Acordei: 7 horas da manhã, gosto de acordar logo cedo. Sinto-me feliz, satisfeito, tomo café, fodo com os outros e nem percebo. Sou feliz. Escrevo auto-ajuda, dou aulas, converso com todos, me sinto útil, vencedor, ajudo o mundo. Um verdadeiro líder. Converso com meu filho, aturo minha mulher (ou ex...), me mantenho ocupado o dia inteiro. Sou um homem ocupado ajudando o mundo. Faço poesias, sou amado por alguns alunos, alguns amigos. Faço o que deve ser feito, vivo satisfeito e feliz. Muitos colegas. Vivo em harmonia com o mundo. Nunca nem desconfiaria o quanto estou abaixo da mediocridade, não aceito críticas. Vou morrer na mediocridade, mas fui feliz a vida toda.
Enquanto ela. Ela viveu querendo ser apenas feliz, mas tinha projetos demais, sonhos demais acima da mediocridade. Por isso tinha auto-crítica, por isso vivia descontente consigo, com o mundo todo. Jamais leria/escreveria uma auto-ajuda. Jamais se achou capaz de poesia e, quando sim, não confiava nelas como eu confiei em cada palavra e atitude minha.
É óbvio – e isso não sou eu que digo, pois vivo numa ignorância bastante ocupada, cheia de diplomas e certificados –, é óbvio que a mediocridade é necessidade básica pra qualquer alegria ou felicidade. Fernando Pessoa, ou seu heterônimo, sabia disso e ele sim foi um grande homem. Mas deve ter sofrido. No mínimo trabalhado muito – de verdade. Eu quero ajudar o mundo e apenas faço meus rabiscos toscos, desiguais, cuspindo idiotice. Eu me sinto útil e satisfeito porque só vou seguindo a correnteza. Eu como chocolates como se não houvesse metafísica. Eu acredito em Jesus e Paulo Freire.
Quando eu morrer, é bem possível, não serei lembrado. Mas creio que vou, que construo edifícios muito estáveis (não sei diferenciar concreto de palha).
Enquanto ela, ela sabe que seu único grande feito que parece ter sido pintar o cabelo. Pintar o cabelo, alguns trocadilhos, uns posts e um conto. Tudo ainda muito palha – o problema é que ela diferencia.
A lembrança que nós tanto dependemos pra continuar vivos, isso tudo é do mesmo medo de morrer. Mas se morre. Eu vou para o céu. Ela acha que simplesmente some. E que seus ossos não virarão de chocolate só porque fez, ou porque foi algo.
É como se a vida fosse seu único Deus: aquele que se Teme dizendo que se ama. Ela Teme a vida – ou a morte, dá no mesmo, porque só na vida se tem consciência da morte. Ela teme e vive de temor. Um dia ela virou atéia porque achava impossível sustentar uma relação baseada só em medo. Quanto à vida, é o mesmo.
Eu não, eu pergunto amenidades para algum conhecido cansado do meu interrogatório. E eu nem desconfio.
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Eu me sinto tão... magra!
Ocorre que eu estava com minha aziazinha e meu temível refluxo, mas nada disso impedia minhas tarefas e vivências como ser social que sou. Porém, eu, muito interessada em comer novamente todo tipo de lixo sem ficar com a boca azeda, paguei caro por aqueles malditos remédios que me receitaram. Eis que começo a tomar eles sexta, fico com uma agitação pavorosa desde sábado, terça já estava miando meu estômago pelo nariz.
Cabe dizer mais uma vez que, apesar de toda tontura por falta de comida, todo o enjôo e impossibilidade visível de qualquer contato com a sociedade lá fora e com meus afazeres, isso não é nem 1/4 pior do que a agitação que eu estava e que me impedia na minha sociabilidade invisivelmente, me forçando a ficar contra minha vontade minutos inteiros sentada ou tentando apanhar o resto de concentração que me restava.
Ainda assim, nunca tive um acesso de dor de estômago tão horrível quanto aquele de terça-feira, NUNCA. Os espasmos estomacais eram tão fortes que a minha primeira sensação ruim sobre minha condição foi uma dor nas costas – sim, minha dor no estômago refletiu nas costas.
Pois bem, agora rememoremos – já que é a única coisa que nos resta neste cativeiro branco em que estou vivendo há dois dias, sem comida fácil, sem ninguém, sem tv, e com livros ruins apenas. Esses remédios magníficos que só faltaram me matar misericordiosamente foram receitados por nada mais nada menos que 3, TRÊS, médicos. Tudo bem que dois deles ainda não eram formados, mas pelo menos um era professor, e os outros estavam ali pelo 4º ano. Agora, me digam, se algum hipocondríaco diz no seu consultório que está com uma dor forte no peito toda vez que passa por um nervosismo (afinal, conferi pela web que realmente refluxo geralmente é confundido com taquicardia), vocês, em sã consciência, passariam para esta pobre alma um remédio que pode causar uma agitação extrema a ponto de elevar qualquer estresse a máxima potência? Mesmo que fosse pura imaginação de hipocondríaco eu jamais – JAMAIS – faria isso com alguém. O Daniel disse que pelo menos um deles é retardado. Eu concluo que além de um retardado outro fazia parte do grupo de lobotomia de risco e a outra fazia lavagem cerebral a seco.
Mas deixemos o fato de eles terem me receitado venenos, terem esquecido de colocar o número do CRM na receita (o que quase me impossibilitou de conseguir comprar o remédio não fosse uma assinatura falsa da farmacêutica) e terem me deixado 4h esperando no hospital de lado. Vamos pensar positivamente que pelo menos eu estou... emagrecendo e não indo trabalhar!
Bem, nisso, tudo tem dois lados – é comum mesmo na coisa mais banal eu ser contraditória –, ocorre também que eu não fiquei tão inutilizada a ponto de não ir fazer uma das provas ontem (das duas que tinha), eu pelo menos hoje tenho tv pra assistir graças à magnificência do Daniel que se deu ao trabalho de instalar um programinha com uma tv de duas polegadas que mal dá pra enxergar a mais de 1m de distância. O problema é que ele esqueceu de instalar o áudio – assim como se esqueceu de ligar pra saber se eu estava bem. À parte o sofrimento que o Daniel deve sentir devido a esses problemas de memória, ele foi muito útil chegando ontem do trabalho e ir fazer compras pra me agradar e, entre outras coisas, comprou 1l de sorvete, uma caixa de croissants recheados com mortadela e uma batata estilo pringles sabor churrasco só pra mim. Puxa, eu fiquei tão emocionada, principalmente porque minutos antes de ele ir às compras (com o meu dinheiro) eu tinha contado a triste história de quando eu fiquei doente tempos atrás, minha mãe teve que ir à igreja e deixou meus meio-irmãos e irmãos tomando conta de mim e eles me ofereceram de almoço nada mais nada menos que um pote de amendoim japonês. Oremos pelo Daniel e sua deficiência mental tão triste e em estado tão avançado(lembrem-me de me indicar adoção quando eu estiver interessada em filhos).
Depois de fazer interpretação do que se tratava todos os desenhos através apenas de imagens e o que os carismáticos protagonistas do Bom Dia e Cia. queriam dizer enquanto escreviam caracteres japonês numa lousa, eu cheguei à conclusão de que deveria ler e comer alguma coisa para forrar por uns segundos o estômago. Eis que descobri que Lima Barreto é o narrador mais desagradável, desinteressante e sem malemolência de toda a história literária (por coincidência ele não gostava do Machado, lastimável infiel u.u), que meu professor, que eu estimo tanto e lê um livro por dia e diz que qualquer um pode ser escritor, infelizmente escreve mal à beça, e que dentre todos os livros ainda não lidos que eu tinha na minha parca biblioteca, eu achei ótimo e muito bem escrito Este Lado do Paraíso do Fitzgerald – que, notem, é um best-seller... talvez meu gosto seja apenas pela tradução... o.o.
Outra coisa que eu acho digno de nota é o fato do meu estômago possuir uma inteligência própria e particular – assim como o Dã –, pois de todas as coisas que pararam no meu estômago eu listo uma caneca de café-com-leite, dois croissants, 4 colheres de sorvete e uma mordida do salgadinho estilo pringles sabor churrasco. Dentre as coisas que eu miei estão respectivamente: banana, chá de camomila e maçã e maçã. E eu juro: não estou brincando.
Agora então, eu decidi escrever quando me percebi por demais solitária apesar das 5 ligações tão solícitas e queridas que recebi pela manhã. Três eram da minha mãe: uma querendo saber se eu tinha melhorado da agitação e se eu tinha entrado para as aulas de ioga além de me receitar um tipo de alimentação (não comer muitos legumes e verduras porque a anoréxica morreu comendo tomate e banana), outra pra me indicar tipos de alimentação e mais ensinamentos sobre culinária, a outra idem à segunda. As outras duas ligações foram do meu patrão dizendo que notara que perdêramos o contanto (obviamente deve ser saudades), se eu estava bem (ele ficou muito triste com minha situação e desejou melhoras pra que eu pudesse trabalhar amanhã), na outra ligação ele queria saber o destino de uma papelada (pobrezinho, queria me distrair, me fazer sentir útil ^^).
Eu me sinto muito agraciada pelas pessoas a minha volta, o problema é que não sei porque defeito intrínseco eu estou desejandomatar todos eles brutalmente voltar pra casa da minha mãe e ser cuidada, alimentada e ter tv (de verdade e a cabo! E, sim, os problemas com tv devem ter alguma relação direta comigo, notaram? Foi só eu tirar os pés de casa que eles adquiriram uma nova e ver tv virou virtude), porque de alguma forma eu me sinto responsável por todo esse mal-estar – pois toda vez que sinto um indício de melhora eu imploro de mim pra mim pra voltar a ficar doente, pois preferiria morrer docemente em meio a vômito e solidão do que retornar ao trabalho.
Tenho passado as noites chorando com medo de melhorar e ao mesmo tempo não querendo piorar. Agradável sensação é essa de saber que meu estresse e minha depressão chegaram ao limite e tudo o que eu ganho é um desprezo imenso porque não quero mais trabalhar de empregadinha inútil pra um tremendo otário. Pelo menos desprezo é o que leio otimistamente na cara do Dã quando ele está dormindo e acorda com uma fungada um pouco mais ruidosa que dou, ou então na possível cara de indiferença disfarçada de "estou morrendo de pena ¬¬" que ele me faz nos raros momentos em que o vejo acordado.
E é assim que eu termino este bem-humorado e interessantíssimo post: em meio à solidão total e à preguiça somatizante. Agora vou lá comer mais das batatas estilo pringles sabor churrasco.
(Ah!, e não, eu não vou fazer ioga... acho que me tornar zen ia tirar todo esse meu charme especial e me impediria de ser uma grande escritora. Então lembre-se, se um dia escolhi sofrer foi por você, humanidade *.*)
Cabe dizer mais uma vez que, apesar de toda tontura por falta de comida, todo o enjôo e impossibilidade visível de qualquer contato com a sociedade lá fora e com meus afazeres, isso não é nem 1/4 pior do que a agitação que eu estava e que me impedia na minha sociabilidade invisivelmente, me forçando a ficar contra minha vontade minutos inteiros sentada ou tentando apanhar o resto de concentração que me restava.
Ainda assim, nunca tive um acesso de dor de estômago tão horrível quanto aquele de terça-feira, NUNCA. Os espasmos estomacais eram tão fortes que a minha primeira sensação ruim sobre minha condição foi uma dor nas costas – sim, minha dor no estômago refletiu nas costas.
Pois bem, agora rememoremos – já que é a única coisa que nos resta neste cativeiro branco em que estou vivendo há dois dias, sem comida fácil, sem ninguém, sem tv, e com livros ruins apenas. Esses remédios magníficos que só faltaram me matar misericordiosamente foram receitados por nada mais nada menos que 3, TRÊS, médicos. Tudo bem que dois deles ainda não eram formados, mas pelo menos um era professor, e os outros estavam ali pelo 4º ano. Agora, me digam, se algum hipocondríaco diz no seu consultório que está com uma dor forte no peito toda vez que passa por um nervosismo (afinal, conferi pela web que realmente refluxo geralmente é confundido com taquicardia), vocês, em sã consciência, passariam para esta pobre alma um remédio que pode causar uma agitação extrema a ponto de elevar qualquer estresse a máxima potência? Mesmo que fosse pura imaginação de hipocondríaco eu jamais – JAMAIS – faria isso com alguém. O Daniel disse que pelo menos um deles é retardado. Eu concluo que além de um retardado outro fazia parte do grupo de lobotomia de risco e a outra fazia lavagem cerebral a seco.
Mas deixemos o fato de eles terem me receitado venenos, terem esquecido de colocar o número do CRM na receita (o que quase me impossibilitou de conseguir comprar o remédio não fosse uma assinatura falsa da farmacêutica) e terem me deixado 4h esperando no hospital de lado. Vamos pensar positivamente que pelo menos eu estou... emagrecendo e não indo trabalhar!
Bem, nisso, tudo tem dois lados – é comum mesmo na coisa mais banal eu ser contraditória –, ocorre também que eu não fiquei tão inutilizada a ponto de não ir fazer uma das provas ontem (das duas que tinha), eu pelo menos hoje tenho tv pra assistir graças à magnificência do Daniel que se deu ao trabalho de instalar um programinha com uma tv de duas polegadas que mal dá pra enxergar a mais de 1m de distância. O problema é que ele esqueceu de instalar o áudio – assim como se esqueceu de ligar pra saber se eu estava bem. À parte o sofrimento que o Daniel deve sentir devido a esses problemas de memória, ele foi muito útil chegando ontem do trabalho e ir fazer compras pra me agradar e, entre outras coisas, comprou 1l de sorvete, uma caixa de croissants recheados com mortadela e uma batata estilo pringles sabor churrasco só pra mim. Puxa, eu fiquei tão emocionada, principalmente porque minutos antes de ele ir às compras (com o meu dinheiro) eu tinha contado a triste história de quando eu fiquei doente tempos atrás, minha mãe teve que ir à igreja e deixou meus meio-irmãos e irmãos tomando conta de mim e eles me ofereceram de almoço nada mais nada menos que um pote de amendoim japonês. Oremos pelo Daniel e sua deficiência mental tão triste e em estado tão avançado(lembrem-me de me indicar adoção quando eu estiver interessada em filhos).
Depois de fazer interpretação do que se tratava todos os desenhos através apenas de imagens e o que os carismáticos protagonistas do Bom Dia e Cia. queriam dizer enquanto escreviam caracteres japonês numa lousa, eu cheguei à conclusão de que deveria ler e comer alguma coisa para forrar por uns segundos o estômago. Eis que descobri que Lima Barreto é o narrador mais desagradável, desinteressante e sem malemolência de toda a história literária (por coincidência ele não gostava do Machado, lastimável infiel u.u), que meu professor, que eu estimo tanto e lê um livro por dia e diz que qualquer um pode ser escritor, infelizmente escreve mal à beça, e que dentre todos os livros ainda não lidos que eu tinha na minha parca biblioteca, eu achei ótimo e muito bem escrito Este Lado do Paraíso do Fitzgerald – que, notem, é um best-seller... talvez meu gosto seja apenas pela tradução... o.o.
Outra coisa que eu acho digno de nota é o fato do meu estômago possuir uma inteligência própria e particular – assim como o Dã –, pois de todas as coisas que pararam no meu estômago eu listo uma caneca de café-com-leite, dois croissants, 4 colheres de sorvete e uma mordida do salgadinho estilo pringles sabor churrasco. Dentre as coisas que eu miei estão respectivamente: banana, chá de camomila e maçã e maçã. E eu juro: não estou brincando.
Agora então, eu decidi escrever quando me percebi por demais solitária apesar das 5 ligações tão solícitas e queridas que recebi pela manhã. Três eram da minha mãe: uma querendo saber se eu tinha melhorado da agitação e se eu tinha entrado para as aulas de ioga além de me receitar um tipo de alimentação (não comer muitos legumes e verduras porque a anoréxica morreu comendo tomate e banana), outra pra me indicar tipos de alimentação e mais ensinamentos sobre culinária, a outra idem à segunda. As outras duas ligações foram do meu patrão dizendo que notara que perdêramos o contanto (obviamente deve ser saudades), se eu estava bem (ele ficou muito triste com minha situação e desejou melhoras pra que eu pudesse trabalhar amanhã), na outra ligação ele queria saber o destino de uma papelada (pobrezinho, queria me distrair, me fazer sentir útil ^^).
Eu me sinto muito agraciada pelas pessoas a minha volta, o problema é que não sei porque defeito intrínseco eu estou desejando
Tenho passado as noites chorando com medo de melhorar e ao mesmo tempo não querendo piorar. Agradável sensação é essa de saber que meu estresse e minha depressão chegaram ao limite e tudo o que eu ganho é um desprezo imenso porque não quero mais trabalhar de empregadinha inútil pra um tremendo otário. Pelo menos desprezo é o que leio otimistamente na cara do Dã quando ele está dormindo e acorda com uma fungada um pouco mais ruidosa que dou, ou então na possível cara de indiferença disfarçada de "estou morrendo de pena ¬¬" que ele me faz nos raros momentos em que o vejo acordado.
E é assim que eu termino este bem-humorado e interessantíssimo post: em meio à solidão total e à preguiça somatizante. Agora vou lá comer mais das batatas estilo pringles sabor churrasco.
(Ah!, e não, eu não vou fazer ioga... acho que me tornar zen ia tirar todo esse meu charme especial e me impediria de ser uma grande escritora. Então lembre-se, se um dia escolhi sofrer foi por você, humanidade *.*)
domingo, 19 de novembro de 2006
Tum-tu-tum-tu-tum-tu
Sozinha num domingo.Vejam, domingo sempre é pra mim um dia ruim, mas apesar disso não é ruim hoje como os outros.
Ruim ta minha cabeça, minhas pernas, meu corpo, que não se concentram em nada, que não se mantêm parados. Que há? Não sei, acho que qualquer comprimido que eu tome sempre me dá reações adversas – e antes que me acusem de hipocondríaca eu tive as reações antes de saber quais eram.
Parece que estou rodando em alta velocidade e minha cabeça só vê vultos, ainda que eu não tenha tontura minha cabeça está assim, rápida e imprecisa.
Não dormi à noite por causa das anoréxicas – de novo fiquei fuçando a vida delas. Eu fico assustada, eu entro num buraco, vejo esqueletos à noite – parece até brincadeira. Eu não deixo de entrar na cabeça delas – e tenho medo. Imagino o que é entrar em um fenda de uma escuridão medonha e não poder sair, só afundar – pavor. Penso na vida como uma não bem escolha... isso também assusta, pelo determinismo em termos que acredito.
Ontem, antes de dormir, eu perguntei ao Dã:
- Qual a semelhança entre o mar e o céu além das estrelas?
Porque eu sinto medo tanto do mar, do oceano, quanto do universo, o mesmo pavor.
- Talvez seja o medo de não saber o que vai vir, onde está... como o medo que você tem do escuro.
Às vezes tenho esse mesmo medo pela minha vida, de não saber o que vai vir, onde estou, eu disse. E o Dã respondeu que se sentia assim naquela hora.
Às 4h da manhã acordei alarmada sem conseguir dormir. Pensando em dizer pro Daniel trocar de lado comigo – sim, eu tenho mesmo medo do escuro u.u – sem querer prejudicar ele com isso, pensando que não devia ter assistido tantos videozinhos que mantinham minha mente aqui, ali, sem conseguir pousar em nada pra descansar... e de algum jeito eu estava convencida de que existia uma outra eu, em outro lugar – logo abaixo do meu corpo, na outra dimensão –, que dormia bem, porque tinha conseguido, ao contrário de mim que era a imagem da fracassada.
Meu deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeus eu não consigo ficar parada 0.0!
***
Todos torçam pra que ele vá muito bem no vestibular. Isso!
Ruim ta minha cabeça, minhas pernas, meu corpo, que não se concentram em nada, que não se mantêm parados. Que há? Não sei, acho que qualquer comprimido que eu tome sempre me dá reações adversas – e antes que me acusem de hipocondríaca eu tive as reações antes de saber quais eram.
Parece que estou rodando em alta velocidade e minha cabeça só vê vultos, ainda que eu não tenha tontura minha cabeça está assim, rápida e imprecisa.
Não dormi à noite por causa das anoréxicas – de novo fiquei fuçando a vida delas. Eu fico assustada, eu entro num buraco, vejo esqueletos à noite – parece até brincadeira. Eu não deixo de entrar na cabeça delas – e tenho medo. Imagino o que é entrar em um fenda de uma escuridão medonha e não poder sair, só afundar – pavor. Penso na vida como uma não bem escolha... isso também assusta, pelo determinismo em termos que acredito.
Ontem, antes de dormir, eu perguntei ao Dã:
- Qual a semelhança entre o mar e o céu além das estrelas?
Porque eu sinto medo tanto do mar, do oceano, quanto do universo, o mesmo pavor.
- Talvez seja o medo de não saber o que vai vir, onde está... como o medo que você tem do escuro.
Às vezes tenho esse mesmo medo pela minha vida, de não saber o que vai vir, onde estou, eu disse. E o Dã respondeu que se sentia assim naquela hora.
Às 4h da manhã acordei alarmada sem conseguir dormir. Pensando em dizer pro Daniel trocar de lado comigo – sim, eu tenho mesmo medo do escuro u.u – sem querer prejudicar ele com isso, pensando que não devia ter assistido tantos videozinhos que mantinham minha mente aqui, ali, sem conseguir pousar em nada pra descansar... e de algum jeito eu estava convencida de que existia uma outra eu, em outro lugar – logo abaixo do meu corpo, na outra dimensão –, que dormia bem, porque tinha conseguido, ao contrário de mim que era a imagem da fracassada.
Meu deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeus eu não consigo ficar parada 0.0!
***
Todos torçam pra que ele vá muito bem no vestibular. Isso!
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Wonka bar
Meu céu (sim, o céu é meu) hoje saiu de um gibi: ingênuo, azul claro com nuvens gordinhas, curtas e amontoadas. Eu não ia falar de tempo, mas eu vejo o céu refletido na tela do meu monitor (o monitor é meeeu, todo meu!), bem ao lado da minha cabeça (ok, minha cabeça não é tão minha assim).
Eu ia dizer que:
Não sou contra as pessoas se juntarem por terem opiniões iguais – é isso o que costumo fazer, quem pensa diferente de mim é tudo ignorante –, mas fazer o inverso: ter idéias padronizadas pra se juntar... bom, não é legal. E eu já disse isso, eu sei. Mas é que indo ontem ao barzinho indie (qualquer amontoado de pessoas no qual eu vá, eu sempre tiro essas conclusões) eu fiquei olhando aquele pessoal que gosta das mesmas roupas (eu também gosto das roupas deles, desde a minha infância eu tinha frisson por retrô por causa dos livros antigos que eu lia (eu sempre me justifico com livros, eles são sempre uma boa saída)), dos mesmos sons, dos mesmos filmes, da mesma época, da mesma idéia... Claro, eu generalizei tudo... mas digam se todos não tentam se enquadrar! ...e parecer descolados e felizes (eu tenho horror a essa parte e, sim, eu apostaria que eles estão fingindo, ninguém sabe ser social com desenvoltura daquele jeito). E são paga-paus de franceses. E escrevem, emitem frases demais em inglês (isso não é novo, eu sei, mas por quê, meu deus, por quê? \o/)... ok, wathever, no problem. É que eles se posicionam como detentores da maior cultura do mundo (pssst, fale baixo, não espalhe, a escória jamais entenderia, se entendesse não seria mais cultura), mas pra mim é tão contraditório que sendo culto dessa forma eles sejam assim tudo ignorante (a verdade é minha). Por isso que eu acho que eles só gostam para deter um status (o de gostar daquilo que você jamais ouviu falar: se você nunca ouviu falar e ele já, pronto, você está desarmado, não há o que discutir, afinal). Por mais que realmente gostassem, jamais admitiriam que gostam de algo conhecido. Andam com camisas da banda “X suck my lips of underground” ouvindo Shakira no Ipod (ok, Shakira foi maldade, não quis dizer que você é um deles).
Ta bom, eu gostei do barzinho, da música francesa do andar de baixo (alguém sabe me dizer qual era? Eu colei ao lado do carinha que ia dizer, mas não consegui ouvir). Mas ainda acho que eles importam uma música, uma moda, uma cultura, um jeito de pensar, uma língua, porque estão totalmente deslocados. Eu queria ser capaz de lançar uma modinha própria (mas não tenho dinheiro pra comprar roupa) e o máximo da minha esperteza foi pensar – tarde demais – que eu queria pintar o cabelo de azul – virou moda antes de mim, malditos! De qualquer forma eu tinha me baseado no filme – também tarde demais – e como vocês queriam? Que eu psicografasse uma forma de ser diferente do além? A gente recicla nossas idéias... por isso a importação. Pena.
E ainda já fui acusada por um reacionário e para um metaleiro de ser alternativa e poser-deprê. Olha, eu juro que às vezes também tenho vontade de metralhar esse povo da modinha não-temos-moda-nenhuma. Além de usar as roupas mais sem graças da moda mais contemporânea pra-você-que-quer-ter-estilo-de-parede (as roupas que eu uso, por sinal) eles têm mania de perseguição e você não pode dizer: "vou na cozinha beber água" que já lhe tascam um rótulo de tomadora de água poser.... ¬¬
Outra coisa que eu ia dizer é pra me lembrarem de NUNCA MAIS sair com o povo do meu curso... ô pessoal tapado, nem pra fingir que têm atitude como os cults, não o povo demora 5h pra tomar iniciativa de partir de um lugar para outro e ficaram mais 10h numa esquina pra saber em que barzinho iam (e foram para o mais caro, todos estavam fechados – Curitiba realmente é... ¬¬!)... eu tive mais de mil vezes a visão de coagir eles com uma arma (hummm...).
Outra coisa que eu pensava outro dia é que os modernistas foram uma reação ao formalismo todo dos parnasianos e tal, não foi? Tiraram a literatura da forma pela forma e eis que.... aqui estamos nós enxugando nossos contos para que eles caibam em uma linha. Sei lá, nada contra... mas que é, é (podem dizer, sou despeitada com os cults e com os mini-contistas... só porque eu sou prolixa u.u).
Eu ia dizer que:
Não sou contra as pessoas se juntarem por terem opiniões iguais – é isso o que costumo fazer, quem pensa diferente de mim é tudo ignorante –, mas fazer o inverso: ter idéias padronizadas pra se juntar... bom, não é legal. E eu já disse isso, eu sei. Mas é que indo ontem ao barzinho indie (qualquer amontoado de pessoas no qual eu vá, eu sempre tiro essas conclusões) eu fiquei olhando aquele pessoal que gosta das mesmas roupas (eu também gosto das roupas deles, desde a minha infância eu tinha frisson por retrô por causa dos livros antigos que eu lia (eu sempre me justifico com livros, eles são sempre uma boa saída)), dos mesmos sons, dos mesmos filmes, da mesma época, da mesma idéia... Claro, eu generalizei tudo... mas digam se todos não tentam se enquadrar! ...e parecer descolados e felizes (eu tenho horror a essa parte e, sim, eu apostaria que eles estão fingindo, ninguém sabe ser social com desenvoltura daquele jeito). E são paga-paus de franceses. E escrevem, emitem frases demais em inglês (isso não é novo, eu sei, mas por quê, meu deus, por quê? \o/)... ok, wathever, no problem. É que eles se posicionam como detentores da maior cultura do mundo (pssst, fale baixo, não espalhe, a escória jamais entenderia, se entendesse não seria mais cultura), mas pra mim é tão contraditório que sendo culto dessa forma eles sejam assim tudo ignorante (a verdade é minha). Por isso que eu acho que eles só gostam para deter um status (o de gostar daquilo que você jamais ouviu falar: se você nunca ouviu falar e ele já, pronto, você está desarmado, não há o que discutir, afinal). Por mais que realmente gostassem, jamais admitiriam que gostam de algo conhecido. Andam com camisas da banda “X suck my lips of underground” ouvindo Shakira no Ipod (ok, Shakira foi maldade, não quis dizer que você é um deles).
Ta bom, eu gostei do barzinho, da música francesa do andar de baixo (alguém sabe me dizer qual era? Eu colei ao lado do carinha que ia dizer, mas não consegui ouvir). Mas ainda acho que eles importam uma música, uma moda, uma cultura, um jeito de pensar, uma língua, porque estão totalmente deslocados. Eu queria ser capaz de lançar uma modinha própria (mas não tenho dinheiro pra comprar roupa) e o máximo da minha esperteza foi pensar – tarde demais – que eu queria pintar o cabelo de azul – virou moda antes de mim, malditos! De qualquer forma eu tinha me baseado no filme – também tarde demais – e como vocês queriam? Que eu psicografasse uma forma de ser diferente do além? A gente recicla nossas idéias... por isso a importação. Pena.
E ainda já fui acusada por um reacionário e para um metaleiro de ser alternativa e poser-deprê. Olha, eu juro que às vezes também tenho vontade de metralhar esse povo da modinha não-temos-moda-nenhuma. Além de usar as roupas mais sem graças da moda mais contemporânea pra-você-que-quer-ter-estilo-de-parede (as roupas que eu uso, por sinal) eles têm mania de perseguição e você não pode dizer: "vou na cozinha beber água" que já lhe tascam um rótulo de tomadora de água poser.... ¬¬
Outra coisa que eu ia dizer é pra me lembrarem de NUNCA MAIS sair com o povo do meu curso... ô pessoal tapado, nem pra fingir que têm atitude como os cults, não o povo demora 5h pra tomar iniciativa de partir de um lugar para outro e ficaram mais 10h numa esquina pra saber em que barzinho iam (e foram para o mais caro, todos estavam fechados – Curitiba realmente é... ¬¬!)... eu tive mais de mil vezes a visão de coagir eles com uma arma (hummm...).
Outra coisa que eu pensava outro dia é que os modernistas foram uma reação ao formalismo todo dos parnasianos e tal, não foi? Tiraram a literatura da forma pela forma e eis que.... aqui estamos nós enxugando nossos contos para que eles caibam em uma linha. Sei lá, nada contra... mas que é, é (podem dizer, sou despeitada com os cults e com os mini-contistas... só porque eu sou prolixa u.u).
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
Apanhado geral de idéias inexistentes e Da arte abismal de trocadilhar
Toca uma valsa, ela não sabe se é valsa. Hoje em dia não se ouve valsa! Mas se os pares se juntaram e estamos num aniversário de 15 anos, é claro que é valsa. Eu não sei o que é valsa, mas sei dançar valsa. É dois pra lá, dois pra cá. Valsa, valsa, valsa... é uma boa palavra. Janaína valsa uma valsa. A autora é enfática.
- Pode mijar na noiva.
Aquela comunidade, cria de um casal que se perdeu no meio do mato, um casal moderno, aberto, que tinha fetiches estranhos, aquela comunidade de filhos de irmãos (assim como nós também somos, levando-se em conta o Gênesis), aquela comunidade se criou em tradições muito estranhas. No lugar da aliança - porque eles não têm ouro por lá - eles mijam em seus pares, como um ritual de demarcação de território, é igualmente simbólico. Os mais rômanticos choram em meio a cerimônia, sonhando ser algum dia mijados. Na hora da festa ganham saquinhos surpresa, dentro vem caximbos de soprar bolas de plásticos. Quem deixar a bola suspensa por mais de meia hora é que será o próximo a casar.
Há muitos anos se acreditava que Eva tinha sido a primeira mulher, a primeira vaca da humanidade que fudeu com tudo. Com o advento do Protestantismo essa crença acabou por ser desmentida. Com as reformas dentro da igreja algo muito interessante se deslindou em uma nova leitura da bíblia. Uma tradução para o português revelou tudo: era Eva angélica.
Maria havia ficado admirada ao saber que ninguém mais ninguém menos do que ela em pessoa havia sido escolhida para dar a luz ao novo messias, filho de Deus. Sabia que era uma tarefa importante, complicadíssima, corria riscos incríveis, mas no momento certo de conceber o cristo em seu ventre, Maria saiu e se refugiou, inventando antes uma desculpa para o marido quanto a sua retirada. Voltando pra casa encontrou José que a esperava sentado a um canto da sala. Ele perguntou:
- E então, Maria, como foi no rodízio de carne?
- Ai, Zé, você não sabe o que perdeu... A lingüiça estava di-vi-na!
- Pode mijar na noiva.
Aquela comunidade, cria de um casal que se perdeu no meio do mato, um casal moderno, aberto, que tinha fetiches estranhos, aquela comunidade de filhos de irmãos (assim como nós também somos, levando-se em conta o Gênesis), aquela comunidade se criou em tradições muito estranhas. No lugar da aliança - porque eles não têm ouro por lá - eles mijam em seus pares, como um ritual de demarcação de território, é igualmente simbólico. Os mais rômanticos choram em meio a cerimônia, sonhando ser algum dia mijados. Na hora da festa ganham saquinhos surpresa, dentro vem caximbos de soprar bolas de plásticos. Quem deixar a bola suspensa por mais de meia hora é que será o próximo a casar.
Há muitos anos se acreditava que Eva tinha sido a primeira mulher, a primeira vaca da humanidade que fudeu com tudo. Com o advento do Protestantismo essa crença acabou por ser desmentida. Com as reformas dentro da igreja algo muito interessante se deslindou em uma nova leitura da bíblia. Uma tradução para o português revelou tudo: era Eva angélica.
Maria havia ficado admirada ao saber que ninguém mais ninguém menos do que ela em pessoa havia sido escolhida para dar a luz ao novo messias, filho de Deus. Sabia que era uma tarefa importante, complicadíssima, corria riscos incríveis, mas no momento certo de conceber o cristo em seu ventre, Maria saiu e se refugiou, inventando antes uma desculpa para o marido quanto a sua retirada. Voltando pra casa encontrou José que a esperava sentado a um canto da sala. Ele perguntou:
- E então, Maria, como foi no rodízio de carne?
- Ai, Zé, você não sabe o que perdeu... A lingüiça estava di-vi-na!
Poética
Tenho leis de como se deve escrever - que só servem pra mim mesma e pro meu gosto. Uma delas é, como já indicavam os modernistas (e a Bel me avisou primeiro), a de não usar pronome oblíquo. Pretérito mais-que-perfeito também não, não muito, quase nunca. Tudo isso deixa o texto pretensioso e sem estilo. Sentimentos já feitos também não: "ela se sentia deprimida". Deprimida não é tudo, é genérico, descreva como ela se sentiu, aproxime o leitor dela, transfira a sensação dela para o leitor, porque deprimida é constatação, entrar na pele é literatura. Evitar frases feitas. Mas não é um manual isso, eu já disse, é o que acho importante, não pensem que meu desmazelo é só falta de zelo, é técnica também (eu estou sendo irônica).
Aí entram as palavras. Pra mim palavras grandiosas não me cabem, eu tenho medo da eloqüência porque sou insegura, porque me acho pequena demais pra palavras grandes e tenho medo que me apontem depois e me digam: uiii a senhorita que se acha a escritoooura! Não, pra mim as palavras devem ser simples, sem pretensão, a não ser que as palavras sejam bonitas, como acontece com o estilo do Diego. Pra mim as palavras precisam ser simples, bem simples, a forma de usar é que não é simples. Precisam ser tão simples, tão simples que a idéia mais complexa fique óbvia e daí venha a graça - acho que isso aprendi do Machado.
Minha escrita é medrosa pela simplicidade e também pelo afastamento. Eu tenho horror de entregar as coisas. Como aquela frase do conto que diz "eu sou abusada pela minha própria mãe", eu tive, eu fui obrigada a escrever, mas eu me senti humilhada quando minha amiga citou ela pra me dizer que tinha lido o conto. E ainda disse com entonação de novela mexicana, me senti um lixo. Ainda assim fico feliz porque pelo menos duas pessoas leram o conto e nem perceberam que ela era abusada pela mãe, interpretaram só um relacionamento difícil entre mãe e filha. Dizer "eu sou abusada pela minha própria mãe" é como dizer que fulana estava deprimida, percebem? Justamente porque a intenção era dizer que isso realmente não é tudo.
Eu sou muito lógica, geralmente tenho medo de poesia... não sei interpretar a contento, e Manuel Bandeira me faz ficar envergonhada porque (porque ele é eloqüente e mistura isso com simplicidade, é como se fosse ingênuo) essa frase do poema Namorados (poema ótimo, eu sei): "A meninice brincou de novo nos olhos dela", pra mim tira por uma linha a simplicidade do texto e estraga ele um pouco. É o tipo de frase que eu usaria e depois ao reler ficaria extremamente envergonhada. É a mesma sensação de quando a gente sonha que sai e esqueceu de pôr a roupa. A vergonha, uma bofetada de presunção mal colocada (essa frase é pretensiosa!), que diz: como fui estúpida, ingênua, suja. E, realmente, é como quando a gente quer resumir e não consegue um texto. A gente quer passar uma idéia e não sabe de outro jeito que não saia parnasiana.
E eu acho que peso a mão na simplicidade, meu texto tem passado do simples pro simplório. Enfim, eu tenho medo com palavras, preguiça de rescrever também. Lembro de quando me metia a escrever um romance e quando retomava no dia seguinte, retomava só pra corrigir, corrigir as palavras mal postas, e não escrevia mais nada. Os romances eram ruins, de qualquer forma =). Eu rescrevia o início só pra reparar que ele era porco afinal - eu tinha leituras ruins.
Por falar nisso eu estava pensando em ser uma escritora ultra-revolucionária pós-pós-pós-modernista e criticar os próprios modernistas (como eles faziam com seus antepassados). Que tal esta:
Encanto
Eu faço versos como quem faz versos.
Ói que pássaro bonito!
Vou escrever uma poesia sobre vôo.
Hem? Hem? Ou alguém já teve essa idéia capciosa antes?
Aí entram as palavras. Pra mim palavras grandiosas não me cabem, eu tenho medo da eloqüência porque sou insegura, porque me acho pequena demais pra palavras grandes e tenho medo que me apontem depois e me digam: uiii a senhorita que se acha a escritoooura! Não, pra mim as palavras devem ser simples, sem pretensão, a não ser que as palavras sejam bonitas, como acontece com o estilo do Diego. Pra mim as palavras precisam ser simples, bem simples, a forma de usar é que não é simples. Precisam ser tão simples, tão simples que a idéia mais complexa fique óbvia e daí venha a graça - acho que isso aprendi do Machado.
Minha escrita é medrosa pela simplicidade e também pelo afastamento. Eu tenho horror de entregar as coisas. Como aquela frase do conto que diz "eu sou abusada pela minha própria mãe", eu tive, eu fui obrigada a escrever, mas eu me senti humilhada quando minha amiga citou ela pra me dizer que tinha lido o conto. E ainda disse com entonação de novela mexicana, me senti um lixo. Ainda assim fico feliz porque pelo menos duas pessoas leram o conto e nem perceberam que ela era abusada pela mãe, interpretaram só um relacionamento difícil entre mãe e filha. Dizer "eu sou abusada pela minha própria mãe" é como dizer que fulana estava deprimida, percebem? Justamente porque a intenção era dizer que isso realmente não é tudo.
Eu sou muito lógica, geralmente tenho medo de poesia... não sei interpretar a contento, e Manuel Bandeira me faz ficar envergonhada porque (porque ele é eloqüente e mistura isso com simplicidade, é como se fosse ingênuo) essa frase do poema Namorados (poema ótimo, eu sei): "A meninice brincou de novo nos olhos dela", pra mim tira por uma linha a simplicidade do texto e estraga ele um pouco. É o tipo de frase que eu usaria e depois ao reler ficaria extremamente envergonhada. É a mesma sensação de quando a gente sonha que sai e esqueceu de pôr a roupa. A vergonha, uma bofetada de presunção mal colocada (essa frase é pretensiosa!), que diz: como fui estúpida, ingênua, suja. E, realmente, é como quando a gente quer resumir e não consegue um texto. A gente quer passar uma idéia e não sabe de outro jeito que não saia parnasiana.
E eu acho que peso a mão na simplicidade, meu texto tem passado do simples pro simplório. Enfim, eu tenho medo com palavras, preguiça de rescrever também. Lembro de quando me metia a escrever um romance e quando retomava no dia seguinte, retomava só pra corrigir, corrigir as palavras mal postas, e não escrevia mais nada. Os romances eram ruins, de qualquer forma =). Eu rescrevia o início só pra reparar que ele era porco afinal - eu tinha leituras ruins.
Por falar nisso eu estava pensando em ser uma escritora ultra-revolucionária pós-pós-pós-modernista e criticar os próprios modernistas (como eles faziam com seus antepassados). Que tal esta:
Encanto
Eu faço versos como quem faz versos.
Ói que pássaro bonito!
Vou escrever uma poesia sobre vôo.
Hem? Hem? Ou alguém já teve essa idéia capciosa antes?
Na saúde e na doença
Tenta o amor através da piedade, não consegue, e por isso tem auto-piedade e recebe hostilidade que gera mais auto-piedade... Ciclo destrutivo, ser cuidado também é carinho, mas não era melhor criar amor por amor? A velhinha de trás chora de dor, diz que caiu de manhãzinha ali na porta, fala de acidentes de carro (o interesse pela dor se abrange). A outra mulher, a do meu lado, dizia que não doera nada seu infarto porque na hora estava dormindo. Nessa hora até me agradou ter dor no peito: teria uma possibilidade de morte tranqüila. Ela contou da dor insuportável de fazer cateterismo - comecei a sentir medo.
Das 11:15, mais ou menos, às 13h... Depois das 15h até 17h, calculo que fiquei 4h esperando ser atendida no hospital. E ficaram mais que meia hora perguntando até que número eu calço pra eu ficar sabendo que... que eu não tenho nada. Quase nada. Porque a essa dorzinha contínua no peito que sinto há uma semana eu poderia dar qualquer diagnóstico, menos esse que me deram. Eu sei que sou exagerada, por isso evito ir ao hospital a não ser que esteja realmente preocupada ou incomodada. Como dessa vez eu estava achando que podia ser uma classuda tuberculose, um trágico câncer, um sopro no coração (isso soa tão bem!), mas como não sou uma personagem dramática, e sim tragicômica, eu tenho um feio, pobre, nojento negócio chamado refluxo ou algo assim, algo parecido com... azia. Sim, uma azia, me matem! Quem terá comiseração e orgulho de mim por eu ter uma simples azia, por meu estômago ser lerdo? E ainda me passam remédio pra tomar! 4 horas e meia jogadas fora, forinha! Porque não, eu não vou tomar remédio (meu dinheiro é exclusivo pra coisas supérfluas), não eu não vou inclinar minha cama, embora seja bem possível que eu morra, só de sacanagem, engasgada enquanto durmo (muito poético isso!). Eles ainda tiraram uma com a minha cara porque, numa das perguntas, descobriram que eu tinha ido ano passado no hospital por conta de uma dor no joelho - que acabou se diagnosticando como uma espécie de tendinite - e eu disse que não tinha tomado o remédio que me receitaram. Então o professor virou e disse algo como "é só o médico tocar na pessoa que sara". Ora, se não tomei foi porque fui lá só saber se era câncer ou algo assim, tomar analgésico é que eu não ia tomar, é só pra aliviar a dor, se ainda fosse algo pra me curar! Saí de lá envergonhada e me jurei que só vou no hospital de novo depois que estiver sentindo algo insuportável por um ano ou mais, posso quebrar mil costelas agora que irei ficar de repouso em casa.
Além de dois tabletes intermináveis de remédios (algo como 4 comprimidos a cada fase do dia), eles ainda me aconselharam a não tomar café, comer menos fritura, doce e principalmente chocolate. Parece brincadeira que além de tirarem meu único motivo pra férias e ganho de carinho extra, eles ainda querem tirar a única satisfação da minha vida que é comer besteira! Fiquei relembrando certa conversa que ouvi ontem dum cara que dizia que deveria ser proibido as pessoas fazerem piadas de cegos, de bêbados (que ele chamou de "uma doença tão terrível como o alcoolismo"), de etc. Poxa vida, se depender de vetar piadas prum mundo melhor e sério, prefiro um mundo pior engraçado. Imagina não poder rir de nossas desgraças, por exemplo! Eu nem teria um blog, sem isso.
E o remédio eu não compro não. Me convenci de que, sendo refluxo algo que não aparenta nada por fora, nem vale a pena. Melhor pegar esse dinheiro e em comprar camisetas, tinta pra cabelo, café, batata frita, doce, chocolate. Ao menos os dois primeiros todos irão ver, elogiar e quem sabe me dar os tais carinhos extras. Afinal, eu posso estar morrendo por dentro, estando impecável por fora é o que importa. E pra unhas quebradas existe postiças, rosto pálido maquiagem, cabelo feio química. Pra superficialidade e burrice eu posso pelo menos andar com um livro intelectual por aí e fingir que leio ou estampar pelas ruas com minha bolsa de Letras na Federal. Se aparência não fosse fundamental as pessoas não vestiriam nem maquiariam defuntos. Ou não investiriam em lápides, pelo menos urna bonitona. Enfim, beleza é mais importante que a própria vida. Geralmente são bonitas obras com gente morrendo no final.
Das 11:15, mais ou menos, às 13h... Depois das 15h até 17h, calculo que fiquei 4h esperando ser atendida no hospital. E ficaram mais que meia hora perguntando até que número eu calço pra eu ficar sabendo que... que eu não tenho nada. Quase nada. Porque a essa dorzinha contínua no peito que sinto há uma semana eu poderia dar qualquer diagnóstico, menos esse que me deram. Eu sei que sou exagerada, por isso evito ir ao hospital a não ser que esteja realmente preocupada ou incomodada. Como dessa vez eu estava achando que podia ser uma classuda tuberculose, um trágico câncer, um sopro no coração (isso soa tão bem!), mas como não sou uma personagem dramática, e sim tragicômica, eu tenho um feio, pobre, nojento negócio chamado refluxo ou algo assim, algo parecido com... azia. Sim, uma azia, me matem! Quem terá comiseração e orgulho de mim por eu ter uma simples azia, por meu estômago ser lerdo? E ainda me passam remédio pra tomar! 4 horas e meia jogadas fora, forinha! Porque não, eu não vou tomar remédio (meu dinheiro é exclusivo pra coisas supérfluas), não eu não vou inclinar minha cama, embora seja bem possível que eu morra, só de sacanagem, engasgada enquanto durmo (muito poético isso!). Eles ainda tiraram uma com a minha cara porque, numa das perguntas, descobriram que eu tinha ido ano passado no hospital por conta de uma dor no joelho - que acabou se diagnosticando como uma espécie de tendinite - e eu disse que não tinha tomado o remédio que me receitaram. Então o professor virou e disse algo como "é só o médico tocar na pessoa que sara". Ora, se não tomei foi porque fui lá só saber se era câncer ou algo assim, tomar analgésico é que eu não ia tomar, é só pra aliviar a dor, se ainda fosse algo pra me curar! Saí de lá envergonhada e me jurei que só vou no hospital de novo depois que estiver sentindo algo insuportável por um ano ou mais, posso quebrar mil costelas agora que irei ficar de repouso em casa.
Além de dois tabletes intermináveis de remédios (algo como 4 comprimidos a cada fase do dia), eles ainda me aconselharam a não tomar café, comer menos fritura, doce e principalmente chocolate. Parece brincadeira que além de tirarem meu único motivo pra férias e ganho de carinho extra, eles ainda querem tirar a única satisfação da minha vida que é comer besteira! Fiquei relembrando certa conversa que ouvi ontem dum cara que dizia que deveria ser proibido as pessoas fazerem piadas de cegos, de bêbados (que ele chamou de "uma doença tão terrível como o alcoolismo"), de etc. Poxa vida, se depender de vetar piadas prum mundo melhor e sério, prefiro um mundo pior engraçado. Imagina não poder rir de nossas desgraças, por exemplo! Eu nem teria um blog, sem isso.
E o remédio eu não compro não. Me convenci de que, sendo refluxo algo que não aparenta nada por fora, nem vale a pena. Melhor pegar esse dinheiro e em comprar camisetas, tinta pra cabelo, café, batata frita, doce, chocolate. Ao menos os dois primeiros todos irão ver, elogiar e quem sabe me dar os tais carinhos extras. Afinal, eu posso estar morrendo por dentro, estando impecável por fora é o que importa. E pra unhas quebradas existe postiças, rosto pálido maquiagem, cabelo feio química. Pra superficialidade e burrice eu posso pelo menos andar com um livro intelectual por aí e fingir que leio ou estampar pelas ruas com minha bolsa de Letras na Federal. Se aparência não fosse fundamental as pessoas não vestiriam nem maquiariam defuntos. Ou não investiriam em lápides, pelo menos urna bonitona. Enfim, beleza é mais importante que a própria vida. Geralmente são bonitas obras com gente morrendo no final.
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