialidade. Me incomoda. Talvez haja uma matemática universal, que nos permita prever, que nos dê a sensação do dejà vu. Talvez essa matemática caótica, que eu que não sei sequer a taboada inteira não consigo interpretar, mas desconfio... essa matemática talvez diga que quanto mais fujamos mais somos perseguidos, que quanto mais perto do sim, mais próximos estamos do não. Que quanto mais sóbrios mais loucos. Que quanto maior o silêncio mais soam as palavras e os gritos. Quanto mais acompanhados estamos sozinhos. Quando sozinhos estamos por demais acompanhados. Assim como os sinais opostos se subtraem. Eu é quem me incomoda. Eu que por um ano inteiro me soprei aos ouvidos até perder meu próprio rumo e me fez culpar os outros - ah, nós não podemos ser culpados de nossa desgraça, então para onde fugiríamos? Vejo uma cena em que tapasse meus ouvidos de mim mesma e ainda assim não pudesse me calar, e em desespero cairia de um abismo. Então ponho a música para fazê-la dançar e cantar. Vezes e vezes repetidas, eu também enlouqueço. Talvez não seja nada disso. Desconfio que sim, ao mesmo tempo que não. Sempre mais do mesmo, não? Até meu sempre se contradiz. Pensando na música que toca agora de Fiona Apple somada ao relativo. Será mesmo que nenhuma percepção é igual? E talvez por isso as coisas são tão multicolores. Mas vejam, não defenda a cor como única, aquela que está ali independente de nós. Isso pode muito bem não existir pois veja, até a dor mais lacinante é uma ilusão, é uma percepção de nosso cérebro e não da própria ferida. Para que você não queime sem perceber, não é assim? Assim também a beleza não está lá, nós a percebemos. E a tristeza é só o que eu imagino ser triste. E, veja que louca matemática!, muitos virão a se reconhecer por aqui. Mesmo quando a percepção pudesse ser única, "a sua vida só você vive". Eles não concordarão em tudo, não, não em tudo. Eles não ficarão tristes com a mesma coisa. Sabe o que nosso deus-mar fez? Está vendo ali na frente a areia onde iremos derreter? ele pegou cada grãozinho dessa areia, digamos, milhões de grãos, entre eles cada dez são iguais. Ele jogou sobre nós, ondas, tudo isso foi parar lá no fundo, embaralhado e quando passamos, nós ondas, refletimos esses grãos formando uma combinação única. Todos ondas ainda assim. Mas e aquele menino tão novinho que se jogou da janela por causa da namorada? Ou o embrião que foi abortado? Eles desperdiçaram uma combinação única? Deixaram o mundo na dúvida de como seria esse ser em especial? Como um livro sem final? E a garotinha, que ser aquele que não era nosso deus-mar, (o que já não era também a areia) que nos levou em seu baldinho? E o que há depois da areia? O que são as pazinhas e as fôrmas de conchas e os peixes? E as rochas? Interessa saber de tudo isso? Se ainda assim o sol vai se pôr e nos dourar para enfeitar os olhos dos namorados... e tudo não precisava de explicação para acontecer.
(E para esbagaçar a poesia: e o xixi? Tem gente fornincando em nossas águas e coisas piores boiando. Talvez esses novos elementos tenham sido os gênios, seres tão destacados entre nós ^^) Ps: sempre quando escrevo formam-se mil caminhos por onde posso conduzir o texto, por isso minha autocrítica. Talvez um caminho fizesse a metáfora mais consistente, outro ainda mais poética, outro ainda mais interessante. Porém meu id quis assim. Ou talvez se eu fosse o Goro do Mortal Kombat e pudesse digitar em dois editores de texto ao mesmo tempo sairiam coisas divergentes e legais, do mesmo assunto. Ah, isso é enxergar colorido (como se ver sob todas as percepções fosse ver de fato a matéria). Ps2: por favor, preciso de contribuições. Passem-me o nome das músicas que vocês mais acham triste, quero analizar a percepção de vocês e ter algo pra ouvir enquanto corto os papéis do meu kusudama.
Marcely contou às 1:33 AM
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Porque eu nunca estou no alto quando quero voar
As pessoas se preocupam. Têm milhares delas. Todas elas achando que são importantes. Todas elas com alguém incentivando-as a pensarem assim. Porque outros a incentivaram a pensar assim ela passou isso adiante. Ah, a cooperação humana! E deu nisso: milhões de pessoas andando pelas ruas. E todos defecam, mijam, falam sozinhas, e sei lá quantas coisas idiotas elas fazem sozinhas. E continuam se sentindo importantes. E se acham inteligentes. Por que eu acho que justamente esses são os idiotas? Por não verem [como eu, AH!] que também cagam, também contribuem, também tiram meleca do nariz e grudam sei lá onde... Mas, ó, eu tenho isso, eu sou foda. Foda. Foda! Quem é foda? Um ser com pele, crânio, olhos, nariz, boca, dedos, pés... e um bom gosto? Quais, dite-me, também quero ser assim, e ele também, e ele também, e ele também, e ele também.... Todos fodas. Todos lavam a mão de vez em quando. Dão uma balançadinha, ou passam o papel de trás pra frente. Ó, eu sou foda, eu passo da frente pra trás. Vou te impressionar e controlar com minha retórica. E morrer depois. Morrer com opiniões. Enterrado por um idiota, naturalmente. Eu tenho uma comunidade do orkut que diz "Niilista", digamos. Ó, eu grande admirador do nada sou tudo. Minha boca seca, meus ouvidos criam cera. Meu cabelo, ó, tá lindo. No rigor da moda adolescente. Se eu colocar um óculos de aros grossos minha inteligência, também no rigor da moda, ficará evidente. Mas criticando isso eu já deixo em meu favor um grande estandarte. Eu choro, eu grito no meio da rua, em meio aos cachorros e pombos e o cimento e as outras pessoas e os bares gastos. E me violento, e sou violentada, e violento e vivo e regida por uma opinião. A mais valiosa. Se eu gritasse agora... por que não grito agora? E saísse, andando, no meio da noite, sem bagagem, apenas andando, e andando até que algo acabe. Mas casarei, terei filhos. Esses filhos terão as valiosas opiniões deles. E isso, na minha opinião, na minha humilde opinião, na minha melhor OPINIÃO.... é tudo uma grande perda de tempo. Com ilusões. Queria estar na rua viciada. Ninguém nunca soube de nada. Mas não posso dizer isso. Só quando tudo acabar, vai ser. Nunca serão as palavras. Só o delírio parece real. E eu me violento mais uma vez: continuarei sóbria, sufocando a gritante decepção pelo mundo com um sarcasmo frouxo. ISSO é que é estupidez. E é nesse momento que eu odeio as pessoas que amo.
Marcely contou às 1:29 AM
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