Fale sobre sua história de leitor(a), as experiências marcantes, boas ou más, as influências (de pessoas, ambientes,...)
A professora de Metodologia do Ensino pediu uma memória de leitura. O que me levou a ler? O que eu li primeiro? O que me fez continuar a ler?
Pensando nisso, me vieram várias, várias lembranças (e as confissões auto-piedosas de sempre) o que me fez pensar nisso menos como um trabalho de faculdade do que idéias que eu gostaria de expor mesmo.
Então, o que me levou a ler? Não que eu nunca tenha pensado nisso antes, mas agora eu deveria organizar as idéias.
Acho que me fez ler e continuar a ler foi uma predisposição (não, eu não sou inatista), uma predisposição física, psicológica, relacionado com o mundo que me cerca, é claro.
Acho que sempre tive essa sensação interminável de solidão – segunda contribuição a minha leitura. Eu sempre tive amigos e amigas próximos (vivendo nas casas ao lado), muitos primos da minha idade, nunca estive assim de fato sozinha. Mas sempre me senti sozinha. Isso, eu acho, resultado da minha introspecção – a primeira contribuição a minha leitura.
Sim, é claro, introspecção, característica básica de um leitor, já que ler na maioria das vezes é um ato solitário, mental (totalmente introspectivo) – mas isso é óbvio. A contribuição da introspecção, no meu caso, vai além disso. Ser introspectivo é se refugiar no mundo interior como resultado de uma inabilidade de lidar com o mundo exterior. E leitura (de Literatura, pelo menos) permite a fuga perfeita ao mesmo tempo que nos permite lidar com esse mundo exterior por meio da simulação – um mundo exterior possível para os incapazes de conhecer ele pelo próprio tato.
Claro, essa fuga não está só na Literatura (está na arte em geral, na música, na tv) e nisso (necessidade de fuga) todo mundo é introspectivo – afinal é uma bosta e difícil de lidar com o exterior pra todos, em maior ou menor grau. Ler é uma das maneiras de se refugiar e, se leva tanta fama, é devido a essa existência de um banco vocabular, capital lingüístico individual, ao qual a leitura é grande contribuidora para o enriquecimento. Como a leitura é artificial, necessita de um exercício mental quase “acadêmico”, necessita de educação e tempo livre para distração que pobre que é pobre quase nem sempre tem, ler se torna chique. Então todo mundo elogia leitores, leitores se formam pela vaidade também. E eu sou também vaidosa.
Mas eu fugi do assunto, eu sei.
Estou falando aqui da leitura de literatura porque a outra, a mais pragmática, essa eu quase não exerço de verdade. Não, porque ler literatura é para os fracos e eu sou tão fraca que não consigo conviver com muita realidade – ler literatura exige uma incapacidade mental para o mundo típica da minha pessoa.
Como eu dizia, eu sempre me senti solitária, não importa quantas pessoas estivessem fora de mim... fora de mim. Esse é o problema de sempre: o exterior. O exterior – egocentrista que sou – sempre me pareceu algo abstrato, estranho, desconhecido, e o mundo só faria sentido quando me fizesse fazer parte dele mentalmente. Fictício, mas mais real por entrar na única coisa da qual não desconfio: minha mente. A única coisa que não me é estranha, que conheço, a partir da qual eu vivo.
Então, ler me permite permanecer nessa existência artificial e esquizofrênica; claro, em contrapartida, ler me permite muitas outras coisas (eu estou sendo (eu sou) pessimista e trágica (e patética)). Mas é isso que me faz querer ser professora e passar isso para frente (é tudo o que possuo de fato). Não amo as pessoas o suficiente para dar a elas algo que me seria perfeito, também não sou capaz de odiar elas tanto assim a ponto de dar a elas só algo que me faz mal (o que acabaria sendo paixão demais para coisas de fora). Por amar as pessoas, queria dar a elas algo que me é destrutivo, por não amar a elas, dou também algo que pode ser muito, muito bom. Ódio muitas vezes é mais construtivo que o amor (vide pessoas mimadas).
Mas eu fugi de novo ao assunto, isso aqui não está parecendo memória coisa nenhuma. Vamos logo ao que me levou exteriormente a virar leitora – e o que me fez permanecer leitora.
Eu sempre fui muito sonhadora, sempre afugentada num mundo fictício e perfeito (perfeito por possuir um sentido, uma magia inexistentes no mundo real, o qual é um mundo, como eu já disse, idiota: as pessoas tropeçam, peidam, cagam (coisas que, se ocorrem num livro – e quase nunca ocorrem – ainda possui algo de mágico por ser catártico ou por ter finalidade)). Eu gostava de ouvir histórias de conto de fadas que minha mãe mesma criava, ou as já existentes, lia os textos dos livros didáticos, gostava do sonho na leitura. E, como qualquer criança, gostava de assistir desenhos, filmes, de brincar, enfim, de simular o mundo. Só que, porque minha mãe era de (e nos impôs) uma religião bem fanática e cheia de restrições, muitas vezes ficávamos meses ou anos sem tv em casa (porque a tal religião proibia). Bom, o resultado acaba por se tornar um círculo vicioso: como não me tornar uma insegura introspectiva se o meu mundo era todo cindido por causa da religião? A comunidade relacionada à igreja, com quem eu convivia bastante através de toda a família por parte de mãe, tinha costumes, cultura, idéias, muita coisa profundamente diferentes de todo o resto (amigos, escola, pai e família paterna). O mundo real foi se tornando realmente esquisito, incompreensível, distante. E ler era o único consenso entre a comunidade religiosa e o resto da sociedade: era algo bom ao ver de ambas. Então as indecisões e dicotomias se uniam: escolhi o meu mundo (o dos outros eu não entendia porque eram muitas regras contraditórias). Também, eu sempre tive sede de apoio (vivia insegura pelo fato de que as coisas que agradavam uma comunidade nunca agradavam a outra e vice-versa). Foi isso que me incentivou a leitura. Aceitação, transcendência, redenção (e, claro, não ter tv e precisar de outra alternativa para substituir ela). Fui lendo o que tinha pela casa: o livro didático, os gibis. Quando os gibis acabaram, descobri na estante de casa os livros. Nunca tinha enxergado eles como possibilidade de leitura, nunca vi ninguém lendo eles por perto. Mas comecei, e comecei por uma coleção cor de vinho intitulada Clássicos da Literatura Universal. Não tinha ainda nem 11 anos e lia Dostoievski, Shakespeare e José de Alencar. Fui do avesso porque foi só depois, quando já tinha lido e relido a tal coleção, que comecei a comprar, emprestar. Foi assim que descobri os best sellers, os infanto-juvenis, os romances policiais (meus preferidos). E fui virando leitora, aprendendo a viver com o mundo indiretamente mais do que aprenderia diretamente e, graças à leitura, consegui me livrar das amarras da ditadura religiosa pouco a pouco. Os pontos de vista eram mais abrangentes, mais variados, aprendi a relativizar. Não era, como minha mãe dizia, um simples jogo entre Deus e Demônio no qual as pessoas nem sabiam no que acreditavam. Fui descobrindo o lado bom de outras religiões ao ler livros delas e um de parapsicologia que peguei sem querer achando que era de psicologia. Descobri que Darwin não era tão absurdo como ela dizia lendo O Mundo de Sofia. Aprendi que o mundo era cheio de complicações interiores e que coisas como não poder pintar o cabelo ou cortar, não poder pintar unhas, usar anéis, pulseiras, brincos, calças, manga curta era algo tão imbecil perto de todo o resto. Aprendi a ouvir meus pensamentos mais proibidos. Aprendi a respeitar melhor os outros. Fiquei pessimista demais. Mas de muita imposição unilateral que me sufocava extremamente eu me libertei. Eu devo minha vida e a minha vontade de morrer também à literatura. Eu devo tudo e nada. Minha contradição, minhas idéias.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Aperto o interruptor, mas a luz acende.
Minha impressão agora é de que o mundo é uma projeção da minha mente. Não só uma impressão feita de sonho, imaginação, uma impressão real, sincera, assustadora, de que pode ser sim que esse mundo seja apenas um sonho meu.
Seria assim que os sociólogos ou antropólogos estariam errados ao lamentar o fato de que somos condicionados pela nossa própria experiência/vivência/concepção de mundo ao analisá-lo. No meu caso, seria certo que eu tomasse minha própria concepção como análise, já que sou eu quem move cada peça.
Se não fosse pela lógica racional, eu levaria ao limite essa idéia. Mas, afinal, como diriam vocês, é bem mais razoável que as coisas passem a chamar mais minha atenção a partir do momento que estou com algo na cabeça e através disso se conectem umas às outras. Mas a razão é questionável e as conexões muito mais claras pra mim do que apenas fruto da vontade.
Como o fato de eu, pouco antes de ter terminado com o Daniel, ter sido visitada no orkut por uma pessoa que nasceu exatamente no mesmo dia que ele e que também é programador. Por um motivo raro, fui lá propor a essa pessoa conhecê-la, já que morava por aqui. Coisa que jamais fiz ou pensaria normalmente em fazer.
Por estranha coincidência, quando voltava do trabalho, acabei descobrindo que o cachorro que eu sempre admirava e brincava no caminho, não era um, mas dois iguais. No mesmo dia em que tinha marcado de conhecer a tal pessoa do orkut. Não era um, mas dois iguais. E eu nem tinha percebido.
E com essa pessoa acabei me ligando. A pessoa que nasceu 7 dias antes de mim, em 77.
Agora, quando vejo os cachorros de novo, finalmente percebo a diferença (e agora nunca os vejo separado, como antes). Um é bem mais meigo que o outro. Um tem a cabeça bem mais preta.
Quando eu morava na quadra de lá, só na quadra de lá acabava a luz. Agora que moro na quadra daqui, acaba luz aqui, mas não acaba a luz da quadra de lá. Como se eu fosse o foco das coisas, as coisas acontecem.
Hoje, a minha indiferença pela vida foi empurrada para um desgosto pela vida, já que tudo parece acontecer pra dar errado: em tão pouco tempo de ano perco um namorado que achei que não perdia, do nada; sou assaltada, perco uma prova porque fui assaltada, perco a segunda chamada da prova porque o professor simplesmente aplicou a dita cuja sem me chamar pra ela direito, minha faculdade diz uma coisa, meus ideais idem, meu trabalho diz outra diferente. Então enquanto eu chorava de desgosto, foi passando de mansinho, fui deixando ficar só triste mesmo, desencantada. Uma menina levantou no meio da aula e caiu desmaiada lá na frente. Saio e gente toca maracatu, as batidas, levadas pela minha tristeza, tocavam mais terríveis que festivas, olho então no meio do pátio uma árvore caída. Uma daquelas antigas, linda e forte – caída. Então pareceu que, enquanto desmoronava meu mundo, tudo desmoronava junto, sinal de que o sonho vai se acabando.
Seria assim que os sociólogos ou antropólogos estariam errados ao lamentar o fato de que somos condicionados pela nossa própria experiência/vivência/concepção de mundo ao analisá-lo. No meu caso, seria certo que eu tomasse minha própria concepção como análise, já que sou eu quem move cada peça.
Se não fosse pela lógica racional, eu levaria ao limite essa idéia. Mas, afinal, como diriam vocês, é bem mais razoável que as coisas passem a chamar mais minha atenção a partir do momento que estou com algo na cabeça e através disso se conectem umas às outras. Mas a razão é questionável e as conexões muito mais claras pra mim do que apenas fruto da vontade.
Como o fato de eu, pouco antes de ter terminado com o Daniel, ter sido visitada no orkut por uma pessoa que nasceu exatamente no mesmo dia que ele e que também é programador. Por um motivo raro, fui lá propor a essa pessoa conhecê-la, já que morava por aqui. Coisa que jamais fiz ou pensaria normalmente em fazer.
Por estranha coincidência, quando voltava do trabalho, acabei descobrindo que o cachorro que eu sempre admirava e brincava no caminho, não era um, mas dois iguais. No mesmo dia em que tinha marcado de conhecer a tal pessoa do orkut. Não era um, mas dois iguais. E eu nem tinha percebido.
E com essa pessoa acabei me ligando. A pessoa que nasceu 7 dias antes de mim, em 77.
Agora, quando vejo os cachorros de novo, finalmente percebo a diferença (e agora nunca os vejo separado, como antes). Um é bem mais meigo que o outro. Um tem a cabeça bem mais preta.
Quando eu morava na quadra de lá, só na quadra de lá acabava a luz. Agora que moro na quadra daqui, acaba luz aqui, mas não acaba a luz da quadra de lá. Como se eu fosse o foco das coisas, as coisas acontecem.
Hoje, a minha indiferença pela vida foi empurrada para um desgosto pela vida, já que tudo parece acontecer pra dar errado: em tão pouco tempo de ano perco um namorado que achei que não perdia, do nada; sou assaltada, perco uma prova porque fui assaltada, perco a segunda chamada da prova porque o professor simplesmente aplicou a dita cuja sem me chamar pra ela direito, minha faculdade diz uma coisa, meus ideais idem, meu trabalho diz outra diferente. Então enquanto eu chorava de desgosto, foi passando de mansinho, fui deixando ficar só triste mesmo, desencantada. Uma menina levantou no meio da aula e caiu desmaiada lá na frente. Saio e gente toca maracatu, as batidas, levadas pela minha tristeza, tocavam mais terríveis que festivas, olho então no meio do pátio uma árvore caída. Uma daquelas antigas, linda e forte – caída. Então pareceu que, enquanto desmoronava meu mundo, tudo desmoronava junto, sinal de que o sonho vai se acabando.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Dear God, life ain't kind, people getting born and dying
Eu li uma vez (e eu já falei disso) que quem acha que está louco é uma pessoa sã. Afinal, é autoconsciente. Então, não, quando eu ajo ilogicamente, eu acho que estou mentindo pra mim mesma, embora não controle os impulsos (não sei se por não conseguir ou por não querer, mas loucura também não é fuga?).
Hoje, ao andar na rua, comecei a entrar num desesperinho muito imbecil – e não é a primeira vez que isso acontece – porque não tinha música pra escutar nem ninguém pra conversar. Não sei o que fazer, então fico com vontade de falar (cantar) qualquer coisa, segurar qualquer coisa, besteira. Eu não gosto muito das pessoas, nem de mim, nem de nada. Eu não posso dizer que isso é hormonal. E pode ser que o céu cinza e o tempo frio... se eu não adorasse tempo assim. Então comecei a ficar com vontade de apertar as mãos, a pensar coisas sem muita conexão, estou sem enxergar direito, alguma confusão, uma vontade, uma vontade e um desprezo por todos os desejos. Comecei a encolher, coloquei a mão em frente ao rosto e fiquei andando feito louca. Me perguntaram se eu estava com frio, mas não era frio. Tirei e coloquei a blusa umas milhões de vezes. Me apego a banalidades pra não enfrentar o fato de que andar é absurdo e todo mundo é absurdo. E de repente voltei a achar que todas as pessoas perfeitas morrem, se suicidam, e vão para um mundo melhor – lembrando daquela teoria espírita de mundos diferentes e superiores. Não sou perfeita, mas queria a companhia das pessoas perfeitas. Sinto indiferença ao pensar em me matar, não é nem vontade, mas se houvesse, eu acho que faria sem pensar muito. Talvez isso explique porque o moço do filme se matou. Se eu estivesse na linha do trem e ele se aproximasse, eu desviaria? Talvez sim, por instinto, talvez não, por indiferença. Sem levar em conta esposa e filho. Simplesmente porque não faz sentido.
É possível ser feliz e se matar. É possível eu pensar que eu possa ter um namorado perfeito e amigos perfeitos que me fazem bem quando estou com eles, mas, ao ficar sozinha, ver que essas coisas, as mais significativas pra mim, equivalem a um entretenimento. Por que tentar levar a vida? Pode ser que eu trabalhe num lugar interessante, que me faça me sentir desafiada, que me faça pensar num futuro em que eu possa mudar coisas, em que possa atuar em alguma coisa “significativa” no mundo. Enquanto isso, pensar que, mesmo que mudanças pudessem ser alcançadas – e provavelmente não serão –, por que se deveria mudar o mundo se a insatisfação nunca morre?
Bah, é o maior clichê suicida, eu sei.
Eu dizia – e é verdade – que o sentido da vida é sentir. Não é nenhum motivo suficiente, talvez nem consolador, mas é este, não vai além disso. Ou se aceita absurdamente viver infeliz, ou não se vive. Pode-se dizer com muita displicência (embora seja impossível ser de fato displicente nesse assunto) que vai se morrer mesmo daqui a pouco, então vivamos enquanto se vive, já que já estamos aqui aproveitamos o que se dá pra aproveitar. Convenhamos, se não houvesse tanta cobrança e merda por toda parte, até era possível concordar com isso. Mas já que 80% da nossa vida (sendo otimista!) se concentra em obrigações sem graça, metas idiotas, banalidades fisiológicas e lógicas, o mais inteligente era se matar mesmo. O que comprova que as pessoas perfeitas (pelo menos as inteligentes) se mataram. Os que vivem, além de serem idiotas, têm que conviver com um bando de outros idiotas. E aí que está, a vida não podia ser pior. E se eu sorrio agora não é só por ironia, estou no momento abrangido pelos 20%, em que “me apaixonei pela minha própria metáfora” (que, mediocremente, nem é nova) – falo disso não porque tenha feito uma metáfora, estava lembrando da minha aula de Análise de Discurso, em que analisávamos o Diogo Mainardi. Ele escreveu que, ao dizerem que o filho dele tinha paralisia cerebral, é como se tivessem dito que o filho dele era búlgaro. No final do texto, ele disse “amar o seu pequeno búlgaro”. E a professora falou: ele não ama o filho dele de fato, ele ama a metáfora que ele criou.
Eu não amo a vida, eu vivo pra amar as metáforas que se cria sobre a vida. Isso é que é gostar de arte – e explica (não justifica) minha incompetência pra coisas reais, sociais, políticas.
Esse texto... é a perfeita realização daquele dito “bater na mesma tecla”. Imagine aqui um piano e eu teclando a mesma nota, a mesma nota: dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó. É irritante. Mas é pra fazer sentirem como eu me sinto – eu fico escutando de mim a mesma ladainha esse tempo todo, esses anos todos (se não bastasse ser ruim por si só).
E esse é o porquê do Rafael dizer que achava que eu era a maior discípula de Schopenhauer? Mas não sou.
Hoje, ao andar na rua, comecei a entrar num desesperinho muito imbecil – e não é a primeira vez que isso acontece – porque não tinha música pra escutar nem ninguém pra conversar. Não sei o que fazer, então fico com vontade de falar (cantar) qualquer coisa, segurar qualquer coisa, besteira. Eu não gosto muito das pessoas, nem de mim, nem de nada. Eu não posso dizer que isso é hormonal. E pode ser que o céu cinza e o tempo frio... se eu não adorasse tempo assim. Então comecei a ficar com vontade de apertar as mãos, a pensar coisas sem muita conexão, estou sem enxergar direito, alguma confusão, uma vontade, uma vontade e um desprezo por todos os desejos. Comecei a encolher, coloquei a mão em frente ao rosto e fiquei andando feito louca. Me perguntaram se eu estava com frio, mas não era frio. Tirei e coloquei a blusa umas milhões de vezes. Me apego a banalidades pra não enfrentar o fato de que andar é absurdo e todo mundo é absurdo. E de repente voltei a achar que todas as pessoas perfeitas morrem, se suicidam, e vão para um mundo melhor – lembrando daquela teoria espírita de mundos diferentes e superiores. Não sou perfeita, mas queria a companhia das pessoas perfeitas. Sinto indiferença ao pensar em me matar, não é nem vontade, mas se houvesse, eu acho que faria sem pensar muito. Talvez isso explique porque o moço do filme se matou. Se eu estivesse na linha do trem e ele se aproximasse, eu desviaria? Talvez sim, por instinto, talvez não, por indiferença. Sem levar em conta esposa e filho. Simplesmente porque não faz sentido.
É possível ser feliz e se matar. É possível eu pensar que eu possa ter um namorado perfeito e amigos perfeitos que me fazem bem quando estou com eles, mas, ao ficar sozinha, ver que essas coisas, as mais significativas pra mim, equivalem a um entretenimento. Por que tentar levar a vida? Pode ser que eu trabalhe num lugar interessante, que me faça me sentir desafiada, que me faça pensar num futuro em que eu possa mudar coisas, em que possa atuar em alguma coisa “significativa” no mundo. Enquanto isso, pensar que, mesmo que mudanças pudessem ser alcançadas – e provavelmente não serão –, por que se deveria mudar o mundo se a insatisfação nunca morre?
Bah, é o maior clichê suicida, eu sei.
Eu dizia – e é verdade – que o sentido da vida é sentir. Não é nenhum motivo suficiente, talvez nem consolador, mas é este, não vai além disso. Ou se aceita absurdamente viver infeliz, ou não se vive. Pode-se dizer com muita displicência (embora seja impossível ser de fato displicente nesse assunto) que vai se morrer mesmo daqui a pouco, então vivamos enquanto se vive, já que já estamos aqui aproveitamos o que se dá pra aproveitar. Convenhamos, se não houvesse tanta cobrança e merda por toda parte, até era possível concordar com isso. Mas já que 80% da nossa vida (sendo otimista!) se concentra em obrigações sem graça, metas idiotas, banalidades fisiológicas e lógicas, o mais inteligente era se matar mesmo. O que comprova que as pessoas perfeitas (pelo menos as inteligentes) se mataram. Os que vivem, além de serem idiotas, têm que conviver com um bando de outros idiotas. E aí que está, a vida não podia ser pior. E se eu sorrio agora não é só por ironia, estou no momento abrangido pelos 20%, em que “me apaixonei pela minha própria metáfora” (que, mediocremente, nem é nova) – falo disso não porque tenha feito uma metáfora, estava lembrando da minha aula de Análise de Discurso, em que analisávamos o Diogo Mainardi. Ele escreveu que, ao dizerem que o filho dele tinha paralisia cerebral, é como se tivessem dito que o filho dele era búlgaro. No final do texto, ele disse “amar o seu pequeno búlgaro”. E a professora falou: ele não ama o filho dele de fato, ele ama a metáfora que ele criou.
Eu não amo a vida, eu vivo pra amar as metáforas que se cria sobre a vida. Isso é que é gostar de arte – e explica (não justifica) minha incompetência pra coisas reais, sociais, políticas.
Esse texto... é a perfeita realização daquele dito “bater na mesma tecla”. Imagine aqui um piano e eu teclando a mesma nota, a mesma nota: dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó, dó. É irritante. Mas é pra fazer sentirem como eu me sinto – eu fico escutando de mim a mesma ladainha esse tempo todo, esses anos todos (se não bastasse ser ruim por si só).
E esse é o porquê do Rafael dizer que achava que eu era a maior discípula de Schopenhauer? Mas não sou.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Cultura com ISO9001
O conto do Machado O homem célebre, desde a primeira vez que eu li, sempre me serviu como uma alegoria para a sensação de “desejando o imortal, fazendo o medíocre” que tanto faz parte da minha vida. Este blog. O título “filosofia crônica”, por exemplo, embora aqui ou ali eu tente tirar uma moral da história que deseja ser filosófica e não é, não combina em nada com o blog, o único nome que ele deveria ter era de privada cerebral, ou como a Marla pôs no próprio (falecido?) blog: “um arroto emocional”. Mas se o conteúdo deixa(rá) sempre a desejar, que pelo menos o nome fique pomposinho ali em cima para que, pelo contraste dele e da poesia ao lado, tudo pareça ainda pior do que já é.
Sim, hoje estou na fase hormonal em que fico descontente com a vida, com as coisas, as pessoas, com tudo. Atravessei duas vezes de forma irresponsável a rua e no fundo tanto fazia se me atropelassem ou não. Dessa vez arranquei as folhas das árvores não pra acariciar, mas pra despedaçar. Ódio gratuito (ou não) pelo mundo.
O mundo é ruim e bom, porque eu sei que é bom só agora. Mas é superficialmente bom, a gente sabe. Oras, se apaixonar acontece, amar as coisas por isso é normal, mas o mundo não fica de fato melhor por isso. As pessoas continuam sendo odiosas, todas elas incluindo a gente mesmo.
Hoje o que desencadeou a raiva foi primeiro a crítica ao livro que gostei. Nunca aceito bem as críticas – criticar o que a gente gosta é criticar a gente. Se não bastasse isso, o livro criticado foi uma leitura obrigatória indicada pelo próprio autor da crítica. E tem umas 500 páginas. E eu quase me matei pra terminar de ler a tempo. Eu sei que nada é passível de críticas, acho ótimo que a gente também veja a parte negativa de tudo, mas se a parte negativa se sobressai, por que, meu deus, fazer todo mundo ler uma coisa ruim? Me diz por quê? Se tem tanta, tanta, taaanta coisa boa ainda que eu nem toquei ainda pra começar a ler?
O meu curso anda com essa bobeira repetitiva. Todos os professores acharam graça agora em passar textos ruins pra gente ler. Levam provas ruins pra gente analisar, textos ruins pra gente criticar, atitudes ruins pra gente atacar. E o que se supõe então que seja bom? Esse é o problema, esses professores estão me pondo em frente ao espelho: eu que sempre só ressalto as coisas negativas da vida, preciso agora dizer que só ver o negativo não leva a nada, a gente precisa de algo bom pra se orientar.
Outra coisa idiota de tudo isso é o quanto a crítica só serve, na maioria das vezes, para uma masturbação mental. É criticando o que tem de errado no outro que eu me sobressaio como melhor – mesmo que eu não tenha nada de melhor ou até mesmo erre da mesma forma.
E eu gosto muito dessas aulas da manhã, das dicas de filmes, livros e livros que o professor dá, as dicas do que é bom ou ruim esteticamente (eu acho incrível como ninguém nunca relativiza isso, deixo aqui explícito que disse o bom ou ruim com toda a ironia possível...). Mas ao mesmo tempo ele e aquelas aluninhas entupidas de livros, teatros e cinema saindo pelos ouvidos, me irritam depois de um tempo. A nata da sociedade intelectual. Me irrita, me irrita. Eu gosto de cultura erudita, ou seja lá como se chama isso, mas a pessoa que fica se ensaboando com isso o tempo todo, vomitando e comendo de novo o que leu, o que viu ou ouviu só porque “gostar de tal coisa é o máximo” é irritante. De novo eu me pergunto se essas pessoas realmente gostam ou só fazem tal coisa pra se aparecer. Pode ser que gostem, mas a forma como só falta andar com um currículo de acervo cultural estampado na cara me faz pensar que ler, ver e ouvir a coisa não basta, não é tão bom assim se não fosse pelo fato de poder esfregar na cara dos outros intelectuais de merda ou se gabar para os ingênuos que estiverem assistindo boquiaberto a eles. De repente eu me sinto bem por ser uma “contra-cultura” aparente, porque meu cabelo e minhas roupas depõem contra mim, porque ou as pessoas me enquadram como emo, ou como roqueira, ou como aluna de designer, ou, enfim, como babaca e burra simplesmente. Eu sei que as pessoas me subestimam. E de repente eu me sinto bem por isso, agressivamente bem por ouvir algo como “vida e mente vazia”. Porque eu posso contradizer. Porque autocrítica pelo menos, ao contrário desse bando de babacas, pelo jeito, parece que eu tenho. Vida vazia, mente não. Minha mente está morbidamente consciente de que gente que diz palavrinhas como essas ou tentam nos impressionar é a mais deprimente. Que eu mesma sou deprimente porque nem eu me salvo dessa panela de vaidosos intelectuais. Eu quero morrer, me anular só de pensar nisso. Vontade de ficar reclusa, largar tudo, pegar toda a coleção do Harry Potter e ir reler. Agora eu entendo porque sempre que fico de férias da faculdade só leio “porcaria”.
E como eu sou capaz de detestar até aquilo que amo porque nada está livre da minha crítica, basta me desagradar.
Sabe quando Joãozinho-óculos-fundo-de-garrafa apanhava na escola por ser diferente? E sabe quando ele começou a ser elogiado porque era inteligente e ainda mais por ler, e por perceber que ser diferente, no fundo, no fundo, é o que todo mundo deseja? Aí criaram um monstro no Joãozinho. Antes ele tivesse morrido pelas pancadas dos marmanjos da escola. Antes de ter ficado um ser bisonho e arrogante, pelo menos tivessem lhe quebrado todos os dentes pra tirar a graça do arzinho intelectual. Porque o pobre Joãozinho viveu apanhando e sentindo uma enorme vontade de auto-afirmação, sobrevivendo, mas com uma carência infinita. Esse Joãozinho vai morrer tentando arrancar os únicos elogios que sempre ouviu: “você é inteligente, Joãozinho, que bom que você leu tudo isso”. Joãozinho é tão tapado quanto os fortões da escola. Como professora eu sei, todo aluno é tapado. Todo ser humano tenta se afirmar mas é um merda (quanta novidade! ¬¬).
Só eu me salvo, só eu. Eu que digo tudo isso e sou tão idiota quanto todo o resto, sou incrivelmente boazona. Estranhamente as pessoas é que me abandonam. Eu, Joaninha, sempre sendo deixada pra trás, por mais que tente sempre fazer com que os outros me admirem. Mas eu sei que os que me deixaram vão se arrepender pelo resto da vida, eu, euzinha tão especial, eu que leio.
(fica aqui exposto que eu gosto realmente de ler, ver e ouvir coisas rotuladas como boas por sei lá quem (Deus?), assim como também muito de coisas ditas ruins. Tem que se gostar pelo prazer, deus meu, afinal eu ainda vou provar que esses rótulos de qualidade não estão tão certos assim.)
Sim, hoje estou na fase hormonal em que fico descontente com a vida, com as coisas, as pessoas, com tudo. Atravessei duas vezes de forma irresponsável a rua e no fundo tanto fazia se me atropelassem ou não. Dessa vez arranquei as folhas das árvores não pra acariciar, mas pra despedaçar. Ódio gratuito (ou não) pelo mundo.
O mundo é ruim e bom, porque eu sei que é bom só agora. Mas é superficialmente bom, a gente sabe. Oras, se apaixonar acontece, amar as coisas por isso é normal, mas o mundo não fica de fato melhor por isso. As pessoas continuam sendo odiosas, todas elas incluindo a gente mesmo.
Hoje o que desencadeou a raiva foi primeiro a crítica ao livro que gostei. Nunca aceito bem as críticas – criticar o que a gente gosta é criticar a gente. Se não bastasse isso, o livro criticado foi uma leitura obrigatória indicada pelo próprio autor da crítica. E tem umas 500 páginas. E eu quase me matei pra terminar de ler a tempo. Eu sei que nada é passível de críticas, acho ótimo que a gente também veja a parte negativa de tudo, mas se a parte negativa se sobressai, por que, meu deus, fazer todo mundo ler uma coisa ruim? Me diz por quê? Se tem tanta, tanta, taaanta coisa boa ainda que eu nem toquei ainda pra começar a ler?
O meu curso anda com essa bobeira repetitiva. Todos os professores acharam graça agora em passar textos ruins pra gente ler. Levam provas ruins pra gente analisar, textos ruins pra gente criticar, atitudes ruins pra gente atacar. E o que se supõe então que seja bom? Esse é o problema, esses professores estão me pondo em frente ao espelho: eu que sempre só ressalto as coisas negativas da vida, preciso agora dizer que só ver o negativo não leva a nada, a gente precisa de algo bom pra se orientar.
Outra coisa idiota de tudo isso é o quanto a crítica só serve, na maioria das vezes, para uma masturbação mental. É criticando o que tem de errado no outro que eu me sobressaio como melhor – mesmo que eu não tenha nada de melhor ou até mesmo erre da mesma forma.
E eu gosto muito dessas aulas da manhã, das dicas de filmes, livros e livros que o professor dá, as dicas do que é bom ou ruim esteticamente (eu acho incrível como ninguém nunca relativiza isso, deixo aqui explícito que disse o bom ou ruim com toda a ironia possível...). Mas ao mesmo tempo ele e aquelas aluninhas entupidas de livros, teatros e cinema saindo pelos ouvidos, me irritam depois de um tempo. A nata da sociedade intelectual. Me irrita, me irrita. Eu gosto de cultura erudita, ou seja lá como se chama isso, mas a pessoa que fica se ensaboando com isso o tempo todo, vomitando e comendo de novo o que leu, o que viu ou ouviu só porque “gostar de tal coisa é o máximo” é irritante. De novo eu me pergunto se essas pessoas realmente gostam ou só fazem tal coisa pra se aparecer. Pode ser que gostem, mas a forma como só falta andar com um currículo de acervo cultural estampado na cara me faz pensar que ler, ver e ouvir a coisa não basta, não é tão bom assim se não fosse pelo fato de poder esfregar na cara dos outros intelectuais de merda ou se gabar para os ingênuos que estiverem assistindo boquiaberto a eles. De repente eu me sinto bem por ser uma “contra-cultura” aparente, porque meu cabelo e minhas roupas depõem contra mim, porque ou as pessoas me enquadram como emo, ou como roqueira, ou como aluna de designer, ou, enfim, como babaca e burra simplesmente. Eu sei que as pessoas me subestimam. E de repente eu me sinto bem por isso, agressivamente bem por ouvir algo como “vida e mente vazia”. Porque eu posso contradizer. Porque autocrítica pelo menos, ao contrário desse bando de babacas, pelo jeito, parece que eu tenho. Vida vazia, mente não. Minha mente está morbidamente consciente de que gente que diz palavrinhas como essas ou tentam nos impressionar é a mais deprimente. Que eu mesma sou deprimente porque nem eu me salvo dessa panela de vaidosos intelectuais. Eu quero morrer, me anular só de pensar nisso. Vontade de ficar reclusa, largar tudo, pegar toda a coleção do Harry Potter e ir reler. Agora eu entendo porque sempre que fico de férias da faculdade só leio “porcaria”.
E como eu sou capaz de detestar até aquilo que amo porque nada está livre da minha crítica, basta me desagradar.
Sabe quando Joãozinho-óculos-fundo-de-garrafa apanhava na escola por ser diferente? E sabe quando ele começou a ser elogiado porque era inteligente e ainda mais por ler, e por perceber que ser diferente, no fundo, no fundo, é o que todo mundo deseja? Aí criaram um monstro no Joãozinho. Antes ele tivesse morrido pelas pancadas dos marmanjos da escola. Antes de ter ficado um ser bisonho e arrogante, pelo menos tivessem lhe quebrado todos os dentes pra tirar a graça do arzinho intelectual. Porque o pobre Joãozinho viveu apanhando e sentindo uma enorme vontade de auto-afirmação, sobrevivendo, mas com uma carência infinita. Esse Joãozinho vai morrer tentando arrancar os únicos elogios que sempre ouviu: “você é inteligente, Joãozinho, que bom que você leu tudo isso”. Joãozinho é tão tapado quanto os fortões da escola. Como professora eu sei, todo aluno é tapado. Todo ser humano tenta se afirmar mas é um merda (quanta novidade! ¬¬).
Só eu me salvo, só eu. Eu que digo tudo isso e sou tão idiota quanto todo o resto, sou incrivelmente boazona. Estranhamente as pessoas é que me abandonam. Eu, Joaninha, sempre sendo deixada pra trás, por mais que tente sempre fazer com que os outros me admirem. Mas eu sei que os que me deixaram vão se arrepender pelo resto da vida, eu, euzinha tão especial, eu que leio.
(fica aqui exposto que eu gosto realmente de ler, ver e ouvir coisas rotuladas como boas por sei lá quem (Deus?), assim como também muito de coisas ditas ruins. Tem que se gostar pelo prazer, deus meu, afinal eu ainda vou provar que esses rótulos de qualidade não estão tão certos assim.)
quinta-feira, 3 de abril de 2008
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Ultimamente, sempre que vou escrever, tenho receio de já ter dito tudo aquilo que vou falar, isso porque esqueço demais as coisas. E o pior é que ainda teria usado as mesmas metáforas, não duvido nada. Não é triste? Eu não estaria vivendo tudo de novo porque esqueci até as experiências acumuladas?
(Este texto era pra ser uma transcrição do que escrevi ontem durante a aula de Literatura e Canção Popular, mas pra cada palavra copiada do papel para o computador, eu formava uma frase totalmente nova. Meus pensamentos sempre aquela água que muda de curso enquanto passam pelos meus dedos. Acabou que desviei totalmente do curso das idéias e acabei desembocando em outro mar, outro texto)
Fluxo de sentimentos – Parte 1
Dizem que os esquimós têm vinte nomes diferentes para a neve: um nome para a neve fofa, para a neve mais branca... porque, para eles, neve não é uma coisa só, eles que convivem tanto com a neve. Se nosso mundo fosse meu e nossa língua fosse minha, teríamos bem mais que vinte nomes diferentes para melancolia. Pelo menos melancolia é uma palavra bonita (como neve), é verdade, mas tão insuficiente pra abranger tudo que abrange...! Algum professor de psicologia deveria fazer um artigo, tese, texto acadêmico no qual elencasse e categorizasse os vários (milhares) subtipos de melancolia. Seria interessante.
Mas pior ainda são os sentimentos decorrentes da nostalgia ou da epifania que nem nome têm. Por isso também é que parecem tão íntimos e únicos. Falta-lhes o nome para parecer que existem de fato. Ficam parecendo ilusões, se perdem na incapacidade de comunicarmos para nós mesmos ou para os outros o que foi sentido. Mas também, se tudo tivesse nome, o que faria a arte?
Uma vez formei a idéia de escrever um conto/romance em que não aparecesse nomeado um sentimento. Todos eles seriam transmitidos de outra forma, com vários nomes sobrepostos, descritivos, dando uma dimensão real, precisa e imprecisa do que sentimos, quase como As ondas da Virgínia – no caso dela fluxo de consciência, no meu seria fluxo de sentimentos.
Coisa sobre a qual eu gosto de escrever e acho que pode ser a maior razão de ser da literatura: as sensações. Acho que formei essa opinião de tanto combater a idéia das pessoas de que é melhor “assistir o filme” a ler o livro. Ou de que a literatura é uma arte menor que as artes plásticas e a música, pois está cheia de palavras e por isso entranhada de argumentos do mundo palpável, dos significados. Mas tudo, meus amigos, a semiótica mesmo diz, está entranhado de significados, mesmo meu gosto por acariciar as folhas das árvores e das plantas enquanto caminho. Isso me angustia, o significado por trás de uma simples busca de sensação... O racional sempre permeando o sensorial. Há significados, mesmo nas artes plásticas e na música. E eu me recuso em ir ver uma exposição enquanto não for capaz de apreender o significado.
Mas, voltando ao que dizia sobre minha opinião de que a literatura deve ter como primeiro dever transmitir sentimentos e sensações, é por isso que prefiro os textos mais psicológicos. Sensações podem ser passadas num filme, podem ser interpretadas por um ator, mas nunca com a riqueza de detalhes que a literatura pode dar. Como a palavra melancolia, que sozinha vale por uma música inteira pois tem nela todos esses significados, todas as nossas lembranças. Pensamos através da linguagem, nos unimos através da linguagem e dos sentimentos. Como no Quarup está escrito que o Amor nos une a todos, pois todos sentem que desfrutaram igualmente desse sentimento. A palavra, o significado. Mas o significado íntimo que cada palavra terá para cada um. Se se busca algum pouquinho de originalidade, era o que devia ser feito: dizer como é que se sente a tristeza, como é que se sente o amor. Como é que se sente as coisas do mundo. Para isso, me desculpem, mas eu deveria permanecer no erro de ser autobiográfica ^^. Pois só posso adivinhar os sentimentos dos outros baseada nos meus próprios sentimentos. E, no fim, descobrimos que, apesar de parecerem tão íntimos e tão nossos, nossos sentimentos são todos tão semelhantes. A sensação que corre o meu corpo quando o vento toca a pele é a mesma. Única, própria, individual e universal ao mesmo tempo. É o que nos toca como magia na arte, afinal (será que é porque nossos sentimentos são aprendidos por imitação, como eu dizia ao reparar minha irmã aprendendo quando e porque deveria sorrir?).
Sinto às vezes que nasci para o curso de Letras. Sempre gostei das palavras, de pensar sobre elas, de me questionar sobre elas. Assim como nasci para a filosofia, mas para essa menos. Eu já disse isso aqui, isso eu lembro, eu perguntei pra professora da primeira série de onde apreendíamos o significado da primeira palavra se não sabíamos uma outra palavra antes. Sabem, como a questão do que veio primeiro. Seria apenas apontando a mesa e dizendo “mesa”? Mas e os sentimentos? Outra dúvida (ou coisa que questiono) que tenho até hoje é sobre o que compõe os pensamentos. Dizem que eles vêm da linguagem e eu comprei a idéia porque eu realmente valorizo muito ela, palavras são meus ídolos religiosos. Mas eu lembro de muito pequena, quando não tinha ainda perscrutado minhas próprias idéias, na primeira vez que me questionei, de ter entrado num mundo, desbravado um emaranhado escuro sem substantivos, apenas uma fumaça, mais ou menos o estado cerebral primitivo do Alberto Caeiro. Era como se eu sentisse e pensasse sem usar palavras pra nomear nada, como se só houvesse o instinto puro. Como se eu fosse a Baleia do Vidas Secas – sem saber palavras, mas interpretando o mundo de alguma forma.
(Este texto era pra ser uma transcrição do que escrevi ontem durante a aula de Literatura e Canção Popular, mas pra cada palavra copiada do papel para o computador, eu formava uma frase totalmente nova. Meus pensamentos sempre aquela água que muda de curso enquanto passam pelos meus dedos. Acabou que desviei totalmente do curso das idéias e acabei desembocando em outro mar, outro texto)
Fluxo de sentimentos – Parte 1
Dizem que os esquimós têm vinte nomes diferentes para a neve: um nome para a neve fofa, para a neve mais branca... porque, para eles, neve não é uma coisa só, eles que convivem tanto com a neve. Se nosso mundo fosse meu e nossa língua fosse minha, teríamos bem mais que vinte nomes diferentes para melancolia. Pelo menos melancolia é uma palavra bonita (como neve), é verdade, mas tão insuficiente pra abranger tudo que abrange...! Algum professor de psicologia deveria fazer um artigo, tese, texto acadêmico no qual elencasse e categorizasse os vários (milhares) subtipos de melancolia. Seria interessante.
Mas pior ainda são os sentimentos decorrentes da nostalgia ou da epifania que nem nome têm. Por isso também é que parecem tão íntimos e únicos. Falta-lhes o nome para parecer que existem de fato. Ficam parecendo ilusões, se perdem na incapacidade de comunicarmos para nós mesmos ou para os outros o que foi sentido. Mas também, se tudo tivesse nome, o que faria a arte?
Uma vez formei a idéia de escrever um conto/romance em que não aparecesse nomeado um sentimento. Todos eles seriam transmitidos de outra forma, com vários nomes sobrepostos, descritivos, dando uma dimensão real, precisa e imprecisa do que sentimos, quase como As ondas da Virgínia – no caso dela fluxo de consciência, no meu seria fluxo de sentimentos.
Coisa sobre a qual eu gosto de escrever e acho que pode ser a maior razão de ser da literatura: as sensações. Acho que formei essa opinião de tanto combater a idéia das pessoas de que é melhor “assistir o filme” a ler o livro. Ou de que a literatura é uma arte menor que as artes plásticas e a música, pois está cheia de palavras e por isso entranhada de argumentos do mundo palpável, dos significados. Mas tudo, meus amigos, a semiótica mesmo diz, está entranhado de significados, mesmo meu gosto por acariciar as folhas das árvores e das plantas enquanto caminho. Isso me angustia, o significado por trás de uma simples busca de sensação... O racional sempre permeando o sensorial. Há significados, mesmo nas artes plásticas e na música. E eu me recuso em ir ver uma exposição enquanto não for capaz de apreender o significado.
Mas, voltando ao que dizia sobre minha opinião de que a literatura deve ter como primeiro dever transmitir sentimentos e sensações, é por isso que prefiro os textos mais psicológicos. Sensações podem ser passadas num filme, podem ser interpretadas por um ator, mas nunca com a riqueza de detalhes que a literatura pode dar. Como a palavra melancolia, que sozinha vale por uma música inteira pois tem nela todos esses significados, todas as nossas lembranças. Pensamos através da linguagem, nos unimos através da linguagem e dos sentimentos. Como no Quarup está escrito que o Amor nos une a todos, pois todos sentem que desfrutaram igualmente desse sentimento. A palavra, o significado. Mas o significado íntimo que cada palavra terá para cada um. Se se busca algum pouquinho de originalidade, era o que devia ser feito: dizer como é que se sente a tristeza, como é que se sente o amor. Como é que se sente as coisas do mundo. Para isso, me desculpem, mas eu deveria permanecer no erro de ser autobiográfica ^^. Pois só posso adivinhar os sentimentos dos outros baseada nos meus próprios sentimentos. E, no fim, descobrimos que, apesar de parecerem tão íntimos e tão nossos, nossos sentimentos são todos tão semelhantes. A sensação que corre o meu corpo quando o vento toca a pele é a mesma. Única, própria, individual e universal ao mesmo tempo. É o que nos toca como magia na arte, afinal (será que é porque nossos sentimentos são aprendidos por imitação, como eu dizia ao reparar minha irmã aprendendo quando e porque deveria sorrir?).
Sinto às vezes que nasci para o curso de Letras. Sempre gostei das palavras, de pensar sobre elas, de me questionar sobre elas. Assim como nasci para a filosofia, mas para essa menos. Eu já disse isso aqui, isso eu lembro, eu perguntei pra professora da primeira série de onde apreendíamos o significado da primeira palavra se não sabíamos uma outra palavra antes. Sabem, como a questão do que veio primeiro. Seria apenas apontando a mesa e dizendo “mesa”? Mas e os sentimentos? Outra dúvida (ou coisa que questiono) que tenho até hoje é sobre o que compõe os pensamentos. Dizem que eles vêm da linguagem e eu comprei a idéia porque eu realmente valorizo muito ela, palavras são meus ídolos religiosos. Mas eu lembro de muito pequena, quando não tinha ainda perscrutado minhas próprias idéias, na primeira vez que me questionei, de ter entrado num mundo, desbravado um emaranhado escuro sem substantivos, apenas uma fumaça, mais ou menos o estado cerebral primitivo do Alberto Caeiro. Era como se eu sentisse e pensasse sem usar palavras pra nomear nada, como se só houvesse o instinto puro. Como se eu fosse a Baleia do Vidas Secas – sem saber palavras, mas interpretando o mundo de alguma forma.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Sem título número 12 – Apanhado geral de coisas sem relação alguma
Na aula de hoje, os alunos estavam participando de uma dinâmica em que uma dupla escolhida ia na frente da sala, respondia umas perguntas, pagava algum mico e depois voltava para a carteira. Depois de se apresentar, a dupla tinha ficado lá na frente parada.
Professora: O que estão fazendo aí ainda, meninos?
Dupla: Hã?
Professora: Sentem!
Dupla senta-se ali mesmo no chão.
You better hold on to your promises
Eu lembro. Lembro, agora, das pequenas cenas de rejeição que me deixaram pensando desse jeito.
Mas pra quê me importar com isso? Se é verdade que todos têm o mesmo medo e apenas evitam pensar no fim (pois sabem tanto quanto eu que ele existe), o que me chateia é que saber do fim já fere meu orgulho antecipadamente. Não é agradável dizer pra alguém que eu gosto ou expor isso de qualquer forma sabendo que não daqui a muito tempo isso será algo como uma falha. Sensação de estar me arriscando, subindo numa montanha-russa, apenas. Se eu não tivesse esse orgulho tão ferido, diversas vezes reconstituído e por isso fortíssimo, seria mais fácil deixar apenas me levar simplesmente pelo bem-estar. Mania minha também sempre olhar o lado negativo e ficar esperando impacientemente o pior!
Primeiro de Abril
Importante: observe bem o oponente pra saber como ele mais cairia na mentira. Testei todas as entonações e formas de dizer a mesma coisa possível. Todas deram certo.
Para a Eli, cara de quem vai contar uma novidade não muito surpreendente: “Sabia que eu voltei com o Daniel?”
Eli fica um pouco desconcertada, olha bem pra mim pra ver se estou mentindo, me mantenho impassível: “mas como...? Quando...?”
Minto mais um pouco, mas não suporto. Primeiro de abril. Preferível blefar all in com um par de 2 na mão do que dizer isso.
Pra mentir é preciso tornar a mentira provável. Essa probabilidade me exaspera. Fico irritada também porque fingir burrice e ver as pessoas acreditarem é um tanto quanto desagradável para a minha auto-estima (como eles acham provável que eu aja dessa forma? ).
Elaine. Aparento ingenuidade, cara de quem pegou doce escondido, confessou e tem medo de ser repreendido. Mesma frase.
Elaine se indigna, arregala os olhos. “Como? Quando isso? Eu não acredito, Marcely... mas por quê?”. Fico com pena da cara de mãe preocupada, então primeiro de abril.
Pati. Saio sorridente e saltitante, conto como se fosse a novidade mais maravilhosa do mundo.
- Pati, voltei com o Daniel! \o/
Pati vira o rosto, fica enfezada e quase sai andando sem dizer nada balançando negativamente a cabeça. A reação mais engraçada de todas. Quando ela está quase indo dizer algo como um parabéns sarcástico, eu digo que é mentira. Foi a que mais riu da piada.
Edi. Está lá meio abatida no canto, mas falo mesmo assim, dessa vez séria, aparentando que é uma novidade e tanto, que talvez ela possa gostar. Mesmo arregalar de olhos, mesmo “mas como assim? Mas e...?”. Sorrio e digo primeiro de abril. Faço ela rir um pouquinho. “Ah bom! Porque...”.
Professora Rosi. Conto enquanto estão entrando os alunos na sala, sorrindo com naturalidade, arrumando as coisas da mesa, da mesma forma que contei quando conheci amigos. Ela arregala os olhos, cara de quem não sabe se ri ou chora, incrédula, se agacha no chão com a mão no rosto. Eu digo primeiro de abril e ela dá tapas no ar na minha direção enquanto ri. Foi o jeito mais bonitinho de reagir.
Teve também o Pedro e o Gustavo pra quem contei sem demonstrar muita importância enquanto pegava comida no refeitório. Ficaram com cara de desnorteados, Gustavo dizendo que eu era contraditória porque ontem mesmo eu estava feliz por outra coisa muito diversa (ele foi o que mais achei improvável que fosse acreditar por isso mesmo, mas acreditou). Gente, eu que nunca soube mentir enganei tanta gente! Primeira vez que minto em larga escala num dia bobo como o primeiro de abril e ainda acreditam.
Pra finalizar, ainda consegui algo inédito com a aluna que me abordou dizendo: “professora, esqueci todo o meu material de português... =/”. Olho nos olhos dela e sorrio “Primeiro de Abril, né?” (“Ahhh! A professora de Filosofia acreditou quando eu disse pra ela!”). Eu não caí em uma mentira! Não caí! E até agora não caí em nenhuma (mas é como não tropeçar nas calçadas de Curitiba, quando eu acho que estou atingindo minha meta...).
Mas o importante é que sinto que logo realizarei sonho de vida de me sustentar somente através do pôquer.
Professora: O que estão fazendo aí ainda, meninos?
Dupla: Hã?
Professora: Sentem!
Dupla senta-se ali mesmo no chão.
You better hold on to your promises
Eu lembro. Lembro, agora, das pequenas cenas de rejeição que me deixaram pensando desse jeito.
Mas pra quê me importar com isso? Se é verdade que todos têm o mesmo medo e apenas evitam pensar no fim (pois sabem tanto quanto eu que ele existe), o que me chateia é que saber do fim já fere meu orgulho antecipadamente. Não é agradável dizer pra alguém que eu gosto ou expor isso de qualquer forma sabendo que não daqui a muito tempo isso será algo como uma falha. Sensação de estar me arriscando, subindo numa montanha-russa, apenas. Se eu não tivesse esse orgulho tão ferido, diversas vezes reconstituído e por isso fortíssimo, seria mais fácil deixar apenas me levar simplesmente pelo bem-estar. Mania minha também sempre olhar o lado negativo e ficar esperando impacientemente o pior!
Primeiro de Abril
Importante: observe bem o oponente pra saber como ele mais cairia na mentira. Testei todas as entonações e formas de dizer a mesma coisa possível. Todas deram certo.
Para a Eli, cara de quem vai contar uma novidade não muito surpreendente: “Sabia que eu voltei com o Daniel?”
Eli fica um pouco desconcertada, olha bem pra mim pra ver se estou mentindo, me mantenho impassível: “mas como...? Quando...?”
Minto mais um pouco, mas não suporto. Primeiro de abril. Preferível blefar all in com um par de 2 na mão do que dizer isso.
Pra mentir é preciso tornar a mentira provável. Essa probabilidade me exaspera. Fico irritada também porque fingir burrice e ver as pessoas acreditarem é um tanto quanto desagradável para a minha auto-estima (como eles acham provável que eu aja dessa forma? ).
Elaine. Aparento ingenuidade, cara de quem pegou doce escondido, confessou e tem medo de ser repreendido. Mesma frase.
Elaine se indigna, arregala os olhos. “Como? Quando isso? Eu não acredito, Marcely... mas por quê?”. Fico com pena da cara de mãe preocupada, então primeiro de abril.
Pati. Saio sorridente e saltitante, conto como se fosse a novidade mais maravilhosa do mundo.
- Pati, voltei com o Daniel! \o/
Pati vira o rosto, fica enfezada e quase sai andando sem dizer nada balançando negativamente a cabeça. A reação mais engraçada de todas. Quando ela está quase indo dizer algo como um parabéns sarcástico, eu digo que é mentira. Foi a que mais riu da piada.
Edi. Está lá meio abatida no canto, mas falo mesmo assim, dessa vez séria, aparentando que é uma novidade e tanto, que talvez ela possa gostar. Mesmo arregalar de olhos, mesmo “mas como assim? Mas e...?”. Sorrio e digo primeiro de abril. Faço ela rir um pouquinho. “Ah bom! Porque...”.
Professora Rosi. Conto enquanto estão entrando os alunos na sala, sorrindo com naturalidade, arrumando as coisas da mesa, da mesma forma que contei quando conheci amigos. Ela arregala os olhos, cara de quem não sabe se ri ou chora, incrédula, se agacha no chão com a mão no rosto. Eu digo primeiro de abril e ela dá tapas no ar na minha direção enquanto ri. Foi o jeito mais bonitinho de reagir.
Teve também o Pedro e o Gustavo pra quem contei sem demonstrar muita importância enquanto pegava comida no refeitório. Ficaram com cara de desnorteados, Gustavo dizendo que eu era contraditória porque ontem mesmo eu estava feliz por outra coisa muito diversa (ele foi o que mais achei improvável que fosse acreditar por isso mesmo, mas acreditou). Gente, eu que nunca soube mentir enganei tanta gente! Primeira vez que minto em larga escala num dia bobo como o primeiro de abril e ainda acreditam.
Pra finalizar, ainda consegui algo inédito com a aluna que me abordou dizendo: “professora, esqueci todo o meu material de português... =/”. Olho nos olhos dela e sorrio “Primeiro de Abril, né?” (“Ahhh! A professora de Filosofia acreditou quando eu disse pra ela!”). Eu não caí em uma mentira! Não caí! E até agora não caí em nenhuma (mas é como não tropeçar nas calçadas de Curitiba, quando eu acho que estou atingindo minha meta...).
Mas o importante é que sinto que logo realizarei sonho de vida de me sustentar somente através do pôquer.
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