Tem alguma coisa no sorriso do Eros, que não tem em nenhum outro sorriso, que o torna mais bonito que todos os outros – foi o que fiquei pensando. E não é só uma questão de amor, compreensão, cegueira minha ou seja lá o que valha, eu sinto isso como uma conclusão racional daquelas instantâneas. Então, num momento efêmero de paz interior e contemplação, pude raciocinar mais lentamente o que tinha no sorriso dele que o tornava especial, principalmente porque eu já tinha dito “você tem o sorriso mais lindo de todo o mundo” e eu precisava fundamentar a tese – não se pode sair distribuindo elogios assim totalitários gratuitamente, eu tenho um compromisso com a verdade e isso teria que ser verdadeiro mesmo se, por um acaso, eu não estivesse mais com ele. Então, voltando a pensar, após ter visto ele sorrir algumas vezes antes de fechar os olhos, pensei então em que outro garoto poderia ter um sorriso bonito – e lembrei do meu irmão. Meu irmão tem grande orgulho do seu sorriso e sorri como um pavão mostra a cauda, os dentes dele são perfeitos sem nunca ter tido que usar aparelho e ele sempre se gabou disso, mas então tentei lembrar e, além do fato do Junior, meu irmão, sorrir orgulhoso (o que já é um ponto a menos) meu irmão tem os dentes quadrados embaixo. O que quer dizer que eles têm um formato retangular, mais retinhos nas pontas... e tentando lembrar de todos os sorrisos que já prestei atenção, todos eram assim, com sorrisos quadrados – o Eros, não: dentes redondos embaixo, como se fossem um monte de ondinhas, como aqueles babados de toldos. E isso é uma grande vantagem, pois todos sabemos que o formato arredondado é muito mais bonito. Fora isso (que nem é o principal), o Eros tem um jeito de sorrir que parece que ele está sempre sendo sarcástico. Mais precisamente, é como se ele se sorrisse do próprio sorriso, risse da própria risada – é um grande mérito: que revela ao mesmo tempo uma certa humildade e autoconsciência e inteligência.
Outro ponto que o Eros tem de bonito, então, eu passei a pensar, é o fato de usar óculos. Ele tem a grande virtude de ter de usar óculos e ficar bonito (mais bonito, não tenho certeza) com os óculos. E ele fica bonito também sem o óculos. Então a vantagem maior ainda disso é que é como se eu tivesse a oportunidade de ter Eros diversificados, ou seja, nunca cair no tédio de observar ele, tem o Eros com e o sem óculos, entende? É como dormir com a Tonks do Harry Potter.
O problema desse post não é nem o fato de ele não interessar ninguém além de mim e do Eros (já que, tudo bem, somos só nós dois que lemos mesmo!), o problema é que o Eros é vaidoso e vai ficar contando vantagem com essa bosta que eu escrevi. Eu gosto disso nele – a autoconfiança, a vaidade e o humor – porém com certas ressalvas: não tem graça alguma elogiar alguém que sempre se porta como um chato: “sim, eu sei”. Eu também faço isso, mas todos sabem o quanto eu sou a pessoa mais superior de toda a humanidade e tenho razão em agir assim. Ele não, ele até tem razão de se achar porque é bom em um monte de coisas, é inteligente e tem dessas coisas bonitas, mas deveria se portar com mais subserviência já que convive comigo o tempo todo e um sentimento de inferioridade enorme já deveria ter tomado conta dele a ponto de me fazer dizer: “mas você é quase tão bom quanto eu”. Acontece que não é assim e a gente em vez de trocar carinhos e elogios, mais passa o tempo competindo quem é o melhor em o quê, o mais perspicaz ou mais bonito. Sim, vocês podem apontar, isso demonstra o quanto no fundo, no fundo, somos dementes, mas o sentimento de superioridade vicia e a gente sabe, como bons relativistas e pessoas (eu em maior grau) tão fodidas em sua relação com a vida como qualquer outro, que na verdade somos também tão grande merda quanto qualquer outro idiota – mas o que nos interessa é que: ou não.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
O eterno retorno do post sobre o retorno eterno (do mesmo assunto)
Que sentido faz ter um blog se tudo o que digo já foi dito – e mesmo isso? – e mesmo isso? – e mesmo isso? Qual o sentido de qualquer comunicação se todos já sabem tudo previamente? Oras, vocês me dirão, no fim do século passado e até mesmo antes essa idéia de originalidade já tinha ido pras cucuias... você como lingüista já devia ter ouvindo falar em Bakhtin, em dialogismo e o caralho a quatro. É, até mesmo isso – e até mesmo isso. Tudo não faz sentido que seja dito. Queria ser mudo porque não há o quê nem como ser dito que já não tenha sido dito. Os humanos giram em torno dos pensamentos em combinação com a Terra e tudo gira igualmente no próprio eixo tornando tudo infinitamente uma repetição infinita e a História e tudo, tudo, meu cotidiano, minha vida, as pessoas que conheço giram em torno de si, tudo se repetindo enfadonhamente. Se nem a comunicação faz sentido quando as coisas mais banais e cotidianas já não fazem sentido, sentido menor teria viver se, privada da comunicação, não poderia ter prazem em qualquer interpretação semiótica – que eu já conheço ou o inconsciente coletivo já me comunicou de alguma forma. Que graça teria conversar com alguém que já ouviu tudo o que você tem pra falar? Sorte que há a tão querida diversão que o Rafael ali embaixo citou. Vive-se pra se divertir, mesmo que a diversão, muitas vezes pareça enfadonha perto de uma perspectiva negativa da vida – a qual, inclusive, suga energias para as possíveis diversões (enfadonhas).
Que sentido faz alguém escrever? Que sentido eu escrever isso? Consiste, não é mesmo Rafael?, numa ausência total de sentido mesmo – E TODO MUNDO SABE DISSO! Consiste apenas num vômito necessário seguido de um possível bem estar de alívio que no fundo, no fundo não alivia nada. É a diversão! Assim como nos divertimos vendo passar logo o tempo dessa vida sem graça que sabidamente sem diversão nem vale a pena. Porque a diversão faz passar mais rápido o tempo. E todo mundo, no fundo, no fundo, como funcionários exaustos de uma empresa monótona, não vê a hora de acabar o expediente. Portanto encha minha mesa de tralhas pra fazer. E que o tempo passe mais rápido.
[de como as coisinhas mais bestas me afetam ininitesimal e metafisicamente]
Que sentido faz alguém escrever? Que sentido eu escrever isso? Consiste, não é mesmo Rafael?, numa ausência total de sentido mesmo – E TODO MUNDO SABE DISSO! Consiste apenas num vômito necessário seguido de um possível bem estar de alívio que no fundo, no fundo não alivia nada. É a diversão! Assim como nos divertimos vendo passar logo o tempo dessa vida sem graça que sabidamente sem diversão nem vale a pena. Porque a diversão faz passar mais rápido o tempo. E todo mundo, no fundo, no fundo, como funcionários exaustos de uma empresa monótona, não vê a hora de acabar o expediente. Portanto encha minha mesa de tralhas pra fazer. E que o tempo passe mais rápido.
[de como as coisinhas mais bestas me afetam ininitesimal e metafisicamente]
quarta-feira, 18 de junho de 2008
bah
Ao contrário do que uma vez me disseram, acho que uma pessoa que diz que só se mata no desespero, jamais se mataria. Existe um perfil de suicida. Existem pessoas que querem se matar, por motivos banais ou não, e existem pessoas felizes (conformadas com a vida).
Eu não entendo como alguém que pensa, que sabe que o mundo é EXTREMAMENTE ruim, que já planejou alguma vez se matar, nunca tenha tentado. Pra mim essas pessoas jamais se matariam, ao contrário daquelas que dizem sempre querer morrer e já tentaram (apesar do pessoal gostar de dizer que não).
Hoje era um dia propício. Não estou muito apegada a nada e tenho a forte certeza de que, sendo o mundo horroroso de se viver, valeria a pena aproveitar o desapego para me matar de vez.
Por que alguém vive? Por que as pessoas sabem que o mundo é ruim, sofrem e mesmo assim vivem? É como se fosse um vício, um vício ruim.
Apenas isso. Sem vaidade, sem ironias. Sem graça.
Pode ser que os momentos bons, os parcos, raros e variáveis “momentos bons” valham a pena de tuuuudo isso. Mas não valem, eu tenho quase certeza que não – embora eu não esteja experimentando a sensação de um desses momentos agora e é o que me faz duvidar um pouco. As pessoas não vivem pelos “momentos bons”. Elas se conformam que têm que viver apenas. Elas não sabem morrer, apenas viver. É uma questão de não ter muita escolha, eu acho.
Às vezes os motivos bobos são melhores que os bons motivos – morrer realmente não é tão fácil. Não se morre porque se preocupa com alguém, por exemplo. Não é um bom motivo, você sabe que essa pessoa vive com ou sem você – é o caso do Daniel, eu me arrependo de não ter me matado por pena dele.
Ser vivo é ser ridículo.
Eu não entendo como alguém que pensa, que sabe que o mundo é EXTREMAMENTE ruim, que já planejou alguma vez se matar, nunca tenha tentado. Pra mim essas pessoas jamais se matariam, ao contrário daquelas que dizem sempre querer morrer e já tentaram (apesar do pessoal gostar de dizer que não).
Hoje era um dia propício. Não estou muito apegada a nada e tenho a forte certeza de que, sendo o mundo horroroso de se viver, valeria a pena aproveitar o desapego para me matar de vez.
Por que alguém vive? Por que as pessoas sabem que o mundo é ruim, sofrem e mesmo assim vivem? É como se fosse um vício, um vício ruim.
Apenas isso. Sem vaidade, sem ironias. Sem graça.
Pode ser que os momentos bons, os parcos, raros e variáveis “momentos bons” valham a pena de tuuuudo isso. Mas não valem, eu tenho quase certeza que não – embora eu não esteja experimentando a sensação de um desses momentos agora e é o que me faz duvidar um pouco. As pessoas não vivem pelos “momentos bons”. Elas se conformam que têm que viver apenas. Elas não sabem morrer, apenas viver. É uma questão de não ter muita escolha, eu acho.
Às vezes os motivos bobos são melhores que os bons motivos – morrer realmente não é tão fácil. Não se morre porque se preocupa com alguém, por exemplo. Não é um bom motivo, você sabe que essa pessoa vive com ou sem você – é o caso do Daniel, eu me arrependo de não ter me matado por pena dele.
Ser vivo é ser ridículo.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Sem título 19
Não é que em Tlön não seja recomendado falar do governo ou algo assim, mas como é característica da linguagem daqui não termos substantivos – substituídos por adjetivos – fica difícil falar dela de outra forma que não seja num conjunto de elogios sinceros e discretos. Acontece que nem sempre os cidadãos de Tlön estão plenamente satisfeitos e, muitas vezes, característica comum, blog serve para desabafar. Mas como falar de Tlön sem os adjetivos elogiosos cabíveis? Não chega a ser uma questão de censura, necessariamente, mas características de linguagem e relação dos indivíduos com ela.
Morando em Tlön me cabe a difícil tarefa de ser muito discreta e polida com o que digo – para não desagradar os leitores. Por questão de espaço e familiaridade uso português, mas Tlön não é totalmente Tlön traduzida para os substantivos do português, isso é verdade e desde já peço desculpas aos conterrâneos de lá (pela linguagem, pelo post muito direto que estou disposta a que seja o último).
Não há censura declarada em Tlön, como eu disse, portanto vou parecer injusta nas possíveis linhas que se seguem, mas peço aos meus amigos de Tlön que sejam pacientes com minha impertinência.
Como esse foi um semestre extremamente marxista e cujo assunto constante foi Ditadura Militar, fico lembrando das técnicas narrativas, formais etc. adotadas pelos músicos e escritores na época para desviar da censura e sinto que esta seria a melhor maneira de, aqui por diante, me referir à vida em Tlön. Não, repito, não porque haja censura de fato, mas para que os cidadãos daqui não fiquem insatisfeitos com minhas injustiças e para que ambos os lados saiam ganhando. Ambos os lados saem ganhando quando eu conseguir transformar minhas crônicas umbiguistas em contos mais alegóricos, universais, algo sobre a miséria ou alegria humana.
Dizem que em Tlön, quando você consegue escrever algo realmente bom, você é presenteado com a autorização de 1 (uma) autobiografia de 1 (uma) página.
E todas as partes saem ganhando. Sem mais perfídia, malícia, sarcasmo ou saudosas críticas ácidas com humor negro de nenhuma delas.
Morando em Tlön me cabe a difícil tarefa de ser muito discreta e polida com o que digo – para não desagradar os leitores. Por questão de espaço e familiaridade uso português, mas Tlön não é totalmente Tlön traduzida para os substantivos do português, isso é verdade e desde já peço desculpas aos conterrâneos de lá (pela linguagem, pelo post muito direto que estou disposta a que seja o último).
Não há censura declarada em Tlön, como eu disse, portanto vou parecer injusta nas possíveis linhas que se seguem, mas peço aos meus amigos de Tlön que sejam pacientes com minha impertinência.
Como esse foi um semestre extremamente marxista e cujo assunto constante foi Ditadura Militar, fico lembrando das técnicas narrativas, formais etc. adotadas pelos músicos e escritores na época para desviar da censura e sinto que esta seria a melhor maneira de, aqui por diante, me referir à vida em Tlön. Não, repito, não porque haja censura de fato, mas para que os cidadãos daqui não fiquem insatisfeitos com minhas injustiças e para que ambos os lados saiam ganhando. Ambos os lados saem ganhando quando eu conseguir transformar minhas crônicas umbiguistas em contos mais alegóricos, universais, algo sobre a miséria ou alegria humana.
Dizem que em Tlön, quando você consegue escrever algo realmente bom, você é presenteado com a autorização de 1 (uma) autobiografia de 1 (uma) página.
E todas as partes saem ganhando. Sem mais perfídia, malícia, sarcasmo ou saudosas críticas ácidas com humor negro de nenhuma delas.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
A história cíclica de uma Zambraia
Estava lendo o post da Marília lá, entre outras coisas, sobre espera e tal, e nessa tarde fria (fria mesmo, hoje está fazendo de -1 a 14 graus, acho que nunca presenciei um tempo tão frio), me sentindo extremamente só – ainda mais só por não ter com quem compartilhar a alegria de estar o maior frio que já senti –, ainda mais e mais só porque o filme que era pra eu ver foi baixado errado, eu não sei o que assistir, queria ouvir algo (então só ler não me interessa agora), comecei a pensar no quanto eu nasci pra ser uma dona de casa frustrada. Muda o namorado, mas não muda nada, meu deus – eu fico pensando – as coisas se repetem, se repetem, se repetem! Será que com todo mundo é assim?
Quando eu estava com Aquele que não deve ser nomeado, eu lembro dele tentando pro maldito vestibular... sei lá por que tantas e tantas e taaaantas horas estudando pro vestibular – e no final, não passando. Isso durou 4 anos de espera. Imaginem 4 anos em que você tem que doar todos os fins de semanas e dias de semana pralguém estudar. E todo ano a mesma expectativa (deus meu, faça esse escroto passar nessa bosta de uma vez, por favor!), lembro das noites que antecipavam o vestibular (aliás, os meses, estou sendo boazinha) em que a atmosfera já começava a ficar pesada, as horas do vestibular propriamente dito de espera aflitiva, ficar esperando que tudo dê certo dessa vez, a volta: “e aí?”, “fui mal!”, “foi nada, você vai ver!” – eu sou otimista quando o problema não é necessariamente meu.
“D...., não ligue, você é muito, muito inteligente, mas por que não faz uma faculdade particular mesmo?”. Ok, depois de insistir muito ele fez. E ele encontrou uma linda, inteligente (cof! cof!) e nova namorada que nem ele lá, nos primeiros meses.
Eu percebo agora que devia ser indenizada por esses 4 anos.
Eu ficava horas olhando para o horizonte querendo fazer algo, mas tinha que entender que ele tinha que estudar. E agora eu tenho que olhar minhas férias de julho já prevendo que vou ter que entender que o Eros tem que estudar. E as tardes são chatas. Tá, eu devia fazer alguma coisa além de ficar com o namorado, eu sei. Prometo que vou ver meus origamis, prometo que vou convidar a Karina pra passearmos só nós duas. E a Tati também, quem sabe o Enrico, o Henrique, o caralho a quatro, qualquer coisa assim. Pelo menos eu sei que não é mais que um mês, que não é para um mero vestibular, que o Eros pelo menos deve aprender quando estuda, que ele não é tão negligente comigo. Hope so.
E eu sei que sou dependente, mimada e imatura (mas pelo menos eu não tenho cara de pinóquio e cabelo ressecado, ok?), e eu espero que o Eros, pelo menos, consiga ver que esperar alguém estudar é ruim demais e me dê um desconto por não ser tão, tão perfeita quanto a minha amostra grátis. E espere um pouco pra me deixar por uma professora bonitona de algum departamento (deus queira, uma professora bonitona, não uma aluna que entrou graças à cota, manca e com queimaduras na face). Deixe pelo menos passar o inverno.
Quando eu estava com Aquele que não deve ser nomeado, eu lembro dele tentando pro maldito vestibular... sei lá por que tantas e tantas e taaaantas horas estudando pro vestibular – e no final, não passando. Isso durou 4 anos de espera. Imaginem 4 anos em que você tem que doar todos os fins de semanas e dias de semana pralguém estudar. E todo ano a mesma expectativa (deus meu, faça esse escroto passar nessa bosta de uma vez, por favor!), lembro das noites que antecipavam o vestibular (aliás, os meses, estou sendo boazinha) em que a atmosfera já começava a ficar pesada, as horas do vestibular propriamente dito de espera aflitiva, ficar esperando que tudo dê certo dessa vez, a volta: “e aí?”, “fui mal!”, “foi nada, você vai ver!” – eu sou otimista quando o problema não é necessariamente meu.
“D...., não ligue, você é muito, muito inteligente, mas por que não faz uma faculdade particular mesmo?”. Ok, depois de insistir muito ele fez. E ele encontrou uma linda, inteligente (cof! cof!) e nova namorada que nem ele lá, nos primeiros meses.
Eu percebo agora que devia ser indenizada por esses 4 anos.
Eu ficava horas olhando para o horizonte querendo fazer algo, mas tinha que entender que ele tinha que estudar. E agora eu tenho que olhar minhas férias de julho já prevendo que vou ter que entender que o Eros tem que estudar. E as tardes são chatas. Tá, eu devia fazer alguma coisa além de ficar com o namorado, eu sei. Prometo que vou ver meus origamis, prometo que vou convidar a Karina pra passearmos só nós duas. E a Tati também, quem sabe o Enrico, o Henrique, o caralho a quatro, qualquer coisa assim. Pelo menos eu sei que não é mais que um mês, que não é para um mero vestibular, que o Eros pelo menos deve aprender quando estuda, que ele não é tão negligente comigo. Hope so.
E eu sei que sou dependente, mimada e imatura (mas pelo menos eu não tenho cara de pinóquio e cabelo ressecado, ok?), e eu espero que o Eros, pelo menos, consiga ver que esperar alguém estudar é ruim demais e me dê um desconto por não ser tão, tão perfeita quanto a minha amostra grátis. E espere um pouco pra me deixar por uma professora bonitona de algum departamento (deus queira, uma professora bonitona, não uma aluna que entrou graças à cota, manca e com queimaduras na face). Deixe pelo menos passar o inverno.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Na conjetural Ursprache de Tlön
Numa dessas brigas bobas que eu tive com o Eros, ele ficou tristonho mela enésima vez porque eu sempre citava o nome do Daniel. Oras, é o mesmo que citar “mãe”, “meu cachorro Scoob” , “minha ex-amiga Stephânia”, “Enrico” ou “Diego”, são pessoas que foram ou são importantes pra mim, não dá pra não fazer citações se eles estão presentes dentro da minha formação e, portanto, dentro do meu discurso. Pelo menos lá na minha bibliografia final teria que ter todos eles. Mas Eros é o que próprio nome diz, uma pessoa muito ligada ao sentimento e que simplesmente não entende isso como eu não entenderia, é óbvio. Discorro sobre isso porque é de importância fundamental para o entendimento dos meus queridos leitores (que, paradoxalmente, só inclui o Eros) quanto as possíveis supressões do nome do meu ex-namorado, ex-amigo, ex-colega, ex-pessoa-relevante-no-mundo Daniel. E que começou assim:
Depois de ficar tristonho, brigar e se reconciliar, Eros se levantou da cama e foi para a cozinha (que fica visível da cama, já que o apartamento em que moro, mais uma vez, não tem cômodos). Eu, ainda deitada, me prometia, contrariada, nunca mais citar o nome da pessoa supracitada (não o Eros, a outra pessoa... vocês entendem). Ele pega uma panela pra fazer pipoca.
– Você trouxe uma tampa que não cabe em nenhuma panela.
– Hum... o.o... é que é...
– O quê?
– É... é d’Aquele Que Não Deve Ser Nomeado...
Desde então este é o codinome conferido à pessoa supracitada que não é o Eros mas sim a outra pessoa (que também não é minha mãe, nem o Scoob, nem a Stephânia, nem o Enrico, nem o Diego).
Mania depressiva
Numa das elucidativas noites que tive depois do término do meu primeiro namoro (relembradas sempre não porque isso tenha me marcado, apenas, mas porque foi uma experiência importante que eu jamais tinha tido – e eu fico feliz de ter tido porque: 1- minha experiência de mundo estaria incompletíssima sem esse dado e 2- porque Aquele Que Não Deve Ser Nomeado nem era tão bom assim) eu lembro de ter chegado a uma conclusão: se eu tenho culpa de algo, é por causa dessa merda de mania depressiva que eu tenho. Relembrei isso ontem, num daqueles acessos histérico-depressivos de sempre e ao qual eu submeti o meu futuro marido (eu sempre submeto alguém). Em certo momento, para dilatar ainda mais minha infelicidade com o mundo, o Eros ficou tristonho pela quadrocenésima vez e disse: “Eu me sinto inútil”. Bom, isso me lembrou do Rafael, quando eu contei do término do meu extinto (pra ficar bem claro para os leitores mais sentimentais) namoro e ele me falou:
(9:05 PM) Rafael Henrique: mas tem uma coisa que eu nunca entendia
(9:05 PM) Rafael Henrique: vc amava ele, ele era o seu porto seguro
(9:05 PM) Rafael Henrique: mas vc nunca estava feliz com sua vida
(9:05 PM) Rafael Henrique: eu ficava pensando que ele era um peso morto a seu lado
(9:06 PM) Rafael Henrique: te deixou pela própria incapacidade de lhe fazer feliz...
Então isso me lembra, dentre outras coisas dessa memorável conversa, de frases e frases que ele me disse sobre auto-suficiência (coisa que, não adianta, eu não acredito bem fundamentadamente – as pessoas podem viver sozinhas, mas não vivem nem 50% bem, a não ser que seja um misantropo (e eu sou até bastante misantropa), não existe tal coisa, antes de mais nada nossa sede reprodutiva precisa ser saciada), e me lembra também que nessa noite, ou em noite anterior, ou em noite posterior (grandes dificuldades em me situar no tempo), eu fiquei pensando que perdi minha mãe, perdi o que não deve ser nomeado, perdi vários amigos, perdi tudo e qualquer coisa, realmente, por essa minha constante infelicidade com minha vida (única companheira fiel, pelo jeito). E que ontem, se eu estava infeliz e angustiada, se o Eros conseguiu amenizar um pouco, desabou com tudo por ser simplesmente sincero. Oras, certeza de que ele vai me deixar por causa disso daqui a pouco também. Óbvio. Óbvio também que ele vai dizer que não, mas vai deixar mesmo assim. Assim como todo mundo: cachorro, mãe, amigos, pra não citar os namorados com amores eternos já que ninguém gosta de ser comparado.
Mas, antes que duvidem do meu amor, vamos à minha justificativa.
Capítulo 3 - Da justificativa
Oras, se o próprio Rafael falava em auto-suficiência, que contraditório falar em ”peso morto ao meu lado”! Se as pessoas não precisam de outras pra nada, as outras pessoas não podem ajudar. Se é assim, eu sou auto-suficiente na minha maneira de encarar mal a vida. Porque então alguém faria ou não alguma diferença na minha maneira de ver o mundo?
Mas eu, que acredito sim que ter alguém do lado ameniza um pouco as coisas e as melhora, se é quase um axioma que amar faz a gente enxergar a vida com lentes cor-de-rosa, seria possível de se afirmar que não amo porque continuo rabugenta com a vida? Claro que não! Qualquer pessoa que entende um pouco de colorimetria e tinge os cabelos sabe de outra máxima: “Tintura não clareia tintura”. Então, pra ficar ainda mais claro tudo o que digo aqui, ilustrarei.
Eu enxergo o mundo assim:

Amando eu enxergo o mundo assim:
Depois de ficar tristonho, brigar e se reconciliar, Eros se levantou da cama e foi para a cozinha (que fica visível da cama, já que o apartamento em que moro, mais uma vez, não tem cômodos). Eu, ainda deitada, me prometia, contrariada, nunca mais citar o nome da pessoa supracitada (não o Eros, a outra pessoa... vocês entendem). Ele pega uma panela pra fazer pipoca.
– Você trouxe uma tampa que não cabe em nenhuma panela.
– Hum... o.o... é que é...
– O quê?
– É... é d’Aquele Que Não Deve Ser Nomeado...
Desde então este é o codinome conferido à pessoa supracitada que não é o Eros mas sim a outra pessoa (que também não é minha mãe, nem o Scoob, nem a Stephânia, nem o Enrico, nem o Diego).
Mania depressiva
Numa das elucidativas noites que tive depois do término do meu primeiro namoro (relembradas sempre não porque isso tenha me marcado, apenas, mas porque foi uma experiência importante que eu jamais tinha tido – e eu fico feliz de ter tido porque: 1- minha experiência de mundo estaria incompletíssima sem esse dado e 2- porque Aquele Que Não Deve Ser Nomeado nem era tão bom assim) eu lembro de ter chegado a uma conclusão: se eu tenho culpa de algo, é por causa dessa merda de mania depressiva que eu tenho. Relembrei isso ontem, num daqueles acessos histérico-depressivos de sempre e ao qual eu submeti o meu futuro marido (eu sempre submeto alguém). Em certo momento, para dilatar ainda mais minha infelicidade com o mundo, o Eros ficou tristonho pela quadrocenésima vez e disse: “Eu me sinto inútil”. Bom, isso me lembrou do Rafael, quando eu contei do término do meu extinto (pra ficar bem claro para os leitores mais sentimentais) namoro e ele me falou:
(9:05 PM) Rafael Henrique: mas tem uma coisa que eu nunca entendia
(9:05 PM) Rafael Henrique: vc amava ele, ele era o seu porto seguro
(9:05 PM) Rafael Henrique: mas vc nunca estava feliz com sua vida
(9:05 PM) Rafael Henrique: eu ficava pensando que ele era um peso morto a seu lado
(9:06 PM) Rafael Henrique: te deixou pela própria incapacidade de lhe fazer feliz...
Então isso me lembra, dentre outras coisas dessa memorável conversa, de frases e frases que ele me disse sobre auto-suficiência (coisa que, não adianta, eu não acredito bem fundamentadamente – as pessoas podem viver sozinhas, mas não vivem nem 50% bem, a não ser que seja um misantropo (e eu sou até bastante misantropa), não existe tal coisa, antes de mais nada nossa sede reprodutiva precisa ser saciada), e me lembra também que nessa noite, ou em noite anterior, ou em noite posterior (grandes dificuldades em me situar no tempo), eu fiquei pensando que perdi minha mãe, perdi o que não deve ser nomeado, perdi vários amigos, perdi tudo e qualquer coisa, realmente, por essa minha constante infelicidade com minha vida (única companheira fiel, pelo jeito). E que ontem, se eu estava infeliz e angustiada, se o Eros conseguiu amenizar um pouco, desabou com tudo por ser simplesmente sincero. Oras, certeza de que ele vai me deixar por causa disso daqui a pouco também. Óbvio. Óbvio também que ele vai dizer que não, mas vai deixar mesmo assim. Assim como todo mundo: cachorro, mãe, amigos, pra não citar os namorados com amores eternos já que ninguém gosta de ser comparado.
Mas, antes que duvidem do meu amor, vamos à minha justificativa.
Capítulo 3 - Da justificativa
Oras, se o próprio Rafael falava em auto-suficiência, que contraditório falar em ”peso morto ao meu lado”! Se as pessoas não precisam de outras pra nada, as outras pessoas não podem ajudar. Se é assim, eu sou auto-suficiente na minha maneira de encarar mal a vida. Porque então alguém faria ou não alguma diferença na minha maneira de ver o mundo?
Mas eu, que acredito sim que ter alguém do lado ameniza um pouco as coisas e as melhora, se é quase um axioma que amar faz a gente enxergar a vida com lentes cor-de-rosa, seria possível de se afirmar que não amo porque continuo rabugenta com a vida? Claro que não! Qualquer pessoa que entende um pouco de colorimetria e tinge os cabelos sabe de outra máxima: “Tintura não clareia tintura”. Então, pra ficar ainda mais claro tudo o que digo aqui, ilustrarei.
Eu enxergo o mundo assim:

Amando eu enxergo o mundo assim:
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