Está entre o top 10 de coisas que mais detesto: falsa modéstia. Provavelmente fique na frente até de estupradores e políticos corruptos, acredite, mas está exatamente ao lado de gente lugar-comum. Porra, odeio lugar-comum também.
Lugar-comum do dia: seres humanos que usam a frase "seres humanos não prestam". Pense comigo: quando você diz "seres humanos não prestam" ao mesmo tempo que você se inclui, você se exclui porque "ao contrário dos outros seres humanos" você reconhece suas fraquezas e por isso tenta modificá-las. Ou seja, quando você diz "os seres humanos não prestam", você está dando uma de bom mocinho porque está fazendo uma autocrítica, mas a autocrítica é totalmente falsa, pois quando diz isso provavelmente quer dizer "os outros seres humanos, não eu, sou autoconsciente e me mantenho longe dessa crueldade", o que caracteriza falsa modéstia em alto grau.
Agora, outra frase incluindo humanidade não presta é a nova onda: "salve os outros animais e matemos todos nós". Acredite, se você foi estuprado na infância, sua mãe te deu cebion pra chupar durante o caminho a pé pra escola (minha mãe fez isso comigo), se seus namorados te traem, suas amigas são falsas, suas hemorróidas doem e a árvore na frente da sua casa foi podada, isso não faz de TODA A HUMANIDADE uma espécie maldita que deve ser extinta. Acredite, e se você usar essa frase se achando a última bolachinha do pacote reciclável você realmente pode ser extinto sem perda pro resto da humanidade, pois já ouvi isso de no mínimo 10000 pessoas se achando sabichonas também.
Sim, sim, existe guerra, existe violência, mas cá entre nós, achar que MATAR a humanidade é a chave do negócio não está muito longe do mesmo tipo de mentalidade, está? Reflita durante 10 minutos (afinal, você não critica o ser humano justamente por ele ser racional? Então raciocine um pouco, só um pouco...).
Pra mim, esse tipo de vibe: "ai, como nós somos ruins, como os golfinhos são doces e lindos, veja, quem me dera ser um golfinho..." é totalmente imbecil. E antes que você me ache má, ache que eu não reciclo e que eu peido litros de CO2 pra natureza, saiba que eu mijei sangue graças ao magnífico copinho de menstruação, achando que ia evitar de jogar quilos de lixo na natureza, no fim joguei cartelas mais cartelas de remédios para dor e infecção urinária no sacão de "lixo que não é lixo". Eu me esforço pra cuidar da natureza, mas me esforço também pra não ser uma iludida desavisada. Se você recicla, se você evita liberar CO2, parabéns, você NÃO FAZ MAIS DO QUE SUA OBRIGAÇÃO, isso não te faz melhor que os outros. Nem venha com essa de "sou humano, eu sou pior, me sinto tão culpado", faça análise e vai ler autoajuda antes de vir com esse papo se achando inteligente por isso.
E não ache que está sendo um mártir, ou alguém muito inteligente ao considerar que a humanidade é pior do que as outras espécies de animais. Se informe um pouco, veja geographic channel, assista seu gato brincando com um rato morto-vivo pra ver que crueldade não é exclusiva de seres humanos. Nem guerra, tem uma espécie de formigas que guerreiam, sabia? Se contente em saber que os seres humanos SÃO TÃO RELEVANTES E BONS OU RUINS quanto as outras espécies de animais. Desligue a novela, largue um pouco o maniqueísmo, não existe mocinhos e bandidos. E não me venha dizer que "seres humanos são racionais, não deviam...", isso é dizer que você é superior aos outros animais, não o contrário. Será que os outros animais não pensam também? Quem disse pra você que só os seres humanos têm consciência? Outro ser humano? Além do mais, consciência, moral, ética se constrói, nem todo mundo foi educado como você e psicopatas existem, o fato de uns serem "ruins" outros serem "bons" acontece porque ninguém é igual a ninguém, se você quer que todo mundo pense como você, vai ser um bom tirano em outro lugar.
Além do mais, essa é mais complicada: demônios também têm superpoderes. Só existe uma coisa pior do que ser o diabo: ser irrelevante. Você acha que essa sua síndrome de inferioridade é muito bonita, MAS NÃO É. Você só quer se salvar de ser o que você realmente é: nada demais. Você não é o pior ser do mundo, nem o melhor, acostume-se com isso.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Sobre a censura, sobre a moral e sobre o humor
Eu nunca assisti o tal do CQC – sim, eu juro, eu cheguei a ver um vídeo no youtube, mas não me interessou nem me fez rir, apesar de todos os elogios que ouço sobre o programa. Sabe aquelas matérias interessantes do Fantástico que você se diz: "peraí, isso aí é de um post do blog tal!"? Pois é, é o mesmo que pensei do CQC. Portanto, desliguem a tv e vão ler computador.
Agora, se CQC é bom ou ruim, não vem ao caso, nem vou argumentar, acho inútil argumentar sobre gosto, gosto se confunde muito com dogma e fé e vai entender estética – juro que queria entender a filosofia por trás da estética, mas Eros não me esclareceu o tanto quanto eu gostaria (talvez eu devesse desligar o Eros e ir ler um livro...). Mas o post não será sobre isso.
Estava vendo um post do twitter da Rubia quando descobri que o CQC está procurando um novo integrante. Aí logo surgiu na minha cabeça um comentário do tipo: "por que eles não contratam uma gostosa tipo Sabrina Sato ou Mulher Samambaia como 8o integrante? ". Daí fiquei pensando o quão degradante é um humor (ou qualquer programa) que usa gostosas pra reunir pontos de ibope, disso passei pra seguinte questão: "Toda censura é burra? No humor vale tudo?", só pelo caso de se pensar se seria moral ou não boicotar ou criticar esse tipo de atitude dos programas (e agora vocês sabem porque casei com um filósofo).
Antes de pular para a resposta, toda essa reflexão foi de segundos, sobre apenas um post de twitter, enquanto eu lavava pratos e colocava fita crepe nos cantos da parede, ou seja, eu costumo devanear filosoficamente sobre tudo e qualquer coisa, quem conhece meu blog pessoal, sabe disso. Quem conhece eu da comunidade de cabelos coloridos deve achar que estou pensando assim por causa do Eros e – sim, isso é uma justificativa, porque meus pensamentos tem copyrights só meus (apesar do interacionismo/behaviorismo ou qualquer outra coisa que você possa levar em conta nessa afirmação). E eu escolhi o Eros já por ser filósofo, não por ter cabelos macios e cacheados.
Mas voltando para a questão e todo o resto, eu lembrei de um texto (agora não me lembro qual) que falava do absurdo de qualquer censura, ainda mais se tratando de livros (como no caso dos livros adotados para as crianças que tinham – ohmeudeusdocéu! – palavreados e sexo (os livros tinham, não as crianças, você me entendeu)). E eu sempre ou quase sempre apoiei essa ideia: censura é algo extremamente idiota.
Mas, seja como for, ser totalitário nessa ideia é bastante complicado. Pense comigo: censura é algo idiota. Então eu devo aceitar que livros/novelas/filmes de teor altamente erótico sejam passados livremente pra crianças de 0 ano de idade a idosos de 100. Até aí, por mim, completamente ok. Mas se formos mais longe um pouco, censurar alguém por uma atitude imoral, seria besta. Ou censura tem dois sentidos nesse caso? Então, digamos, um cara mata um poodle toy de pancadas por diversão (fato verídico), seria idiota censurar isso? Pois é, pra mim censura não tem dois sentidos aí, tudo se trata de um mesmo sentido de censura: proibir. O problema é dividir o que é moral, do que é imoral. Portanto a questão é que a frase "qualquer tipo de censura é idiota" não é algo que eu aceite. Mas, por outro lado, talvez haja dois sentidos no censura sim, digamos: censurar atos é diferente de censurar ideias. Mas atos estão intrinsecamente ligados a ideias, ou não? Talvez não... eu posso escrever sobre sexo com crianças (ideia) ou posso filmar um filme pornográfico com crianças sendo bolinadas pela Xuxa (ação). Aí é que está, então reformulo a frase: "Censurar IDEIAS é idiota". Ou ideias podem partir pra ação? Ou ideias podem ferir? Entendem? É muito complicado! No meu caso, ideias não passam de ideias MESMO. E sim, milhares de mulheres podem achar muito excitante fantasiar que estão sendo estupradas (ideia), mas não gostariam NADA de ser realmente estupradas (ação), acredite.
Ou seja "Qualquer tipo de censura não é idiota, apenas as censuras que punem ideias". Porque não, ideias não ferem se não saem da sua cabeça. Sempre tem um imbecil que joga Doom e sai matando por aí, mas censurar Doom? Censurar o ato, não a ideia, a ideia em muitas cabeças não gera ação ("geração"), talvez na maioria.
Mas dentro disso, existe outro problema: as ideias que incitam os atos (a apologia), certo? Se eu falo: toda pessoa devia dar os peitos pra um gurizinho acariciar, porque é delicioso, isso é apologia. E a apologia deve ou não ser censurada? Aí conceituar o que é ou não é apologia seria dificultoso (é, de fato é).
O problema é que regras devem incluir todos, e sempre tem um merda que fode tudo. Democracia é um saco de conciliar com diversidade, concorda? A regra número 1 deveria ser apenas: "Não faça para o próximo o que não gostaria que fosse feito com você mesmo, ou melhor, o que esta pessoa não gosta que seja feito com ela (afinal você pode ser masoquista, isso não quer dizer que a outra pessoa também seja)". Isso simplifica um mooonte de leis – e também complica – afinal gostar é algo tão complexo, que nem quem entende de estética sabe explicar e... é, não existe moral que controle o mundo todo.
Agora, o rumo do meu post tomou todo outro, porque eu queria falar também de humor (mas bom, humor é ideia, e dificilmente apologia). Digamos que eu faça piada sobre crimes sexuais com crianças (estou usando o mesmo tema pra facilitar a comparação e porque é um tabu fácil de causar ódio, exceto para os padres católicos /sandy). Eu acho que falar brincando é MUITO menos perigoso ainda do que falar a sério, porque ninguém (normal) é influenciado por algo que está sendo ridicularizado ou patetizado (função do humor). Mas eis que depende muito do caso também. Ache absurdo ou não, eu acho MUITO mais aceitável fazer piada sobre crianças mancas, cegas, violentadas, esfomeadas, do que fazer piada em cima de uma gostosa. Porque o humor negro mexe com sua moral, mas não a tira do lugar, você pode muito bem rir da desgraça sua e alheia (geralmente pra amenizar o impacto e tornar a vida um pouco menos intragável, como é o meu caso), mas não compactuar com a existência dela. Porém dificilmente algo que é moralmente válido na nossa sociedade por caduquice – como é o caso da exploração da imagem das mulheres como mero objeto sexual –, vai ser refutado pelo humor, pelo contrário, vai ser só sedimentado. Algo que a moral já recusou (como o abuso sexual em crianças), não vai ser ressuscitado por uma brincadeira, mas algo que você nem sabe que é idiota, vai ser só vivificado enquanto você se masturba olhando a mulher samambaia (vai ver porque aí nem se está brincando com o fato, está sendo levado a sério e sustentando essa situação).
Vai ver que aí entra a diferença entre ficção e real, ideia e ato. Você brinca, você está no campo das ideias, da ficção, você fala a sério, é real, é próximo do ato. Mas nem tudo é apologia só porque é sério, pode ser crítica, por meio da ironia. E mais uma vez eu considero a brincadeira e a ironia saudáveis e não problemáticos. Mesmo (ou ainda mais, se quer saber!) o humor negro. O humor negro é uma pancada na sua cabeça que faz você questionar um valor tido como certo e inquestionável. Todo preconceito vem da falta de questionamento, pensa bem! Se você se questiona, você conhece o motivo do seu ódio ou paixão por determinado assunto. E quando você reconhece por meio mesmo do humor negro que comer criancinhas não é algo correto, você só reafirma sua posição e a reconhece, não a muda. Mesmo se seu humor é do tipo preconceituoso – sobre judeus ou negros, por exemplo. Sim, mesmo nesse caso cujo apoio ainda não foi extinguido por completo e ainda não é tabu, existe uma leve diferença, se seu humor é inteligente ou se é burro, se você está falando pra alguém inteligente ou pra alguém burro. Falar que negro é inferior de forma irônica, demonstrando que esse pensamento é ridículo, é MUITO BOM, falar isso de uma forma que sustente, não é. Mas depende, nem todo mundo entende a ironia, portanto... use com moderação.
Agora, se CQC é bom ou ruim, não vem ao caso, nem vou argumentar, acho inútil argumentar sobre gosto, gosto se confunde muito com dogma e fé e vai entender estética – juro que queria entender a filosofia por trás da estética, mas Eros não me esclareceu o tanto quanto eu gostaria (talvez eu devesse desligar o Eros e ir ler um livro...). Mas o post não será sobre isso.
Estava vendo um post do twitter da Rubia quando descobri que o CQC está procurando um novo integrante. Aí logo surgiu na minha cabeça um comentário do tipo: "por que eles não contratam uma gostosa tipo Sabrina Sato ou Mulher Samambaia como 8o integrante? ". Daí fiquei pensando o quão degradante é um humor (ou qualquer programa) que usa gostosas pra reunir pontos de ibope, disso passei pra seguinte questão: "Toda censura é burra? No humor vale tudo?", só pelo caso de se pensar se seria moral ou não boicotar ou criticar esse tipo de atitude dos programas (e agora vocês sabem porque casei com um filósofo).
Antes de pular para a resposta, toda essa reflexão foi de segundos, sobre apenas um post de twitter, enquanto eu lavava pratos e colocava fita crepe nos cantos da parede, ou seja, eu costumo devanear filosoficamente sobre tudo e qualquer coisa, quem conhece meu blog pessoal, sabe disso. Quem conhece eu da comunidade de cabelos coloridos deve achar que estou pensando assim por causa do Eros e – sim, isso é uma justificativa, porque meus pensamentos tem copyrights só meus (apesar do interacionismo/behaviorismo ou qualquer outra coisa que você possa levar em conta nessa afirmação). E eu escolhi o Eros já por ser filósofo, não por ter cabelos macios e cacheados.
Mas voltando para a questão e todo o resto, eu lembrei de um texto (agora não me lembro qual) que falava do absurdo de qualquer censura, ainda mais se tratando de livros (como no caso dos livros adotados para as crianças que tinham – ohmeudeusdocéu! – palavreados e sexo (os livros tinham, não as crianças, você me entendeu)). E eu sempre ou quase sempre apoiei essa ideia: censura é algo extremamente idiota.
Mas, seja como for, ser totalitário nessa ideia é bastante complicado. Pense comigo: censura é algo idiota. Então eu devo aceitar que livros/novelas/filmes de teor altamente erótico sejam passados livremente pra crianças de 0 ano de idade a idosos de 100. Até aí, por mim, completamente ok. Mas se formos mais longe um pouco, censurar alguém por uma atitude imoral, seria besta. Ou censura tem dois sentidos nesse caso? Então, digamos, um cara mata um poodle toy de pancadas por diversão (fato verídico), seria idiota censurar isso? Pois é, pra mim censura não tem dois sentidos aí, tudo se trata de um mesmo sentido de censura: proibir. O problema é dividir o que é moral, do que é imoral. Portanto a questão é que a frase "qualquer tipo de censura é idiota" não é algo que eu aceite. Mas, por outro lado, talvez haja dois sentidos no censura sim, digamos: censurar atos é diferente de censurar ideias. Mas atos estão intrinsecamente ligados a ideias, ou não? Talvez não... eu posso escrever sobre sexo com crianças (ideia) ou posso filmar um filme pornográfico com crianças sendo bolinadas pela Xuxa (ação). Aí é que está, então reformulo a frase: "Censurar IDEIAS é idiota". Ou ideias podem partir pra ação? Ou ideias podem ferir? Entendem? É muito complicado! No meu caso, ideias não passam de ideias MESMO. E sim, milhares de mulheres podem achar muito excitante fantasiar que estão sendo estupradas (ideia), mas não gostariam NADA de ser realmente estupradas (ação), acredite.
Ou seja "Qualquer tipo de censura não é idiota, apenas as censuras que punem ideias". Porque não, ideias não ferem se não saem da sua cabeça. Sempre tem um imbecil que joga Doom e sai matando por aí, mas censurar Doom? Censurar o ato, não a ideia, a ideia em muitas cabeças não gera ação ("geração"), talvez na maioria.
Mas dentro disso, existe outro problema: as ideias que incitam os atos (a apologia), certo? Se eu falo: toda pessoa devia dar os peitos pra um gurizinho acariciar, porque é delicioso, isso é apologia. E a apologia deve ou não ser censurada? Aí conceituar o que é ou não é apologia seria dificultoso (é, de fato é).
O problema é que regras devem incluir todos, e sempre tem um merda que fode tudo. Democracia é um saco de conciliar com diversidade, concorda? A regra número 1 deveria ser apenas: "Não faça para o próximo o que não gostaria que fosse feito com você mesmo, ou melhor, o que esta pessoa não gosta que seja feito com ela (afinal você pode ser masoquista, isso não quer dizer que a outra pessoa também seja)". Isso simplifica um mooonte de leis – e também complica – afinal gostar é algo tão complexo, que nem quem entende de estética sabe explicar e... é, não existe moral que controle o mundo todo.
Agora, o rumo do meu post tomou todo outro, porque eu queria falar também de humor (mas bom, humor é ideia, e dificilmente apologia). Digamos que eu faça piada sobre crimes sexuais com crianças (estou usando o mesmo tema pra facilitar a comparação e porque é um tabu fácil de causar ódio, exceto para os padres católicos /sandy). Eu acho que falar brincando é MUITO menos perigoso ainda do que falar a sério, porque ninguém (normal) é influenciado por algo que está sendo ridicularizado ou patetizado (função do humor). Mas eis que depende muito do caso também. Ache absurdo ou não, eu acho MUITO mais aceitável fazer piada sobre crianças mancas, cegas, violentadas, esfomeadas, do que fazer piada em cima de uma gostosa. Porque o humor negro mexe com sua moral, mas não a tira do lugar, você pode muito bem rir da desgraça sua e alheia (geralmente pra amenizar o impacto e tornar a vida um pouco menos intragável, como é o meu caso), mas não compactuar com a existência dela. Porém dificilmente algo que é moralmente válido na nossa sociedade por caduquice – como é o caso da exploração da imagem das mulheres como mero objeto sexual –, vai ser refutado pelo humor, pelo contrário, vai ser só sedimentado. Algo que a moral já recusou (como o abuso sexual em crianças), não vai ser ressuscitado por uma brincadeira, mas algo que você nem sabe que é idiota, vai ser só vivificado enquanto você se masturba olhando a mulher samambaia (vai ver porque aí nem se está brincando com o fato, está sendo levado a sério e sustentando essa situação).
Vai ver que aí entra a diferença entre ficção e real, ideia e ato. Você brinca, você está no campo das ideias, da ficção, você fala a sério, é real, é próximo do ato. Mas nem tudo é apologia só porque é sério, pode ser crítica, por meio da ironia. E mais uma vez eu considero a brincadeira e a ironia saudáveis e não problemáticos. Mesmo (ou ainda mais, se quer saber!) o humor negro. O humor negro é uma pancada na sua cabeça que faz você questionar um valor tido como certo e inquestionável. Todo preconceito vem da falta de questionamento, pensa bem! Se você se questiona, você conhece o motivo do seu ódio ou paixão por determinado assunto. E quando você reconhece por meio mesmo do humor negro que comer criancinhas não é algo correto, você só reafirma sua posição e a reconhece, não a muda. Mesmo se seu humor é do tipo preconceituoso – sobre judeus ou negros, por exemplo. Sim, mesmo nesse caso cujo apoio ainda não foi extinguido por completo e ainda não é tabu, existe uma leve diferença, se seu humor é inteligente ou se é burro, se você está falando pra alguém inteligente ou pra alguém burro. Falar que negro é inferior de forma irônica, demonstrando que esse pensamento é ridículo, é MUITO BOM, falar isso de uma forma que sustente, não é. Mas depende, nem todo mundo entende a ironia, portanto... use com moderação.
domingo, 16 de agosto de 2009
Um (não tão) feliz dia dos pais atrasado
Dia dos pais passou faz pouco tempo e eu esqueci de escrever sobre essa figura tão mítica da nossa sociedade: o pai.
Antes de mais nada, quando a gente fala de comportamento social é preciso lembrar que a gente generaliza um certo estereótipo, não quero dizer aqui que não existam pais excelentes, apenas que eu não conheço nenhum e os que eu conheço seguem bastante um padrão de comportamento. O mesmo se aplica aos homens em geral, exceto que eu conheço muitos que possuem um caráter,
Bom, voltando aos pais. Às vezes acho absurdo comemorar um dia dos pais. Esse personagem que pelo menos das pessoas da minha geração, os que conheço, não merecem ser chamados de pai, não mesmo. Existem aquelas exceções que amam seus filhos, que cuidam dos filhos enquanto a mulher trai e vai pra... sei lá, pro Amapá, mas como eu disse, são exceções.
Na verdade, a maioria dos pais tem no máximo uma relação de provedor dos filhos, quase como um patrão, digamos, ele tem essa obrigação de alimentar os filhos. Fim, acaba por aí a linda relação entre pais e filhos. E isso é sendo otimista e dizendo que o pai vai prover e alimentar seus filhos, a maioria nem isso. E o pior é que isso se repete, se trepete e ninguém se comove a ponto de dizer que é um absurdo, já se tornou rotineiro, algo comum da classe pai. Agora, uma mulher partir e deixar seus filhos pra trás... ah, aí sim causa pânico, aí sim é um absurdo, mas o contrário acontece nas melhores famílias, diariamente e as pessoas nem sequer notam mais.
Esse tipo de atitude paterna vem de toda uma cultura, senão não seria tão comum acontecer, certo?
Há na nossa cultura, depois dos românticos do século retrasado, é claro, uma obrigação dos homens não amarem. Algo como: amor é coisa de mulher. É, e não é novidade, quem não viu aí as famosas e engraçadíssimas (ha ha ha) camisetas em que o coração do homem se localiza no pinto e o da mulher... hum, no seu lugar certo? Ou o famoso livro "Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor", algo assim. Essa é a mensagem mais clara, mais descarada de toda uma mentalidade escrota (talvez, literalmente escrota) envolvendo o universo masculino: a de que o homem não ama.
E o que todas essas estampas promovem é a ideia de que... hum, homens sempre foram assim! Desconsiderando toda uma história em que nossa cultura já foi diferente, em que as mulheres sim eram falsas e faziam sexo e os homens procuravam um amor sincero. Ou que há a possibilidade de que em outras culturas ao redor do mundo isso seja diferente também. Mas não, o que dizem essas estampas e a mentalidade escrota masculina é que homem não amar é um fator biológico, praticamente, quase uma deficiência crônica, uma psicopatia, só que – o que é mais absurdo! –encarada como um grande troféu, como uma dádiva e uma qualidade do homem viril e másculo.
Pois é! Que mulher nunca falou ou ouviu de sua amiga (ou mesmo amigo) que os homens são mais infantis, amadurecem mais devagar que as mulheres? Será que é um fator puramente biológico ou só consequência da mentalidade escrota masculina? Pois eu acho consequência.
Na época das cavernas as mulheres cuidavam da "casa" e da prole (afinal tinham um físico mais fraco) enquanto os homens saíam pra caçar. Em decorrência disso, as mulheres aperfeiçoaram a comunicação enquanto os homensficaram só nos músculos aperfeiçoaram as técnicas de caça e instrumentos e ciências na relação com o mundo. As mulheres adquiriram uma ciência na relação com as pessoas. Talvez daí um pouco dos motivos porque as mulheres ficaram famosas por cuidar da casa e serem afetuosas, enquanto os homens ficaram famosos por trabalhar, prover e aperfeiçoarem as técnicas e serem responsáveis por criar a ciência humana no que diz respeito a... sei lá, criar um binóculo, enquanto as mulheres criavam receitas. Só que de lá até hoje muita, MUUUUUUUUUUUUUUITA água correu e nós mulheres, graças as invenções que os próprios homens criaram, pudemos ficar em pé de igualdade – afinal músculos não eram mais estritamente necessários para sair e caçar – e pudemos ampliar nosso universo e sair por aí buscando outras alternativas de vida, além da casa e dos filhos. Enquanto isso, os homens... continuaram NA MESMA??? Não procuraram ampliar seu universo afetivo? Que pelo menos na minha opinião é o que faz a vida valer a pena??
Seja como for, em passos menores, os homens (eu espero) na atualidade estão começando a se interessar pelas atividades "femininas" e conhecendo o que é uma relação interpessoal de verdade. Enquanto isso acontece aos poucos, os pais antigos ainda são os velhos homens das cavernas... com a diferença que não caçam e muitas vezes não provem. Afinal, que relação é a relação de prover? Uma mera obrigação, se não tem o mínimo de amor e afeto envolvidos. É por isso que muitos pais fogem dessa obrigação, porque é, afinal, obrigação e não um desejo de cuidar dos filhos, o que aconteceria se fosse por amor.
No telejornal local daqui, teve uma matéria sobre os pais no dia dos pais. Um deles cuidava da filha enquanto a mulher tinha ido pra conchinchina trabalhar. Na matéria colocaram a "tocante" cena do pai penteando o cabelo da filha (na cozinha, urgh!, diga-se de passagem)... e ele penteava o cabelo da filha com a mesma aptidão que um macaco toca violino. PORRA! Pentear um cabelo é tão difícil?? A menina tava parecendo o Capitão Caverna com aquelas escovadas! Nessas horas me dá um nojinho do sexo masculino! Como eles podem ser tão inábeis?? Depois de anos cuidando da filha não saber passar um pente num cabelo? Ah vá pra pqp! Isso eu chamo de má vontade. Homens têm má vontade com o que não se refere ao universo masculino. Eles tem preguiça de tentar. E é preguiça de aprender que torna alguém inferior a alguém inteligente.
As mulheres foram abeis o suficiente pra adentrar o universo masculino, eles não se esforçam pra fazer o caminho inverso.
Claro, não é culpa exclusiva dos homens... é a própria imagem negativa que circunda o universo feminino que torna ele uma coisa desnecessária de se tentar. Nós mulheres também temos a obrigação de valorizar nosso universo, de mostrar seus atrativos.
Me dá pena ver que cada vez mais mulheres acham mais inteligente ser como os homens e pensar só em sexo selvagem (que como o próprio nome já diz é puro instinto animal sem sentido), do que valorizar um estilo de vida que valoriza o amor e o afeto. Não quero ser moralista de dizer que sexo sem compromisso não deve ser feito. Cada um é cada um! Só quero dizer que não devíamos ter vergonha de ter amor, de ter carinho. Isso não é algo que devemos lutar contra, pelo contrário. Um mundo baseado no amor seria MUITO melhor, todo mundo sabe disso.
Acho ilustrativa também as brincadeiras das crianças. A maioria das meninas ainda brincam de boneca, de dar carinho, de cuidar delas e de alimentá-las. A maioria dos meninos têm bonecos pra brincar de se estapear, de brigar, de guerrear. É como um reflexo do tempo das cavernas que não quer nos deixar...
Antes de mais nada, quando a gente fala de comportamento social é preciso lembrar que a gente generaliza um certo estereótipo, não quero dizer aqui que não existam pais excelentes, apenas que eu não conheço nenhum e os que eu conheço seguem bastante um padrão de comportamento. O mesmo se aplica aos homens em geral, exceto que eu conheço muitos que possuem um caráter,
Bom, voltando aos pais. Às vezes acho absurdo comemorar um dia dos pais. Esse personagem que pelo menos das pessoas da minha geração, os que conheço, não merecem ser chamados de pai, não mesmo. Existem aquelas exceções que amam seus filhos, que cuidam dos filhos enquanto a mulher trai e vai pra... sei lá, pro Amapá, mas como eu disse, são exceções.
Na verdade, a maioria dos pais tem no máximo uma relação de provedor dos filhos, quase como um patrão, digamos, ele tem essa obrigação de alimentar os filhos. Fim, acaba por aí a linda relação entre pais e filhos. E isso é sendo otimista e dizendo que o pai vai prover e alimentar seus filhos, a maioria nem isso. E o pior é que isso se repete, se trepete e ninguém se comove a ponto de dizer que é um absurdo, já se tornou rotineiro, algo comum da classe pai. Agora, uma mulher partir e deixar seus filhos pra trás... ah, aí sim causa pânico, aí sim é um absurdo, mas o contrário acontece nas melhores famílias, diariamente e as pessoas nem sequer notam mais.
Esse tipo de atitude paterna vem de toda uma cultura, senão não seria tão comum acontecer, certo?
Há na nossa cultura, depois dos românticos do século retrasado, é claro, uma obrigação dos homens não amarem. Algo como: amor é coisa de mulher. É, e não é novidade, quem não viu aí as famosas e engraçadíssimas (ha ha ha) camisetas em que o coração do homem se localiza no pinto e o da mulher... hum, no seu lugar certo? Ou o famoso livro "Porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor", algo assim. Essa é a mensagem mais clara, mais descarada de toda uma mentalidade escrota (talvez, literalmente escrota) envolvendo o universo masculino: a de que o homem não ama.
E o que todas essas estampas promovem é a ideia de que... hum, homens sempre foram assim! Desconsiderando toda uma história em que nossa cultura já foi diferente, em que as mulheres sim eram falsas e faziam sexo e os homens procuravam um amor sincero. Ou que há a possibilidade de que em outras culturas ao redor do mundo isso seja diferente também. Mas não, o que dizem essas estampas e a mentalidade escrota masculina é que homem não amar é um fator biológico, praticamente, quase uma deficiência crônica, uma psicopatia, só que – o que é mais absurdo! –encarada como um grande troféu, como uma dádiva e uma qualidade do homem viril e másculo.
Pois é! Que mulher nunca falou ou ouviu de sua amiga (ou mesmo amigo) que os homens são mais infantis, amadurecem mais devagar que as mulheres? Será que é um fator puramente biológico ou só consequência da mentalidade escrota masculina? Pois eu acho consequência.
Na época das cavernas as mulheres cuidavam da "casa" e da prole (afinal tinham um físico mais fraco) enquanto os homens saíam pra caçar. Em decorrência disso, as mulheres aperfeiçoaram a comunicação enquanto os homens
Seja como for, em passos menores, os homens (eu espero) na atualidade estão começando a se interessar pelas atividades "femininas" e conhecendo o que é uma relação interpessoal de verdade. Enquanto isso acontece aos poucos, os pais antigos ainda são os velhos homens das cavernas... com a diferença que não caçam e muitas vezes não provem. Afinal, que relação é a relação de prover? Uma mera obrigação, se não tem o mínimo de amor e afeto envolvidos. É por isso que muitos pais fogem dessa obrigação, porque é, afinal, obrigação e não um desejo de cuidar dos filhos, o que aconteceria se fosse por amor.
No telejornal local daqui, teve uma matéria sobre os pais no dia dos pais. Um deles cuidava da filha enquanto a mulher tinha ido pra conchinchina trabalhar. Na matéria colocaram a "tocante" cena do pai penteando o cabelo da filha (na cozinha, urgh!, diga-se de passagem)... e ele penteava o cabelo da filha com a mesma aptidão que um macaco toca violino. PORRA! Pentear um cabelo é tão difícil?? A menina tava parecendo o Capitão Caverna com aquelas escovadas! Nessas horas me dá um nojinho do sexo masculino! Como eles podem ser tão inábeis?? Depois de anos cuidando da filha não saber passar um pente num cabelo? Ah vá pra pqp! Isso eu chamo de má vontade. Homens têm má vontade com o que não se refere ao universo masculino. Eles tem preguiça de tentar. E é preguiça de aprender que torna alguém inferior a alguém inteligente.
As mulheres foram abeis o suficiente pra adentrar o universo masculino, eles não se esforçam pra fazer o caminho inverso.
Claro, não é culpa exclusiva dos homens... é a própria imagem negativa que circunda o universo feminino que torna ele uma coisa desnecessária de se tentar. Nós mulheres também temos a obrigação de valorizar nosso universo, de mostrar seus atrativos.
Me dá pena ver que cada vez mais mulheres acham mais inteligente ser como os homens e pensar só em sexo selvagem (que como o próprio nome já diz é puro instinto animal sem sentido), do que valorizar um estilo de vida que valoriza o amor e o afeto. Não quero ser moralista de dizer que sexo sem compromisso não deve ser feito. Cada um é cada um! Só quero dizer que não devíamos ter vergonha de ter amor, de ter carinho. Isso não é algo que devemos lutar contra, pelo contrário. Um mundo baseado no amor seria MUITO melhor, todo mundo sabe disso.
Acho ilustrativa também as brincadeiras das crianças. A maioria das meninas ainda brincam de boneca, de dar carinho, de cuidar delas e de alimentá-las. A maioria dos meninos têm bonecos pra brincar de se estapear, de brigar, de guerrear. É como um reflexo do tempo das cavernas que não quer nos deixar...
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