segunda-feira, 31 de março de 2008

Never is a promise (2, O retorno)

Eu deveria ler mais meus arquivos antigos, talvez, porque tenho a impressão de que minha memória apagou algumas coisas essenciais. Por exemplo, de onde veio essa impressão insistente, constante de que as pessoas sempre me abandonaram(ão)? Se eu faço um esforço de memória, lembro de uma, no máximo duas pessoas que me fizeram isso, nada mais. Por exemplo, o Daniel. Mas lembro perfeitamente que já com ele eu tinha a mesma insistência, a mesma idéia fixa. De onde veio? Só por causa de uma ex-amiga? Não pode ser por causa de um caso isolado, apenas, minha convicção era como se isso tivesse acontecido diversas, diversas vezes. Vidas passadas? Porque se esforço por me lembrar, lembro mais de pessoas que eu deixei por indiferença do que pessoas que me deixaram. Mas é estranho, quem será ou serão essas pessoas misteriosas que me abandonaram no passado e eu não lembro? Eu tenho certeza de que tem mais gente. Sempre me refiro a “eles”, a “todos”. Uma pessoa fez eu confrontar a idéia: “Mas eles quem?”. Sei que tem muita gente, só não sei quem é.
De qualquer forma, sinto essa melancolia constantemente (essa sim, companheira fiel, nunca vai me deixar =)). Eu questiono e analiso tudo com muito esforço pra pegar coisas no ar. Percebi que o Daniel deixava de gostar de mim, talvez, mesmo antes dele. Não é só uma paranóia. Não, não é. Uma das minhas teorias é de que as pessoas costumam gostar de uma aparência minha, ou se deixam encantar tanto por ela, que o interior vai sendo esquecido... o exterior cansa, então é tão fácil deixar de gostar. Não, eu não sei. Eu pensava na personagem do filme que dizia algo como: “as pessoas pensam que eu vou tornar a vida delas intensa, mas no final das contas eu sou só uma pessoa fodida tentando achar paz de espírito”. Mas se ela tentava parecer intensa, também, que culpa tinham os outros? Como se tivessem culpados...
De qualquer forma, lembro perfeitamente da cara de chateado do Daniel quando eu dizia coisas como essas de agora. Então ele dizia: “jamais deixaria você”, “confie em mim”, eu não vou te deixar como essas pessoas”, “eu não sou assim”, “mesmo que cansasse eu avisaria” e coisas do tipo. Será que eu acabei convencendo ele da idéia que iria me deixar e ele se acostumou com ela? Ou será só que eu torno as pessoas impotentes com esse meu tom profético apocalíptico? De qualquer forma, ele me deixou, eu não deveria ter confiado, ele não me avisou, ele era assim sim, ele se cansou, ele não avisou. As pessoas jamais, jamais deveriam prometer coisas. Ainda mais se são incapazes por algum motivo que eu nunca saberei ao certo de se manterem fiéis a essas promessas. De tanto vivenciar coisas como essas (tanto quanto? Com quem? eu não sei, mas tenho todas as sensações vivas e acumuladas dentro de mim), eu sempre questiono, eu sempre “torturo” as pessoas com a minha incerteza, eu nunca dou certezas. E no fim, eu acabo sendo mais leal.
Não importa, o jeito é eu me acostumar que as pessoas vão me deixar, simplesmente me acostumar e viver feliz com a efemeridade. Afinal, essas lacunas de memória, essa minha dificuldade de rememorar coisas felizes, não seria já um exemplo de como não fui feita pra viver nada duradouro? Ou de que fui feita pra viver de coisa alguma, já que vou esquecer mesmo? As pessoas sensatas sempre me avisam: as coisas não duram. É, eu sei... mas que podiam ser um pouco mais longas, podiam. Que eu pudesse confiar, podiam. Passa um ano de desconfiança, um ano e meio... e quando eu começo a confiar é que as coisas estragam. Como se fosse um grande sadismo pra testar minha capacidade de confiar nas coisas, testar minha ingenuidade. Como disse minha mãe, só podemos confiar em Deus, só ele é nosso amigo. E deus nem existe, confiança não deveria existir – nem em nós mesmos, afinal a gente se contradiz, não se contradiz? Mesmo os mais convictos.
Vai ver é isso, eu vivo fazendo as pessoas se questionarem. Se questionarem demais. E elas não estão prontas pra lidar com as incertezas. Questiono as incertezas. Deixo as pessoas inseguras. Não, não fiquem, esse aqui deve ser um post de enterro para os meus questionamentos e desconfianças com os outros. No máximo, vou fazer um esforço pra guardar isso pra mim – eu que não sou afeita a guardar coisas só pra mim, mas uma hora tenho que começar a fazer isso sim, é uma questão de controle e de maturidade, afinal. E, no fundo, nunca perco as esperanças. Se tivesse perdido...... Também, só acho uma teimosia infantil da minha parte querer que as coisas sejam eternas. Um dia eu me convenço realmente de que elas não precisam ser. Porque saber eu sei, o problema é convencer minha cabeça cheia de utopias.

terça-feira, 25 de março de 2008

Sou uma menina doente. Uma menina má. Uma menina desagradável.

Meu corpo está moído. Moído. Cansada ao extremo, quase desequilibrei e fui ao chão na fila do mercado de tanto cansaço e fraqueza. Quase cochilei durante o filme que o professor passou de manhã na aula. Acordando cedíssimo, dormindo tarde demais por ter que estudar e ler pilhas e pilhas de coisas que se acumularam devido ao trabalho extra que peguei pra fazer por fora (se dependesse só do estágio agora que diminuíram minhas horas...). Andando bastante todos os dias. Toda a minha alegria e satisfação que eram imensas se esvaíram em segundos quando tudo o que queria era ir pra casa pelo menos sentar pra ler minhas coisas, mas tinha que ir ao supermercado. Mal-humorada e até mal-educada se desse.
Mas, não fosse isso, estava radiante. De manhã, peguei embalo e fui praticamente correndo para o trabalho – fiz o percurso na metade do tempo. Estava tomando meu segundo café-com-leite quando chegou a Elaine:
– Estava lá com o aluno X. Que gracinha de menino!
Aluno X parece que descobriu que tinha câncer em meados do ano passado. Morava em outra cidade, mas teve que abandonar familiares, irmãos e amigos pra fazer o tratamento aqui, acompanhado apenas pela mãe. Não se tem muita certeza sobre suas chances de vida. A alegria dele, segundo dizem, é receber os professores para ter aula, pois passa o maior tempo na cama, sozinho. Fico só imaginando que motivador que é dar aula de sintaxe, por exemplo, para alguém com câncer. Discutir sobre a diferença entre adjunto adnominal e predicativo do sujeito.
Elaine continua:
– Tão querido e educado. Carequinha, carequinha... não tem nem sobrancelha, cílios... nada.
Então Elaine, que é como se fosse minha terceira ou quarta mãe, falou sobre como isso faz você se sentir diferente o resto do dia, faz ficar pensando... e dá até desânimo ver os mimadinhos com os quais convivemos diariamente reclamando de suas vidas.
– Eu dizia pra minhas filhas quando elas reclamavam: vocês não sabem o que é sofrimento, vão lá no Pequeno Príncipe um dia pra ver algumas crianças. Aí vocês vão perceber o quanto são felizes e reclamam por besteira.
Então eu contribuí toda sorridente (afinal eu estava alegre):
– Na verdade isso só demonstra o quanto a vida é realmente infeliz. Porque se não bastasse nosso enorme sofrimento em viver, ainda existem problemas maiores que o nosso e nem chorar ou lamentar nossos problemas podemos sem censura.
Consegui fazer a maioria rir e um deles acreditar que sou uma pessoa desesperadamente deprimida e infeliz – “eu já fui assim que nem você, Marcely...”. “É? Então por que regrediu tanto?”. “Não regredi, muito pelo contrário...”. Pedro. Falamos rindo. Adoro ele. Deve ser coisa de Pedro serem pessoas legais.
Me mantive animada assim durante boa parte do dia, até consegui ter paciência com a “aluna dos quiosques”*. Tentei explicar pra ela da forma mais descomplicada todas as 680 vezes que ela me chamou pra tirar dúvidas. Eu sorria toda solícita enquanto ela me olhava com cara de quem não entendia minha língua, mas ficava contente pela atenção dispensada.
– Professora, não entendi essa aqui!
– Qual, querida?
Aponta uma questão do tipo: troque a forma simples do pretérito mais-que-perfeito na frase pela forma composta. 681a vez que vou tentar explicar o que é a forma simples e a composta do pmqp (coisa que a professora já explicou umas 800 vezes).
– Olha, o pretérito mais-que-perfeito a gente usa de duas formas. Uma a gente nem usa mais tanto assim, está mais em livros antigos, coisas mais formais, mas que vocês precisam aprender justamente pra entender quando lerem esse tipo de coisa. Ele é assim: “desenhara, comera, falara”. A gente diz a mesma coisa, só que na forma composta assim: “tinha desenhado, tinha comido, tinha falado, etc.”.
– Hum... – rosto de quem não entendeu porra nenhuma, mas está dizendo hum só pra não me desanimar.
– É assim, ó. Forma simples: desenhara, forma composta: tinha desenhado. Andara é o mesmo que tinha andado, sumira é o mesmo que tinha sumido, falara é o mesmo que tinha falado, amara é o mesmo que...?
– ...amou?
– Não, é sempre com dois, começa sempre com tinha ou havia... Sonhara é o mesmo que tinha sonhado, amara é o mesmo que tinha...?
– Tinha... amar...?
Fico pensando se ela veio treinada de casa pra não tentar estabelecer comunicação com os professores ou o quê. Tenho a impressão que ela não está me escutando, apenas me olhando compenetrada.
– Não... se andara é o mesmo que tinha andado, amara é o mesmo que tinha...?
– Tinha... amou? – olho negativamente – não... tinha amado?
Finalmente! Sorrio incentivando.
– Isso.
Volta a me chamar. Pergunta: “o pretérito mais-que-perfeito é mais usado na fala ou na escrita?”. De alguma forma, sinto que já falei isso pra ela, mas penso que é normal que não tenha entendido.
– Olha, você costuma falar assim: “ontem eu ficara morrendo de sono”?
– Sim!
Ok, ela nunca deve ter feito um auto-exame de suas opções lingüísticas diárias.
– Olha, pensa bem. Imagina, você fala assim: “menina, mal eu conhecera o gatinho e ele já ficou me paquerando!”? – imito até a entonação, pra ela realizar a cena.
– Sim...?
– Você fala: “mal eu conhecera” ou “mal eu tinha conhecido o gatinho”?
Ela olha assustada para a amiga com uma expressão que dizia “ela me fez uma pergunta? Mas eu não entendo perguntas!“
– Conhecera...? – olho negativamente – Tinha conhecido!
– Isso.
Parabéns, eu imagino que ela não preste atenção no que mais velhos falam pressupondo que eles vão falar coisas ininteligíveis. Ou ela não está realmente interessada em saber. Ou pelo menos eu prefira manter minha fé na espécie humana e no futuro da nação.

*Por que “menina dos quiosques”:
Ela está pesquisando no dicionário uma palavra.
– Professora, encontrei “quiosque”, “quiosqueiro”, mas a que eu to procurando não.
– Que palavra está procurando?
– Quiosques.
– Ok.... – falo lentamente tentando manter a seriedade – Mas será que “quiosque” já não serve?
– Mas aqui no texto está com “s”.
– Porque talvez seja mais de um............ – ela me olha do mesmo jeito imaculado de quem presta atenção apenas na curvatura da minha cara, continuo falando lentamente – ... Quando é mais de um costuma ter “s” no final.
– Então serve “quiosque”?
– Serve.
Ela aparenta ainda uma certa resistência, mas obedece.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dos meus problemas

Nem sempre as pessoas estão em sincronia. Mas, como diria o clichê, nem sempre as coisas são como a gente gostaria. É, elas não são mesmo. Se fossem, seria até monótono. E eu, mimada, tive que levar uns belos de uns tropeções para encarar isso. Nem sempre são tão dramáticas assim as coisas que não são como a gente gostaria. Nossa incapacidade e limitação às vezes são uma boa coisa.
Olhem, pessoas, não tenho rancor por nenhuma de vocês. Nem detesto nenhuma de vocês. Diria que gosto de todas quase que igualmente. Umas me desagradam mais porque são chatas, cobram sem dar nada, outras são queridas, me dão sem esperar volta. E eu dou aquilo que posso. Não pediria de vocês também algo além do que me dão, mas se me pedirem algo, não recusaria em dizer o preço.
Olha, agradeçam. Estou bem menos arredia e ingrata. Não acho mais uma tarefa extremamente desagradável falar ou dar atenção às pessoas. Que bom, como aconteceu com meu irmão, me foder me ajudou a ser menos intragável com os outros, menos egocêntrica. Um pouquinho menos.
Estava pensando na Tati. Ela é assim, uma pessoa que eu sempre achei cheia de manias demais, pouco compreensiva. Do tipo que leva os meninos a serem loucos por ela sem levar em conta alguma o “eternamente responsável” da frase do pequeno príncipe. Eu achava que ela devia controlar seus pequenos desejos, suas pequenas manias. Eu não acho mais nada disso. Entendo agora como ela se sente. Ela é ela e a vontade dela, aceitem ou não. Realmente levando em conta o fato de que precisamos ser mais egoístas pra sermos felizes. E ninguém ama mais alguém, muito menos admira, porque lhe fez sacrifícios.
Ah, eu dizia pro Rayner que as pessoas evoluem tanto seus pensamentos filosóficos, metafísicos e em atitudes os passos são tão pequeninos. Então ele citou "você que tem idéias tão modernas/ é o mesmo homem que vivia nas cavernas" do engenheiros. É, eu sou dessas pessoas que crescem primeiro dentro, e tardiamente o que é o mais necessário das práticas sociais.
Eu sou uma sádica do terror psicológico. Desgasto as pessoas fazendo-as encarar as verdades mais cruéis desde cedo. Meu deus, fico pensando o quanto o Daniel teve que lidar com as coisas duras que disse pra ele ou, como disse o Rafael, a impressão de nunca estar me deixando satisfeita. Mas, olha, nunca ninguém vai me deixar. Eu sou insatisfeita com a vida, comigo mesma, não necessariamente com os outros. Eu escolho ou não ficar ao lado das pessoas, então isso já indica o que ou quem me alivia mais de mim mesma. E eu sou realmente uma pessoa que arranja terapeutas, psicólogos, não amigos, desculpem. Ninguém precisa pedir sinceridade, minha franqueza é meu pior defeito. Meu mais cruel defeito. E saber coisas sem poder dizer me deixam pirada, muitas vezes, então dificilmente deixo de dizer o que me incomoda. Contornando a censura e o DIP (superego?) com hermetismos nem tão herméticos, mas conto. Quando perceberem isso, se já perceberam, vão tentar arrancar segundos sentidos dentro de qualquer sutileza minha, eternamente em receio. Mas nenhuma das minhas indecisões ou imprecisões deveriam abalar. Sempre as terei e serei sempre desagradavelmente sincera, como agora. Mas quando digo que gosto das pessoas e estou sorrindo, por que então de repente eu deixaria de ser sincera? É preciso ter uma segurança e uma auto-confiança monstruosas comigo. Não cobro, mas é preciso. Senão não dá pé. É, eu não tenho dessas coisas, então não significa que eu cobre isso de ninguém. Só digo que pra me aturar é preciso. Agora, se querem aturar ou não é uma escolha.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Perdendo quilos pra Jesus

Devido ao fato de não gostar de incomodar, sempre fui muito presa. Presa pelo que o outro pensa, pelo que o outro vai pensar, pelo que o outro quer.
Lição número um que aprendi com o grande fato recente: ser mais egoísta não é nenhum mal, pelo contrário. Devemos desejar nada mais que nosso bem e felicidade, oras, então como vamos guiar nossas ações em conseqüência de outros? Não, não faz sentido. É que eu achava, eu sei, que se levasse em conta outros, outros me levariam em conta e daí... Mas e daí nada. Nada melhor que a gente tomando conta da nossa própria felicidade. Não é a gente que sabe em melhores detalhes do que a gente tem vontade?
Então, continuando com essa lição, não vou mais me importar tanto com os sentimentos dos outros. Ta, não vou ser psicopata, nada disso, apenas vou pensar em mim e ponto. Se morrer na solidão completa, sem filhos pra transmitir o legado de nossa miséria, que pelo menos tenha sido feliz, até melhor. Pode ser que eu prefira, é verdade, amores bem estruturados – conhecer bem as pessoas, a segurança de saber o que a pessoa pensa, não ter que lidar com pudores ou surpresas. Não minto, eu detesto ter de conhecer gente nova e lidar com todas as burocracias do percurso. Mas antes isso, do que mal acompanhada. Antes lidar com essas coisinhas bobas, que me conformar com as coisas só porque são “estáveis”. Embora estabilidade seja muito tentadora, não é nada desafiadora.
Entre outras coisas, lição 2, gosto de estar sozinha, sozinha mesmo. Do meu canto só pra mim, do meu rosto só pra mim, das minhas atitudes só pra mim. Assim me conheço de fato, assim me amo de fato. É tranqüilo ter a mim ao lado. É divertido e bom ter outras pessoas ao lado. Indispensável, é claro, pra que haja depois a minha tranqüilidade. Auto-suficiência total – ainda duvido disso (não teria chegado a esse consenso interior se não tivesse alguém por trás de tudo me apoiando, ajudando ou escutando de fato). Mas eu, eu com minhas coisas, poder escolher quando vou ficar só, isso é muito bom. Não que eu despreze o que tenha vivido com o Dã, ou minha ex-vida de casada. Ela me estagnava em muitos pontos, isso é uma grande verdade. Mas não é tudo. Viver junto é bom sim, principalmente quando se tem muita intimidade. Mas, pensar bem antes. Ter um espaço só meu também é bom.
Não, não tenho do que me arrepender. Não vou dizer que foi um erro nada disso. Não, não foi. Mas teria sido ruim se não tivesse vislumbrado a liberdade depois disso? Ah, sim, que bom que houve fim. Que bom que as coisas acabam – mesmo que dolorosamente. Que bom que pelo menos a dor ensina a... não a viver, isso seria um motivo muito fraco pra sofrer, mas a sentir-se bem melhor depois.
Ta, a vida continua sendo idiota, imbecil – meu deus, pra quê viver? ^^. Mas pelo menos posso lidar bem com isso de novo, pensando em me matar com mais seriedade, sem fazer nada. Melhor que tentar me matar de fato e ver que não é o que quero. Saber que quero e não fazer. Por que eu quero me matar? Por que, apesar de tudo, eu continuo deprê? Meu deus, nem deus sabe...! Deve ser porque não acho motivos, simplesmente por isso. Tudo muito certo, tudo muito bem. Só faltam os motivos. Estou andando, andando com meu mp4 tocando músicas muito gostosas. Mas sem destino algum. Se fosse só isso... não, não é só isso. No percurso acho todas as pessoas a minha volta muito angustiadas, angustiadas como eu: o cansaço de andar pra lugar algum feito baratas tontas em cenários nem sempre agradáveis. Às vezes cenários agradabilíssimos. É, o pior problema é a falta de rumo. O que importa é que, no fim, conheceremos deus com corpos tonificados e sem 1 grama de gordura – tudo o que deus queria.

Post com o conteúdo equivalente ao da cabeça de um homem

Agora mudei minha idéia quanto a gravar uma aula do Benito, quero gravar uma aula de Antropologia do Estado. O que me impediu de fazer isso hoje eu não sei se foi o fato de duvidar que meu mp4 conseguisse pegar o tom de voz da professora ou se foi a preguiça só de pensar em apertar alguns botões. Sim, seria ótimo gravar a voz dela, outro dia vi um cd na farmácia que era para insônia. Certeza que um cd com aulas de Antropologia do Estado e Benito seriam a dupla perfeita para curar esse mal.
O pior é que, quando estou do lado de uma cama, nada me confere sono, pelo contrário. Primeira coisa boa é que eu moro na frente de um estacionamento/mecânica que lava com vap fortíssimo o capô do carro. Pior que isso, só o barulho doce e tranqüilo do trem passando perto da casa do Eros. Mas, pelo menos, o trem passa rápido. Aqui não, eles lavam a droga do carro durante horas e horas... quando não é isso, eles forçam, forçam, forçam o motor do carro que faz um barulho ensurdecedor e solta uma fumaça maravilhosa. Isso sem contar que a delicadeza e bom senso dos trabalhadores do estacionamento que, enquanto me vêem desfrutando da minha privacidade, me dão tchauzinhos calorosos. Mas a pior parte, a pior mesmo, é a música sertaneja o dia todo (que é desligada só para que o crentino que trabalha lá fique assobiando hinos da igreja da minha mãe).
Então cá estou eu, depois de horas tentando me manter acordada numa aula inútil, despertíssima ouvindo o suave som de Deftones no último volume pra não ter que escutar todas as atividades do estacionamento.
Li hoje uma parte do Quarup um pensamento da Sônia, a bonita descendente de russos, sobre homens que bem traduziria o clichê tão combatido de uns posts atrás. Mas eu achei realmente interessante que um escritor homem soubesse tão bem o que se passa na cabeça de uma mulher quando se cansa da idiotice de alguns homens. É assim:
“(...)Sônia saiu andando na frente, sozinha, puta da vida, não tanto porque se fosse o Ministro ou viesse o Falua e ficasse o Ramiro mas com o sexo masculino em geral. O troço enche. Homem enche. Sem homem naturalmente o mundo seria uma droga. Mas por que é que homem não havia de ser surdo-mudo, cego, debilóide e bonitão? Cabeça de homem só tem cocô. Só tem mulher, mulher, ciúme, ciúme. Donos da gente. E como eles exageram, nossa! Parece que só tem no mundo história de trepar quando às vezes palavra que eu acho um cozido muito melhor. Completo. Ou tão bom. Hum, muita carne fresca, lingüiça, batata-doce, repolho, ovo, cebola inteira, banana. (...)”
Eu achei engraçada a parte do cozido. Eu gosto da Sônia.

Dono do estacionamento se dirige a uma cliente: “está sentindo esse cheiro suave de flor? Essa flor se chama dama-da-noite. Tem ali e ali (aponta os dois lados da minha janela)”. Fico pensando, quem não sabe o que é uma dama-da-noite, ou qual o cheiro de uma? É, eu sou uma privilegiada. Agraciada pela sapiência do dono do estacionamento e pelo cheiro às vezes enjoativo (suave!) das damas-da-noite.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Sopor

Saio correndo às 13hs do trabalho, logo depois do almoço, para participar da aula de Antropologia do Estado. Chego no meio, perdida, me sinto deslocada e mal pois todos são de História ou Sociologia ou algo assim e eu não sei qual é a imagem que eles fazem de alguém de Letras, mas a que eu passo, eu tenho certeza, é a de alguém fútil. Me sinto inferiorizada e envergonhada. Sento e presto atenção na aula que nunca tinha assistido antes. Não é minha área. Por um momento tento me concentrar na explicação do que veio primeiro: o contrato, o estado, a sociedade, o sei lá o quê? Bate o sono. Um sono horrível, sono de verdade, daqueles que os olhos não se fecham a custo de muito esforço – e eu vou perdendo as forças. Fecho os olhos e ponho a mão na frente, começo a sentir uma tontura – minha alma está tentando sair do corpo. Horas de agonia. Saio atrás de um banheiro para cochilar uns minutos, não encontro nenhum aberto. Molho os olhos com a água do bebedouro. Volto ligada por um tempo... logo a discussão sobre a idéia de um estado construído com base na sociedade patriarcal. Não me interesso. Quem se importa com o que veio primeiro na sociedade? O homem construiu a sociedade, nós temos que entender primeiro o homem, isso é absurdo, é tentar entender de trás pra frente... Sono de novo. A professora olha para mim um pouco – sua voz é suave – olho pra ela com olhos arregalados, como se estivesse muito interessada, só estou segurando o sono.
Cita-se Hobbes e Locke. Me interesso por uns minutos. O homem é o lobo do homem. Um garoto participa o tempo todo – ele deve me achar uma imbecil como as meninas de Jornalismo com fichários rosas que estão na minha frente. Me sinto idiota, lembro do Daniel dizendo: “ah, ela mais madura e busca conhecimento...”, medo de ser fútil, medo... meu sono me desarma. A menina que participa: cabelo claro, óculos. “Ela é mais madura, busca conhecimento”. Me sinto um lixo – certeza que tenho que voltar pra casa, essas pessoas de longe da minha área parecem estar me medindo dos pés à cabeça. De onde tirei tanta insegurança de repente? Meu sono me desarma. Todos pra mim são exemplos do outro curso em que as pessoas são mais maduras e buscam conhecimento, ao contrário de mim. Eu me acho madura, eu busco conhecimento. Mas se o Daniel que me conhece de fora disse que não, devo estar errada. Bad trip de merda, com sono não consigo racionalizar nada, tudo ondas de sentimentos desenterrando idéias desconexas, conexões ilógicas. Professora pergunta qual era o direito do homem mais importante segundo Hobbes. Penso: direito à vida! Só por ser óbvio, nunca li Hobbes. Ninguém abre a boca. Acho estranho eles não saberem, diziam tanto quando era aquelas coisas todas chatas, agora o mais lógico... A professora espera até que diz “À vida, gente!”, isso, agora eu mesma sei que eu não sou tão inferior, mas só eu, só eu e por isso devo estar errada.
Intervalo, fujo embora. Vou para o lado errado de novo, como se fosse em direção à velha casa. Volto para a direção da pensão. Chego na pensão, assino o horário de chegada no espaço errado – primeira vez que faço isso. Passo sem querer direto pela porta do meu quarto – primeira vez. Estou mal, estou louca. Sono retardado, imbecil.
Tanto sono, mas o pior é que fiquei assim ruim. Por isso é que em vez de dormir venho falar com você.

domingo, 9 de março de 2008

Dying in the sun

Cai a água quente sobre a cabeça, se espalhando pelo corpo. É o momento do dia em que mais me aproximo da tranqüilidade de um abraço. Dessa vez você não está mais compartilhando isso comigo. Você está do lado oposto, tão oposto! Ao pensar nisso, mais ainda minha solidão se eleva. Me abraço sozinha, me amo sozinha, compartilho comigo as coisas boas, e todas as coisas más. Falo sozinha, ando sozinha. Quero dizer pra você que... mas ah!, lembro então que você não vai mais escutar. Me sinto triste, me sinto injustiçada. E nenhum amigo de longa data pra me confortar, ficar admirado comigo – realmente, um absurdo. Eu iria me sentir menos louca, menos a única do mundo a saber, única a enfrentar isso comigo.
Então, estou tentando, sabe? Estou continuando, na esperança de voltar a me sentir aninhada e compreendida de novo, afinal tão boa a sensação que ficar sem... ou ainda abaixo de sem... é sobrevida. Mas todas as pessoas que conheço, você sabe, têm aquele egoísmo tão típico dos seres humanos... mas ampliados, ampliados! Pela superficialidade. Por que também não consigo me apaixonar em tempo recorde? Todos egoístas: você é bonita, você é atraente, você é especial. Palavras pra conseguir alguma recompensa. Se eu não der a eles o que dizem que tenho, logo deixo de ser tudo isso. Significa algo mesmo? Sou realmente especial? Se só sou especial a partir do momento que prometer dar algo de mim pra eles. Mas não amo, não amo. Nem no sentido mais rasinho da palavra. Não são bonitos, não são atraentes, não são especiais. Será tão difícil de entender? Em vez de me tratar bem por ser uma pessoa boa, ao contrário, acham que devo fazer ainda mais algo por eles. Não, não querem fazer nenhum esforço, apenas tirar algum proveito. Incoerente e ridículo. Eu não fico com as pessoas porque eu sou algo. Eu sou muitas coisas e isso nunca é suficiente, esse é o problema.
Se não fosse aquela única pessoa que me escutou realmente, mesmo me conhecendo tão pouco, a única pessoa que depois de você ter ido, e do meu querido amigo ter sumido, a pessoa que também é parecida comigo... Pelo menos isso, deus foi bonzinho, não podia deixar a corda esticar demais, afinal. Isso ajuda um pouquinho, embora seja um dejà vu estranho... Quero conhecer mais pessoas assim, pessoas como eu e você. Não sou a única, não. Sou compreendida sim. Sim, sim.
Mesmo assim, em dias como este em que estou doente e sozinha, só queria que tudo voltasse a ser como era e as coisas fossem mais fáceis. Pelo menos para eu poder me recuperar melhor.
Mas vai ver a gente só cresce mesmo quando tem que levantar uma montanha sozinho e ainda por cima está com os braços quebrados. Não pode ser simplesmente difícil, tem que ser impossível. Só assim que desenvolvemos poderes psíquicos extraordinários.

terça-feira, 4 de março de 2008

And I'm not so suicidal after all

Nossa, como foi difícil as primeiras semanas do meu rompimento com o Dã! Achei que dessa vez eu realmente teria coragem de me suicidar. Mas, como diz aquela música do Cranberries, não, eu não sou tão suicida, sou até muito forte, e principalmente, agora pelo menos I’m free to decide. Aliás, diga-se de passagem, apesar de ter ficado bem fodida, eu me recuperei mais rápido disso do que qualquer problema pessoal. Um exemplo é que fico muito mais tempo deitada e desgraçada quando não consigo conviver com minha procrastinação do que por ter sido largada e trocada por alguém pior em menos de uma semana pela pessoa mais querida da minha vida ô.o.
Percebi que não perdi o mais importante que era a mim mesma. Logo, a esperança de que tudo pode continuar ou melhorar me fez ir em frente. Que dói, dói, mas a única dor que me faz querer morrer é a ocasionada de mim comigo mesma, nunca a ocasionada por terceiros. Afinal, eu, uma pessoa tão inteligente e bonita, não preciso de uma única pessoa pra me fazer feliz, posso encontrar perfeitamente outras. Ao contrário de uns e outros que a primeira porcaria que aparece já vai correndo comer pra não ficar passando fome. Uns tem uma personalidade desértica, outros não.
Hoje tem show do Iron Maiden aqui em Curitiba. E eu rogo a Deus por todas aquelas puras e doces pessoas que irão. Desejo do fundo do coração que ocorra uma explosão no palco que faça a pedreira ir abaixo e despedace o corpo de todos em mil pedacinhos.
Dãããããããniel estará lá acompanhado de seus companheiros de curso (não, ele não gosta de metal, está aprendendo a gostar por causa dos amigos (!) da melhor forma que poderia haver: jogando no lixo gastando algumas centenas de reais pra ouvir Iron Maiden. Mas é claro que depois que se joga 600 reais no lixo com a mensalidade de um curso de primeira categoria, gastar com banda de pré-adolescente um pouco mais revoltados que os fãs de Rebeldes é o de menos...). Se explodisse mesmo, imagino a dificuldade dos bombeiros em achar o número de cérebros correspondente ao número de participantes. Só o do Daniel já seria praticamente impossível, já que a maior parte esteve o tempo todo comigo.
Se você estiver lendo isso, Dããã querido, entenda meu ódio mortal por você estar indo a esse show pelos motivos supracitados, não é nada pessoal, sou sincera dizendo que quero ser sua amiga.
Quanto a mim, depois de saber coisas como essas, sinto que a melhor coisa foi o Dã ter partido pra outra pessoa mais no nível dele. Eu realmente acreditava que o Dãã fosse maduro e inteligente. Acho mesmo que até um mês atrás ele era (e isso me faz querer não perder a amizade). Vai ver ou eu era realmente o ponto forte da relação, ou a garota de programa que ele ta catando tão fácil sugou o cérebro dele pela boca. Ou as Universidades particulares não só têm a qualidade de educação ruim como ainda por cima deseducam... é uma probabilidade.
Depois de ter visto certas mudanças, eu fico mesmo é aliviada, embora, é claro, eu não goste de ver as pessoas involuindo, principalmente um companheiro como era o Dã. Mas não é a primeira vez, espero pelo menos que dessa seja passageiro.
Eu pensava que ficar sem ninguém do meu lado seria o fim. Mas, de qualquer forma, afinal, a melhor parte de qualquer relacionamento é sempre você mesmo. Quando pensei que eu podia conseguir coisas até melhores se continuasse, tirei a cabeça de dentro do forno, pus minha melhor calcinha e saí por aí dando que nem desvairada (ok, foi só uma piadinha pra quebrar o drama e o clichê).
Mas a verdade é que eu cheguei a fechar todas as janelas e portas, coloquei a cabeça lá pra provar como era. Não durou dois segundos e eu já pensei: estou sofrendo, mas não quero morrer por causa de uma bosta dessas. Meu orgulho e independência também falaram alto. E então abri portas, janelas, desliguei o gás e fui saltitando pra minha cama segurar o choro pra ir com um rosto apresentável pro trabalho no dia seguinte.
Depois disso, posso levar mais de 8000 pés na bunda de amigos, companheiros, amantes, namorados, pai, mãe, avó, filhos e cachorros que eu sei que, por pior que seja (e é o pior), eu vou melhorar em segundos porque tenho ao meu lado eu mesma. E eu consegui passar no vestibular, eu tenho bom gosto, eu tenho controle, e eu sou madura – embora descontrolada e descomposta – e ninguém nunca será mais importante pra mim do que eu mesma. O dia que o meu orgulho e amor próprio forem feridos, daí sim (e isso ocorre com certa freqüência e também pelos motivos supracitados, mas não por tempo suficiente ainda).
Estou renovada, feliz. Já que sou uma blasé mental que vive entediada, nada melhor que a idéia de novidade pra me deixar que nem uma louca desvairada. Fico contente até porque o Daniel me deixou – tal é o tamanho do meu tédio às vezes. Fico contente porque estou morando num lugar novo, porque subo escadas, porque vou por um caminho novo para o trabalho, porque aprenderei coisas novas, lerei coisas novas, porque meus alunos são tão outros que ainda nem sei o nome, porque posso ter um relacionamento completamente novo, porque posso fazer o que quiser sem ter que prestar contas, porque posso ir para a Finlândia e não sentirei falta de ninguém aqui – e a idéia de que eu vou poder viajar e morar num lugar realmente frio e novo ao extremo me deixam no mínimo animada.
Não que por algum momento eu não tivesse querido voltar para o Dããã. Ah, eu quis, sinto que podia tê-lo amado ainda por muito tempo e que podia fazer muitas coisas para que desse certo – como fiz indo morar longe, procurando mais independência e novidade pra parar de ser chata. Mas já que ele chutou o pau da barraca tão cedo, oras, faço isso com outro, ele que perdeu a oportunidade de ter tido um relacionamento legal.
Gosto de ser independente, e consigo ser mesmo me comprometendo com as coisas. Estou onde deveria estar.

domingo, 2 de março de 2008

Um post sexista e condicionado

Eu estou aqui para afirmar perante o mundo que eu posso relevar muitas coisas na vida, tolerar uma porção de gostos e atitudes diferentes da minha, mas não tolero burrice (não ignorância, uma pessoa ignorante pode aprender, um burro empaca). Há muitos tipos de burrice, como a cultural, por exemplo. Mas nada pior que a burrice sentimental e relacional. Quem tem Síndrome de Asperger tudo bem, não se sinta aqui ofendido, isso tem a ver com quem pode escolher agir e pensar maduramente quanto às relações humanas, mas não age nem pensa por puro condicionamento. Nada também pior que condicionamento social.
Estou pensando seriamente em virar lésbica. Encontrar uma garota que não fosse burra cultural seria a melhor coisa na vida. Não é só desilusão, é certeza. Porque homens eu podia achar que fossem só ignorantes, mas cada vez mais e mais fica provado pra mim que eles são antas emocionais condicionadas. Homens e seu medo de entender o ser humano - sempre tentando partir do social, mas nunca saem do ponto de partida. Homens e seu medo de se relacionar seriamente - como se gostar seriamente de um alguém por mais de alguns anos fosse cortar-lhes o pinto ou a individualidade, seja lá o que for. Homens e sua dificuldade em manter um relacionamento. Clichês levados como religião: Porque não existe homem que goste de casar e ter filhos. Não existe homem que goste apenas de uma mulher ou de outro homem. É essa a imagem social que é estimulada e estimulada e estimulada até que não há mais pra onde ir. Aí eles pensam: "sou homem? logo desisto". "Sou homem? Então gosto de futebol.", "sou homem? então quero ser livre".
E liberdade é uma coisa muito abstrata e muito traiçoeira. Você sempre será preso enquanto estiver vivo. Fugir de se comprometer com o que quer que seja, de trabalho a amigos, não é liberdade. Você será sempre um escravo enquanto tiver desejos, ir contra eles tampouco é se libertar. Liberdade, talvez, com suas limitações porque liberdade total só morrendo, liberdade é não ter medo de compactuar com as coisas que se deseja e ter toda a liberdade de agir dentro delas (ou seja: coma, mas nunca coma demais, beba mas não demais, fume mas não demais, ame mas não demais, saia mas não demais, durma mas não demais, poder dizer não quando deseja ser não, e mesmo isso nunca seguir demais à risca).
Eu não acredito que seja uma questão biológica ou individual, mas sim social. O que é ainda mais irritante, porque agir de X ou Y forma só porque a sociedade exige é tão... ¬¬. Por isso prefiro mulheres, elas, mesmo que timidamente e a passos lentíííííííííssimos, tiveram força de romper com algumas imposições feitas a elas socialmente. Os homens nunca vão se opor a sociedade. Agem como cordeirinhos como se todas as regras tivessem sido criadas por eles - e todos eles fossem iguais. Mulheres, há uma variedade incrível de atitudes e gostos. Homens, sempre tão parecidos uns com os outros que chega a ser monótono. Mesmo gosto em música e cinema, mesmo jeito de se vestir, mesmas filosofias... e ainda a interminável atitude idiota pra impressionar como se fossem alunos do primário querendo tirar um 10 com a tia bonita. Mas pra isso agem como idiotas. Tão bom ter outra mulher pra trocar olhares sarcásticos quando eles fazem isso!
Acho que sou lésbica, embora goste bastante de pinto. Sou lésbica, sempre gostei de ser só amiga dos meninos. E sempre achei lindas as meninas, tão mais rebeldes, tão mais fortes, pena que a minoria só que não é alienada cultural (a maioria nem sabe do que gosta).
Estou amarga e querendo dar um tiro em todo mundo. Por outro lado, também, amo a todos, as críticas não são pessoais, muito menos aos garotos que eu conheço há pouco tempo, estou generalizando mesmo e eu sei disso. Também sei que não é criticando os outros que eu me sobressaio, também sou cheia de defeitinhos babacas e nem sou uma conhecedora erudita.